Janones convocou uma tropa digital para apoiar Lula, deixando a campanha de Flávio preocupada

A mobilização de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais passou a receber atenção especial da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) durante a disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O crescimento de grupos digitais favoráveis à reeleição do petista levou aliados do senador a organizar respostas e acompanhar as ações de militantes na internet. O cenário foi detalhado em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, em matéria assinada pela equipe do jornal e divulgada na editoria de Poder.
Um dos destaques da mobilização pró-Lula é o canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Avante). Segundo a reportagem da Folha, o grupo ampliou sua presença digital de aproximadamente 50 mil para 3 milhões de seguidores, tornando-se uma das iniciativas de mobilização política que chamaram a atenção dos adversários. A expansão ocorre em um momento no qual as duas campanhas buscam ampliar o alcance de suas mensagens e estimular a participação de apoiadores na reta decisiva da eleição.
A equipe de Flávio acompanha com cautela a atuação desses grupos, principalmente no WhatsApp, ambiente em que a circulação de mensagens e a organização de comunidades apresentam desafios diferentes daqueles encontrados em redes públicas, como Instagram e X. A avaliação dos aliados do senador é que a mobilização digital pode influenciar a disputa pela atenção dos eleitores e a divulgação de argumentos políticos. Diante desse cenário, a campanha passou a estruturar iniciativas para reagir às ações promovidas pelo campo petista.
Campanhas ampliam disputa por espaço nas redes sociais
Como parte da reação, Flávio Bolsonaro lançou a Tropa do Flávio, iniciativa voltada à organização de apoiadores no ambiente digital. A proposta busca fortalecer a presença do candidato do PL nas redes e responder à mobilização de grupos favoráveis ao presidente. Além disso, aliados do senador passaram a denunciar conteúdos que consideram falsos ou prejudiciais à imagem da candidatura.
A disputa também envolve acusações sobre a atuação de grupos políticos na internet. Setores ligados ao bolsonarismo acusam o PT de organizar uma espécie de “milícia digital”, expressão utilizada por adversários para questionar a forma de atuação dos apoiadores de Lula. A acusação faz parte do embate político entre as campanhas e deve ser entendida como uma interpretação atribuída a esses grupos, não como uma conclusão comprovada sobre a organização das ações digitais.
Do outro lado, a campanha petista também acusa apoiadores de Flávio de divulgar informações falsas e questiona conteúdos relacionados às propostas econômicas do candidato do PL. Entre os temas que alimentam a disputa estão as discussões sobre possíveis cortes no orçamento e seus efeitos sobre políticas públicas. Dessa forma, as redes sociais se tornaram um espaço central para a divulgação de propostas, a contestação de declarações e a tentativa de influenciar a percepção dos eleitores.
Site econômico e ações judiciais entram no embate eleitoral
A campanha de Flávio também criou um site para apresentar esclarecimentos sobre suas propostas econômicas e responder às críticas que circulam na internet. A iniciativa ganhou importância diante de mensagens que associam o programa do candidato a um possível corte de R$ 250 bilhões no orçamento. A equipe busca contestar essa interpretação e apresentar sua versão sobre as medidas econômicas discutidas durante a campanha.
O conflito entre as candidaturas também chegou à Justiça Eleitoral. Segundo a Folha de S.Paulo, a equipe jurídica de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra grupos que, na avaliação da campanha, difundiam desinformação. Algumas publicações de integrantes do campo petista, incluindo conteúdos relacionados a Lula, foram retiradas do ar após decisões judiciais, ampliando a discussão sobre os limites da propaganda política na internet.
As ações judiciais refletem uma disputa que envolve tanto a circulação de informações quanto a interpretação das propostas apresentadas pelos candidatos. Enquanto a campanha de Flávio busca combater publicações que considera enganosas, o grupo de Lula contesta afirmações de adversários e cobra explicações sobre os possíveis efeitos das medidas econômicas defendidas pelo senador. Nesse contexto, decisões do TSE e de seus ministros passaram a integrar o debate eleitoral, com efeitos sobre conteúdos específicos publicados nas plataformas digitais.
Mobilização digital ganha importância no segundo turno
A intensificação das ações na internet mostra como as campanhas presidenciais passaram a combinar propaganda oficial, mobilização de militantes, produção de conteúdos e iniciativas jurídicas. Grupos organizados podem compartilhar mensagens rapidamente, mas a circulação de publicações também aumenta o risco de informações imprecisas serem reproduzidas sem verificação. Por isso, as duas candidaturas enfrentam o desafio de defender suas propostas e contestar acusações sem transformar alegações políticas em fatos comprovados.
A reportagem da Folha de S.Paulo mostra que a mobilização pró-Lula se tornou um dos pontos de atenção da campanha de Flávio Bolsonaro, que respondeu com a criação de grupos próprios, iniciativas de esclarecimento e medidas judiciais. A disputa digital ocorre paralelamente aos atos presenciais, às alianças políticas e à propaganda eleitoral, ampliando os canais utilizados para alcançar os eleitores. Até a votação do segundo turno, a atuação das campanhas nas redes deverá continuar sendo uma frente importante do confronto político entre Lula e Flávio.





