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Ruas teve a eleição confirmada no primeiro turno e já começou a falar sobre seus planos de governo

Douglas Ruas (PL), declarado governador eleito do Rio de Janeiro em 10 de outubro de 2026, afirmou que pretende rever o orçamento estadual para 2027, ampliar o efetivo da Polícia Militar e acelerar a entrega de um hospital nos primeiros meses de sua gestão. As declarações foram feitas em entrevista ao RJ2, da TV Globo, após a conclusão da retotalização dos votos pela Justiça Eleitoral, que confirmou sua vitória ainda no primeiro turno. Entre as prioridades anunciadas pelo político estão o enfrentamento do déficit bilionário nas contas públicas, o reforço da segurança e a execução de projetos nas áreas de saúde e habitação.

Durante a entrevista, Ruas afirmou que não concorda com a aprovação da proposta orçamentária de 2027 nos moldes em que foi encaminhada à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O projeto prevê um déficit superior a R$ 13 bilhões, segundo os números citados pelo governador eleito, que defendeu uma revisão das despesas e uma discussão com os representantes dos poderes estaduais. Ele também pretende instituir um teto de gastos para limitar o crescimento das despesas à evolução da arrecadação.

Na área de segurança pública, uma das principais bandeiras de sua campanha, Ruas prometeu convocar candidatos aprovados em concursos e estabelecer um cronograma para ampliar o número de policiais militares. Segundo ele, a corporação conta atualmente com pouco mais de 44 mil agentes, enquanto a legislação estadual prevê um efetivo de 60 mil profissionais. O governador eleito estimou que a recomposição exigiria cerca de R$ 1,6 bilhão e afirmou que pretende buscar alternativas para viabilizar as contratações ao longo dos quatro anos de mandato.

Douglas Ruas quer reduzir déficit e estabelecer teto de gastos

A situação fiscal do Rio de Janeiro foi um dos principais assuntos abordados na entrevista, com Ruas defendendo mudanças no planejamento financeiro do estado antes da votação do orçamento para 2027. O governador eleito pretende reunir os chefes dos poderes estaduais para discutir alterações na Lei Orçamentária Anual e adequar as despesas à capacidade de arrecadação. Segundo ele, o objetivo é evitar que os gastos continuem crescendo acima das receitas e agravem o desequilíbrio das contas públicas.

Ruas também defendeu a criação de um limite para o crescimento das despesas dos poderes estaduais, tomando como referência a evolução da arrecadação. Na avaliação apresentada pelo político, o Rio precisa recuperar o equilíbrio fiscal e rever o ritmo de expansão dos gastos para conseguir financiar as políticas públicas. Ele afirmou ainda que pretende trabalhar pela aprovação de propostas relacionadas à regularização de contribuintes inadimplentes e à transação tributária, mecanismo que permite negociar débitos com o poder público.

O governador eleito disse que ainda haverá tempo para discutir mudanças no orçamento, já que a votação costuma ocorrer em dezembro. Para isso, pretende negociar as alterações nas comissões temáticas e no plenário da Alerj, onde os projetos precisam passar pelos procedimentos legislativos antes da aprovação. A capacidade de implementar as medidas dependerá, entre outros fatores, da articulação com os parlamentares e da definição de prioridades para as despesas estaduais.

Reforço da Polícia Militar e obras na saúde

A ampliação do efetivo da Polícia Militar foi apresentada como uma das metas centrais da futura administração, com a promessa de convocar candidatos excedentes já aprovados e organizar novos concursos públicos. Ruas afirmou que pretende alcançar o quantitativo previsto na legislação estadual durante os quatro anos de governo, o que exigirá planejamento financeiro e administrativo. Para reduzir os custos de implantação, ele também mencionou a possibilidade de estabelecer parcerias com prefeituras e aproveitar imóveis públicos existentes para instalações ligadas à segurança.

Na área da saúde, o governador eleito prometeu entregar o Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo nos primeiros 100 dias de gestão. A proposta foi apresentada como parte das prioridades para o início do mandato, embora o cumprimento do prazo dependa das condições das obras, da estrutura disponível e das providências necessárias para colocar a unidade em funcionamento. Ruas também afirmou que as propostas para saúde e educação foram elaboradas considerando os recursos previstos nos percentuais constitucionais de aplicação obrigatória nessas áreas.

A entrevista também abordou os riscos de desastres provocados por chuvas intensas, especialmente em municípios com encostas vulneráveis e famílias vivendo em áreas de risco. Ruas defendeu a combinação de obras de contenção com programas habitacionais para transferir moradores quando não houver intervenções capazes de eliminar o perigo. Ele citou a necessidade de manter ações de limpeza e desassoreamento de rios e canais durante todo o ano, além de preparar o estado para responder a emergências climáticas.

Habitação e preparação para o período de chuvas

A retirada de famílias de áreas vulneráveis foi apontada como uma medida necessária em locais onde obras de contenção não sejam suficientes para garantir a segurança dos moradores. Durante a entrevista, foram mencionados dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indicando que centenas de milhares de pessoas vivem em áreas de risco em municípios fluminenses monitorados. Ruas defendeu investimentos em habitação de interesse social e diálogo com as comunidades para viabilizar mudanças para locais mais seguros.

Petrópolis, na Região Serrana, foi citada como exemplo dos desafios enfrentados pelo estado, especialmente pela quantidade de moradores expostos a riscos e pela dificuldade de encontrar terrenos disponíveis para reassentamento. O governador eleito afirmou que será necessário combinar políticas habitacionais, obras de infraestrutura e planejamento para reduzir a vulnerabilidade da população. Ele também pretende discutir, durante a transição, medidas para reforçar a preparação do governo estadual para o próximo período de chuvas.

Outro ponto abordado foi a composição do futuro secretariado, que, segundo Ruas, já estaria praticamente definida, embora os convites formais ainda não tivessem sido realizados. O político afirmou que começaria a procurar os escolhidos a partir do domingo seguinte à entrevista, depois da confirmação oficial do resultado eleitoral. Questionado sobre indicações políticas, prometeu priorizar profissionais com conhecimento técnico e experiência no serviço público, mas não anunciou nomes durante a conversa.

Governador eleito começa a preparar a transição

A entrevista ao RJ2 marcou uma das primeiras apresentações públicas de Douglas Ruas após a confirmação de sua vitória pela Justiça Eleitoral. O resultado foi consolidado depois que o Tribunal Superior Eleitoral anulou 274 mil votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos), decisão que alterou a contagem final e permitiu que Ruas ultrapassasse a marca necessária para ser eleito no primeiro turno. A coligação de Eduardo Paes (PSD), que inicialmente disputaria o segundo turno, contestou a decisão e anunciou que buscaria recorrer judicialmente.

Com a eleição confirmada pelo procedimento de retotalização, Ruas passou a concentrar suas declarações nas prioridades administrativas e na montagem da equipe de governo. As promessas feitas na entrevista abrangem equilíbrio fiscal, segurança pública, saúde, habitação e prevenção de desastres, áreas que exigirão recursos e coordenação entre diferentes órgãos estaduais e municipais. A execução das medidas dependerá da elaboração de planos detalhados, da disponibilidade orçamentária e da aprovação de propostas que precisem passar pela Assembleia Legislativa.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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