Levantamento feito pelo PT mostra que campanha de Flávio Bolsonaro pode estar sendo beneficiada pela Meta

Um relatório interno produzido pela Secretaria Nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT) levantou suspeitas de que o algoritmo da Meta estaria favorecendo a campanha de Flávio Bolsonaro e prejudicando a divulgação de conteúdos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais. A análise, divulgada pelo Estado de Minas em reportagem publicada em 9 de outubro de 2026, foi elaborada a partir de dados de engajamento das páginas dos dois candidatos. O documento aponta que Flávio teria uma média de interações quase três vezes maior que a de Lula, apesar de possuir menos seguidores.
De acordo com o levantamento, a página do senador teria 17,2% menos seguidores que a do presidente, mas registraria aproximadamente 2,96 vezes mais curtidas e comentários por publicação. Quando os números são relacionados à quantidade de seguidores de cada página, o relatório indica taxas de 10,23% para Flávio e 2,86% para Lula. O próprio documento ressalta que esses indicadores são cálculos descritivos baseados em contadores públicos, e não representam necessariamente a proporção de seguidores únicos que interagiram com as publicações.
As suspeitas também estão relacionadas a possíveis irregularidades na divulgação de propaganda eleitoral pelo Instagram. A coligação Brasil Pronto pra Mais, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou um pedido de investigação à Justiça Eleitoral alegando que diversas páginas estariam sendo criadas para publicar conteúdos em parceria, conhecidos como collabs, com o objetivo de ampliar a circulação de material ligado à campanha de Flávio. A solicitação foi aceita, e uma investigação está em andamento para apurar os fatos apresentados.
Meta reconhece falha na contagem de visualizações
A discussão ganhou força depois que usuários passaram a relatar possíveis problemas na contagem de visualizações de vídeos publicados no Instagram. Segundo essas reclamações, alguns contadores deixariam de aumentar de maneira considerada normal mesmo quando as publicações continuavam circulando e recebendo interações. A situação levantou questionamentos sobre a precisão das métricas utilizadas para acompanhar o desempenho dos conteúdos durante a campanha eleitoral.
Em resposta à reportagem, a Meta reconheceu a existência de um problema técnico que afetava algumas métricas de vídeos e informou que trabalhava para solucioná-lo. A empresa, responsável pelo Instagram e pelo Facebook, não detalhou quais publicações haviam sido atingidas nem informou a dimensão total da falha. Também não confirmou que o problema tivesse sido provocado deliberadamente para reduzir a visibilidade de Lula ou favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A reportagem identificou uma diferença entre os números de curtidas e visualizações em pelo menos um vídeo publicado por Lula no Reels do Instagram. Essa divergência chamou a atenção porque a quantidade de curtidas aparecia acima do total de visualizações registrado na publicação. Entretanto, a existência de uma falha técnica nas métricas, por si só, não comprova manipulação política do algoritmo ou interferência intencional na distribuição dos conteúdos.
PT questiona possíveis irregularidades na campanha digital
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a combinação entre as suspeitas envolvendo a campanha de Flávio e a falta de transparência atribuída à plataforma coloca em discussão a igualdade de condições na disputa presidencial. No pedido encaminhado à Justiça Eleitoral, a coligação sustenta que páginas estariam sendo utilizadas para ampliar a divulgação de propaganda política por meio de publicações colaborativas. A representação também levanta suspeitas de que conteúdos com desinformação e ataques a Lula estariam sendo usados para gerar engajamento e receita financeira.
A coligação argumenta que as situações relatadas não se limitariam à atuação espontânea de apoiadores, mas poderiam envolver uma estrutura organizada de divulgação de conteúdo eleitoral. Essa alegação faz parte do pedido de investigação e ainda depende de apuração pelas autoridades competentes. Até que os fatos sejam esclarecidos, não é possível tratar as acusações contra a campanha de Flávio como irregularidades comprovadas.
A legislação eleitoral brasileira estabelece restrições à monetização de conteúdos de propaganda eleitoral na internet por influenciadores e outras pessoas, além de regras para a divulgação de publicidade política. Por isso, a Justiça Eleitoral deverá avaliar os elementos apresentados e verificar se houve descumprimento das normas aplicáveis. A investigação também poderá esclarecer se as páginas mencionadas mantêm vínculos com candidaturas ou se atuam de maneira independente.
Campanha de Flávio também apresenta denúncia ao TSE
Enquanto o PT solicita apuração sobre possíveis irregularidades relacionadas à divulgação de conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro, a equipe jurídica do senador informou ter apresentado uma ação própria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a campanha, a representação aponta uma rede de 1.525 perfis no Instagram, conectados a outros 5.882 por meio de coautorias e organizados em 16 grupos. A equipe afirma que esses perfis seriam utilizados para disseminar conteúdo falso ou descontextualizado.
De acordo com os representantes de Flávio, a ação é direcionada contra Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A iniciativa mostra que os dois lados da disputa passaram a recorrer à Justiça Eleitoral para questionar práticas de comunicação digital atribuídas aos adversários. As acusações apresentadas pelas campanhas precisam ser examinadas individualmente, com base nas provas reunidas durante os procedimentos.
O caso reúne, portanto, duas questões diferentes: a falha técnica reconhecida pela Meta na medição de algumas métricas e as suspeitas eleitorais envolvendo redes de páginas e a circulação de propaganda política. Até o momento, a empresa não confirmou que a instabilidade tenha favorecido um candidato específico, enquanto as acusações apresentadas pelas coligações dependem de investigação. O esclarecimento dos fatos será importante para determinar se houve apenas um problema de mensuração ou se ta





