Os ex-ministros de Lula não venceram para governo nas eleições deste último domingo (4)

As eleições de 2026 produziram um resultado dividido entre os ex-ministros que deixaram o governo Luiz Inácio Lula da Silva para disputar diferentes cargos pelo país. Ao todo, segundo levantamento divulgado após o primeiro turno, oito dos 16 ex-integrantes do primeiro escalão que concorreram conseguiram ser eleitos, enquanto nenhum dos que disputaram governos estaduais saiu vencedor. O desempenho mostra que a presença construída dentro do governo federal teve resultados diferentes conforme o cargo escolhido e o estado onde cada candidatura foi apresentada.
A principal derrota entre os candidatos ao Executivo ocorreu em São Paulo, onde Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, disputou o governo estadual tendo Márcio França, ex-ministro do Empreendedorismo, como candidato a vice. A chapa foi derrotada no primeiro turno por Tarcísio de Freitas, atual governador e ex-ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro, que conseguiu a reeleição. Em Alagoas, outro ex-ministro de Lula também não conseguiu chegar ao comando do estado, já que Renan Filho, que havia deixado o Ministério dos Transportes para concorrer, perdeu a disputa para JHC.
No Legislativo, entretanto, o cenário foi diferente e uma parcela importante dos ex-ministros conseguiu conquistar mandato. Cinco nomes que concorreram à Câmara dos Deputados foram eleitos: Paulo Teixeira, de São Paulo; Sônia Guajajara, de São Paulo; Anielle Franco, do Rio de Janeiro; Jader Filho, do Pará; e Silvio Costa Filho, de Pernambuco. Além deles, Macaé Evaristo, ex-ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, foi eleita deputada estadual em Minas Gerais, ampliando a presença de antigos integrantes do governo nas casas legislativas a partir de 2027.
Nenhum ex-ministro de Lula vence governo estadual
O resultado das disputas para governador chamou atenção porque nenhum dos ex-ministros de Lula que entrou nessa corrida conseguiu conquistar o cargo no primeiro turno. Em São Paulo, Fernando Haddad buscava comandar o estado depois de ter ocupado o Ministério da Fazenda no governo federal, mas terminou atrás de Tarcísio de Freitas na votação. A derrota também atingiu Márcio França, que integrou a mesma chapa como candidato a vice-governador e havia comandado o Ministério do Empreendedorismo.
Em Alagoas, Renan Filho enfrentou uma situação diferente, mas igualmente terminou derrotado nas urnas. O ex-ministro dos Transportes deixou o governo federal para disputar novamente o comando do estado, porém JHC obteve a maioria necessária para vencer a eleição. Dessa maneira, os dois casos mais diretamente relacionados às disputas estaduais terminaram sem vitória para antigos ministros do governo Lula, enquanto candidatos de outros campos políticos foram escolhidos pelos eleitores.
No Senado, por sua vez, sete ex-ministros de Lula participaram das disputas e somente dois conquistaram uma das cadeiras disponíveis. Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil, foi eleito senador pela Bahia, enquanto André Fufuca, que havia comandado o Ministério do Esporte, conquistou uma vaga pelo Maranhão. Marina Silva, Simone Tebet, Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta e Carlos Fávaro não conseguiram se eleger para a Câmara Alta, segundo o levantamento divulgado após a apuração.
Ex-ministros de Lula têm desempenho melhor na Câmara
A Câmara dos Deputados foi o principal destino dos ex-ministros que conseguiram transformar a experiência acumulada no governo federal em vitória eleitoral. Paulo Teixeira, Sônia Guajajara, Anielle Franco, Jader Filho e Silvio Costa Filho foram eleitos para mandatos que começarão em 2027, levando para o Congresso trajetórias construídas em diferentes áreas da administração pública. Assim, o resultado das eleições proporcionais acabou sendo mais favorável aos ex-integrantes do governo do que as disputas majoritárias para governos estaduais e Senado.
Entre os eleitos estão nomes ligados a diferentes partidos e regiões, o que também demonstra que o grupo não participou das eleições sob uma única legenda. Paulo Teixeira e Anielle Franco concorreram pelo PT, Sônia Guajajara pelo PSOL, Jader Filho pelo MDB e Silvio Costa Filho pelo Republicanos, enquanto Rui Costa venceu a disputa para o Senado pelo PT e André Fufuca foi eleito pelo Progressistas. Portanto, embora todos tenham passado pelo governo Lula, suas campanhas foram desenvolvidas dentro de estruturas partidárias distintas e em realidades eleitorais próprias.
A comparação com 2022 também ajuda a dimensionar o resultado de 2026. Na eleição anterior, 17 ex-ministros de Jair Bolsonaro disputaram cargos e dez conseguiram se eleger ao longo dos dois turnos, incluindo Tarcísio de Freitas para o governo de São Paulo e nomes como Damares Alves, Marcos Pontes, Rogério Marinho e Tereza Cristina para o Senado. Em 2026, o aproveitamento dos ex-ministros de Lula ficou abaixo daquele registrado pelo grupo ligado ao governo anterior, embora a comparação envolva eleições realizadas em contextos políticos e eleitorais diferentes.
Resultado dos ex-ministros de Lula muda composição política de 2027
A eleição desses antigos integrantes do governo terá reflexos na composição do Congresso Nacional a partir de 2027, especialmente porque a Câmara e o Senado exercerão papel relevante na relação entre o próximo presidente e o Legislativo. No caso dos cinco ex-ministros eleitos para a Câmara, os novos mandatos permitirão que eles continuem atuando na política nacional, agora a partir de uma função parlamentar. Ao mesmo tempo, as derrotas nas disputas majoritárias mostram que a passagem pelo governo federal, por si só, não garantiu vitória em todos os tipos de eleição.
O resultado também deve ser analisado considerando que 2026 teve diferentes disputas ocorrendo simultaneamente, com duas vagas para o Senado em cada estado e no Distrito Federal, além das eleições para Câmara, Assembleias Legislativas e governos estaduais. Por isso, um candidato que possuía experiência administrativa nacional poderia encontrar condições eleitorais muito diferentes dependendo do cargo escolhido e da estrutura política existente em seu estado. No caso dos ex-ministros de Lula, os números finais mostraram uma concentração maior de vitórias entre aqueles que buscaram mandatos legislativos.
O balanço final, portanto, apresenta um cenário heterogêneo para os ex-integrantes do governo Lula que disputaram as eleições de 2026. Enquanto Fernando Haddad, Márcio França e Renan Filho foram derrotados nas disputas relacionadas aos governos estaduais, Rui Costa e André Fufuca conquistaram cadeiras no Senado e cinco ex-ministros foram eleitos para a Câmara dos Deputados. A partir de 2027, esses resultados serão refletidos na composição do Legislativo, enquanto a disputa presidencial ainda seguirá para o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.





