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Lula prevê vitória no 1º turno e chama passado de Flávio de “tenebroso”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira (1º), durante entrevista ao Flow Podcast, acreditar que será reeleito ainda no primeiro turno, no próximo domingo (4). A fala ocorreu no mesmo horário em que seria realizado o último debate presidencial da TV Globo, evento que acabou sendo cancelado pela emissora após uma sequência de decisões judiciais e desistências. “Sinceramente, acho que vou ganhar as eleições no primeiro turno. Acho que tudo vai ser definido domingo. Se não for, paciência”, afirmou o petista, em tom de confiança a poucos dias da abertura das urnas.

Durante a conversa, Lula dirigiu questionamentos ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa. O presidente indagou quais seriam as propostas concretas do candidato para justificar o voto dos eleitores. “Fico imaginando: por que alguém sairia de casa para votar no Flávio Bolsonaro, pensando no quê? O que ele tem para oferecer?”, perguntou. A reflexão buscou chamar a atenção para o que considera a ausência de um projeto claro por parte da campanha oposicionista, em momento em que o eleitorado avalia caminhos para o país.

Na avaliação do petista, a campanha de Flávio Bolsonaro se estrutura principalmente em oposição à sua imagem, ao Partido dos Trabalhadores e a pautas associadas à esquerda. “A única coisa que ele tem é o que se chama de anti-Lula, anti-PT, anti-esquerda”, disse. Lula ligou essa postura a avanços sociais implementados ao longo de seus governos, como a política de cotas nas universidades públicas. “Quando você consegue aprovar cotas para que mais pessoas tenham acesso à universidade, sabe que isso não agrada a todos”, observou, ao associar a rejeição a mudanças que transformaram a vida de milhões de brasileiros.

O presidente destacou que o que se apresenta como crítica ao seu governo esconde, na verdade, resistência a conquistas que democratizaram oportunidades no Brasil. “O passado dele é pesado, e o que oferece de novo é apenas a negação”, afirmou. A entrevista serviu também como espaço para reafirmar realizações e projetos, em formato de conversa mais longa e sem a dinâmica de confrontação direta característica dos debates televisivos. A escolha pelo podcast, em vez do debate da Globo, marcou a estratégia de comunicação adotada pela campanha na reta final.

A entrevista ao Flow acabou concentrando a atenção do público na noite desta quinta-feira, após o cancelamento do evento da emissora. A transmissão chegou a registrar cerca de 1,5 milhão de espectadores simultâneos no YouTube, demonstrando o grande interesse da população em acompanhar as declarações do candidato à reeleição. O formato permitiu que Lula falasse por mais tempo, apresentando ideias de forma contínua, sem interrupções ou tempo limitado de fala, o que atendeu à preferência já manifestada pela campanha ao longo da disputa.

Com isso, Lula encerra a primeira etapa da campanha sem ter participado de nenhum debate presidencial. A decisão de não comparecer ao encontro da Globo foi tomada antes mesmo das desistências de outros candidatos e das medidas judiciais que levaram ao cancelamento. A emissora havia sido notificada de duas decisões que alteraram regras previamente combinadas — uma da ministra Estela Aranha, do TSE, e outra do ministro Gilmar Mendes, do STF — o que levou a direção a considerar inviável a realização do debate nos moldes planejados. Flávio Bolsonaro também desistiu de participar, citando as mesmas alterações como motivo.

Restam agora poucas horas para o eleitorado decidir. As pesquisas mostram a disputa em cenário de proximidade, com diferenças dentro da margem de erro. Cada candidato escolheu a forma de chegar ao cidadão; cada eleitor, por sua vez, buscará nas falas, nas propostas e nas trajetórias os elementos necessários para decidir. O que se vê nesta reta final é um país dividido, mas também atento: milhões de brasileiros se preparam para ir às urnas e fazer valer sua escolha, com a certeza de que o futuro do Brasil será construído a partir do voto de cada um.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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