Deputada federal eleita Ana Elisa relatou ter sofrido novos ataques e Polícia Federá poderá investigar o caso

O Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito para investigar ameaças de morte e estupro contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos. O pedido foi encaminhado na sexta-feira, 9 de outubro, após a parlamentar relatar uma sequência de ataques nas redes sociais e afirmar que recebia ameaças a cada dois minutos. As informações foram divulgadas pelo portal g1, em reportagem publicada na editoria de Política.
O documento foi enviado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pela Secretaria Nacional de Acesso à Justiça, vinculada ao Ministério da Justiça. A pasta pediu que a corporação investigue os responsáveis pelas mensagens e adote providências junto às plataformas X e Meta para interromper os ataques e auxiliar na identificação dos autores. O ministério também apontou que as ameaças podem estar relacionadas à atuação política da parlamentar e à sua participação na campanha presidencial.
Ana Elisa relatou que os ataques se intensificaram depois que passou a colaborar com a mobilização digital da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. Diante da frequência e da gravidade das mensagens, ela desativou sua conta na plataforma X, antiga Twitter. A deputada eleita afirmou que considera inaceitável sofrer ameaças por defender suas posições políticas e participar do debate público.
Ministério aponta possível atuação coordenada
No ofício encaminhado à Polícia Federal, a Secretaria Nacional de Acesso à Justiça mencionou indícios de que as ameaças poderiam envolver pessoas de fora de Minas Gerais. A secretária Sheila de Carvalho afirmou que havia sinais de uma rede atuando para intimidar e silenciar a parlamentar. Segundo ela, é necessário identificar os envolvidos e responsabilizar aqueles que possam estar colocando a vida de Ana Elisa em risco.
O ministério considera que o caso pode envolver crimes praticados pela internet com conteúdo misógino e relacionados à participação política de uma mulher. Por essa razão, solicitou que a Polícia Federal avalie a abertura de investigação na esfera federal e tome as medidas necessárias para esclarecer os fatos. O pedido também inclui a colaboração das plataformas digitais para preservar informações e identificar os responsáveis pelas publicações.
A investigação deverá apurar a origem das mensagens, a possível conexão entre diferentes perfis e a eventual participação de pessoas organizadas em ações contra a deputada eleita. A existência de uma rede coordenada foi apontada pelo ministério como uma hipótese baseada nos indícios disponíveis, mas precisa ser esclarecida pelas autoridades. A identificação dos autores e a confirmação das circunstâncias dos ataques dependerão do resultado das diligências.
Ana Elisa relata ameaças de morte e violência sexual
Na quinta-feira, 8 de outubro, Ana Elisa publicou um vídeo nas redes sociais relatando a frequência das ameaças e afirmando que havia se tornado alvo de ataques desde que entrou na campanha de Lula. Segundo a parlamentar, as mensagens incluíam ameaças de morte e violência sexual, além da divulgação de informações pessoais. Ela também afirmou que a situação a levou a retirar seu perfil do X do ar.
O caso já havia sido comunicado à Polícia Civil, que informou ao g1 que as investigações estavam em andamento. Entre os episódios relatados está o recebimento de um e-mail enviado em 5 de setembro, cujo autor dizia integrar um grupo supremacista branco. A mensagem continha referências a dados pessoais da deputada eleita e ameaças que também atingiam familiares dela.
Além das ameaças, Ana Elisa relatou a exposição de informações como endereço residencial, telefone e documentos pessoais. A divulgação desses dados aumenta a preocupação com a segurança da parlamentar e de seus familiares, segundo as informações apresentadas por ela. O partido também adotou medidas de proteção, enquanto as autoridades foram acionadas para investigar as mensagens e buscar a identificação dos responsáveis.
Quem é Ana Elisa, deputada eleita por Minas Gerais
Ana Elisa Santos Silva foi eleita deputada federal por Minas Gerais pelo PT nas eleições de 4 de outubro de 2026, quando recebeu 524.219 votos. Aos 21 anos, tornou-se a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil e obteve a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados no estado, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Natural de Divinópolis, ela é estudante de Direito e ganhou projeção nacional por meio de vídeos e publicações sobre política e questões sociais.
A parlamentar construiu uma presença expressiva nas redes sociais e passou a integrar a estratégia digital da campanha de Lula no segundo turno. Sua atuação inclui a divulgação de conteúdos políticos e a mobilização de eleitores na internet, atividade que, segundo seu relato, foi seguida pelo aumento das ameaças. O episódio colocou em evidência os riscos enfrentados por mulheres que participam da vida pública e se tornam alvo de violência política.
O pedido do Ministério da Justiça busca ampliar a investigação para a esfera federal e permitir a identificação dos autores das ameaças denunciadas por Ana Elisa. A Polícia Federal deverá avaliar os elementos apresentados e as medidas necessárias para esclarecer se houve atuação coordenada e quais crimes podem ter sido cometidos. Até que as apurações sejam concluídas, a responsabilidade pelos ataques deverá ser estabelecida com base nas provas reunidas pelas autoridades.





