Carlos Boulos faleceu aos 80 anos após ser atropelado em São Paulo; ele foi socorrido, mas infelizmente não resistiu

O tio de Guilherme Boulos, o cirurgião-dentista Carlos Boulos, de 80 anos, morreu nesta terça-feira, 6 de outubro, três dias depois de ser atropelado durante uma discussão de trânsito em São Paulo. O caso aconteceu na noite do último sábado, 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, na região da Bela Vista, área central da capital paulista, e passou a ser investigado como homicídio doloso após a confirmação da morte da vítima. Carlos estava internado no Hospital das Clínicas e sofreu morte encefálica depois dos graves ferimentos provocados pelo atropelamento.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, Carlos dirigia uma caminhonete quando houve uma colisão com outro veículo, dando início a uma discussão entre os motoristas. Depois do desentendimento, o dentista teria descido da caminhonete para conversar com o condutor do automóvel, mas acabou sendo atingido quando o outro veículo avançou em sua direção. O momento do atropelamento foi registrado em vídeo por uma testemunha, e as imagens ajudaram os investigadores a identificar o veículo envolvido na ocorrência.
O motorista identificado como Amilton, de 61 anos, apresentou-se à Polícia Civil e prestou depoimento antes da confirmação da morte de Carlos, permanecendo em liberdade após os procedimentos realizados. Com a morte encefálica e a apresentação do atestado de óbito à polícia, a investigação que inicialmente tratava o episódio como tentativa de homicídio passou a considerar um homicídio consumado. Dessa forma, a dinâmica da discussão, a maneira como o carro atingiu Carlos e a intenção atribuída ao condutor passaram a ser analisadas dentro de uma investigação criminal mais grave.
Tio de Guilherme Boulos foi atropelado após discussão de trânsito
A ocorrência começou depois de uma colisão envolvendo a caminhonete conduzida por Carlos e um Fiat Palio branco, segundo os relatos reunidos pela polícia. As circunstâncias exatas da batida que provocou o desentendimento ainda estão sendo apuradas, mas testemunhas relataram que Carlos saiu do próprio veículo e foi em direção ao outro automóvel. A partir desse momento, a discussão ganhou uma nova dimensão e terminou com o atropelamento do dentista.
Imagens feitas por uma testemunha mostram Carlos fora da caminhonete enquanto o outro veículo permanecia parado ou realizava uma manobra para deixar o local. Na gravação, o dentista aparece próximo ao automóvel e, em seguida, o carro avança, atingindo-o e fazendo com que ele caísse no asfalto, enquanto o veículo deixa a área. O vídeo foi entregue às autoridades e passou a ser considerado uma das evidências importantes para a reconstrução dos acontecimentos.
Após o atropelamento, Carlos foi socorrido e levado para atendimento médico, permanecendo internado em estado grave durante três dias. A vítima sofreu traumatismo craniano e posteriormente teve a morte encefálica confirmada, fazendo com que o caso tivesse sua classificação alterada pela investigação policial. O motorista, por sua vez, foi localizado, prestou esclarecimentos e teve o veículo submetido à perícia, enquanto os demais elementos da ocorrência continuaram sendo analisados.
Motorista apresenta versão sobre o atropelamento
A defesa de Amilton apresentou uma versão diferente daquela relatada inicialmente por testemunhas e registrada no andamento da investigação. Segundo os advogados, o motorista estava acompanhado da esposa e do filho e teria tentado deixar o local porque se sentiu ameaçado durante a discussão com Carlos. A defesa afirma que não houve intenção de atingir o dentista e que o motorista teria procurado apenas afastar o veículo de uma situação que considerava perigosa para sua família.
Ainda conforme a versão apresentada pelos advogados, Carlos teria buzinado, utilizado o farol alto e projetado a caminhonete contra o carro da família antes de descer do veículo. O motorista teria então aproveitado uma brecha no trânsito para tentar sair pela esquerda, momento em que Carlos teria se colocado diante do automóvel e acabou sendo atingido. A defesa também afirmou que os ocupantes do carro chegaram a temer que Carlos estivesse armado, mas essa alegação deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos pela investigação.
Por outro lado, a Polícia Civil indiciou Amilton por homicídio doloso, classificação que considera a possibilidade de intenção de matar ou de assumir o risco de provocar a morte. O indiciamento não representa uma condenação definitiva, pois a investigação ainda deverá ser concluída e encaminhada ao Poder Judiciário para as providências previstas na legislação. Assim, imagens, depoimentos, perícias e demais provas deverão ser analisados conjuntamente para esclarecer se a versão apresentada pela defesa corresponde à dinâmica efetivamente registrada no local.
Morte do tio de Boulos altera investigação em São Paulo
A morte de Carlos Boulos mudou de maneira significativa o andamento do caso, que inicialmente era tratado como tentativa de homicídio enquanto ele permanecia internado. Com a confirmação do óbito, o procedimento passou a investigar um homicídio consumado, e a Polícia Civil manteve o indiciamento do motorista por homicídio doloso. O caso está sendo conduzido pelo 5º Distrito Policial, na região da Aclimação, e deverá ser encaminhado à Justiça depois da conclusão do inquérito.
Carlos Boulos era cirurgião-dentista e tio de Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e deputado federal licenciado por São Paulo. Apesar da relação familiar com uma figura conhecida da política nacional, as informações divulgadas até o momento indicam que o episódio teve origem em uma discussão de trânsito e não apontam motivação política para o atropelamento. A assessoria de Guilherme Boulos informou que não iria se manifestar sobre o caso, enquanto as autoridades continuam reunindo elementos para esclarecer todas as circunstâncias da morte.





