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TSE convoca aliados de Lula e Flávio após disparada de ações judiciais; entenda o motivo

Nunes Marques reúne campanhas de Flávio e Lula para discutir 2º turno

Nunes Marques reúne campanhas de Flávio e Lula diante da escalada judicial

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reuniu representantes das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (13) para discutir questões relacionadas ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O encontro ocorreu em meio ao aumento das disputas judiciais entre os dois grupos, que passaram a recorrer à Justiça Eleitoral para contestar publicações nas redes sociais, questionar estratégias de comunicação e pedir providências contra supostas irregularidades. Além disso, foram discutidas preocupações com a desinformação, a proteção de candidatos contra conteúdos manipulados e a necessidade de preservar a segurança durante a votação. Dessa maneira, a reunião colocou em evidência os desafios enfrentados pela Justiça Eleitoral diante de uma campanha marcada pelo confronto político também no ambiente digital.

A iniciativa ocorreu depois de uma sequência de medidas apresentadas pelas duas campanhas, incluindo solicitações para retirar conteúdos da internet e ações que buscam responsabilizar adversários por supostas infrações eleitorais. Nesse cenário, o TSE procurou tratar de temas que ultrapassam as divergências entre os candidatos, uma vez que envolvem a integridade do processo eleitoral, a atuação de apoiadores e o funcionamento das regras de propaganda política. Participaram do encontro, além de Nunes Marques, os ministros André Mendonça e Marco Aurélio Bellizze, assim como a ministra Estela Aranha. A presença de integrantes da Corte reforçou o caráter institucional da reunião, realizada em um momento no qual as decisões judiciais e as disputas nas redes sociais passaram a ocupar espaço importante na corrida presidencial.

TSE alerta para desinformação e riscos de confrontos eleitorais

Um dos principais assuntos discutidos foi o crescimento de conteúdos considerados desinformativos entre o primeiro e o segundo turnos. Também foram mencionadas preocupações com a exposição de dados pessoais e com agressões contra servidoras e servidores envolvidos no processo eleitoral. Segundo os pontos apresentados na reunião, a atuação das campanhas e de suas militâncias é considerada relevante para evitar que divergências políticas se transformem em episódios de hostilidade ou confrontos no dia da votação. Por isso, foi destacada a importância de medidas preventivas e de orientações aos apoiadores, especialmente diante da circulação acelerada de mensagens em plataformas digitais.

A preocupação não se limita à veracidade das publicações. Quando informações pessoais são expostas ou servidores públicos passam a ser alvo de ataques, a segurança das pessoas envolvidas e a confiança nas instituições também podem ser afetadas. Além disso, conteúdos enganosos podem dificultar a compreensão dos eleitores sobre propostas, decisões e acontecimentos relacionados à disputa. Nesse contexto, a Justiça Eleitoral enfrenta o desafio de combater práticas irregulares sem restringir indevidamente a manifestação política ou o debate legítimo entre candidatos. Portanto, o equilíbrio entre a proteção do processo eleitoral e a liberdade de expressão aparece como uma das questões centrais deste segundo turno.

Ações eleitorais aumentam mais de 200% em comparação com 2022

Outro ponto de destaque foi o crescimento da judicialização eleitoral, isto é, o aumento do número de disputas levadas à Justiça para análise de possíveis irregularidades. Conforme os dados apresentados no encontro, foram registrados 162 processos de representação e direito de resposta nos nove dias posteriores ao primeiro turno de 2026. No mesmo intervalo de 2022, haviam sido contabilizados 51 processos. A diferença representa um aumento de aproximadamente 217,65%, indicando uma intensificação expressiva do recurso aos tribunais durante a fase decisiva da eleição.

Esse crescimento pode ampliar a pressão sobre a estrutura responsável por analisar os pedidos e decidir quais medidas devem ser adotadas. Além disso, a multiplicação de ações sobre publicações e estratégias de campanha pode elevar o risco de decisões divergentes em casos semelhantes, preocupação que também foi levantada durante a reunião. Outro desafio é evitar que o uso excessivo de instrumentos judiciais limite o debate público entre os candidatos. Por outro lado, a existência de mecanismos legais é necessária para que denúncias sejam examinadas e eventuais violações das regras eleitorais possam ser corrigidas. Assim, a questão central está em assegurar que as ações sejam analisadas com critérios jurídicos, rapidez e respeito às garantias democráticas.

Proteção contra deepfakes entra na pauta do segundo turno

A reunião também abordou os riscos associados aos chamados deepfakes, conteúdos de áudio, vídeo ou imagem produzidos ou alterados por inteligência artificial para imitar pessoas reais ou modificar artificialmente declarações e situações. Durante o encontro, foi informada a disponibilização de ferramentas de proteção de voz, oferecidas pela ElevenLabs, e de imagem, por meio do Copilot, aos candidatos à Presidência e a seus respectivos vices. Os interessados poderiam procurar a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) para obter informações sobre os recursos disponíveis.

A discussão ocorre em um contexto no qual a tecnologia pode facilitar a criação de materiais aparentemente autênticos, tornando mais difícil para o público distinguir registros verdadeiros de conteúdos manipulados. Em uma eleição presidencial, esse tipo de material pode gerar dúvidas sobre declarações, prejudicar reputações e influenciar a percepção dos eleitores. Entretanto, a existência de ferramentas de proteção não elimina, por si só, todos os riscos. A identificação de materiais falsos também depende de análise técnica, verificação de informações e resposta adequada das instituições e das plataformas digitais. Por isso, a prevenção e a orientação das campanhas foram tratadas como partes importantes da estratégia de enfrentamento à desinformação.

Campanhas de Lula e Flávio: quem participou da reunião no TSE

A campanha de Flávio Bolsonaro foi representada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri e pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua como coordenador da campanha. Já o grupo de Lula contou com a participação de Fernando Neves, Henrique Neves, do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, além de Ângelo Ferraro, Miguel Novaes e do coordenador da campanha petista, Edinho Silva. Os representantes acompanharam as discussões em nome das duas candidaturas, que disputam a Presidência da República no segundo turno.

Além de abordar os problemas relacionados à propaganda eleitoral, o encontro incluiu um convite para que as campanhas acompanhem a apuração dos resultados no próprio TSE, ao lado do presidente da Corte. A proposta busca ampliar o acompanhamento institucional de uma etapa decisiva do processo eleitoral. Ao mesmo tempo, a participação dos representantes permite que as preocupações de cada candidatura sejam apresentadas em um ambiente de diálogo com integrantes da Justiça Eleitoral. Isso não significa, contudo, que as divergências entre os grupos tenham sido resolvidas ou que as ações judiciais em andamento tenham sido encerradas. As decisões sobre cada caso continuam sujeitas aos procedimentos e critérios jurídicos aplicáveis.

Disputa entre Lula e Flávio nas redes sociais chega à Justiça

A reunião ocorreu depois de novas iniciativas judiciais das duas campanhas. No fim de semana anterior, Flávio Bolsonaro pediu ao TSE que determinasse a retirada do canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones. O candidato do PL alegou que o canal fazia parte de uma estrutura organizada para disseminar desinformação e promover ataques contra ele. Trata-se de uma acusação apresentada pela campanha, cuja procedência depende da análise das evidências e das decisões da Justiça Eleitoral.

Lula, por sua vez, apresentou uma representação questionando a distribuição de publicações de sua coligação no Instagram e no Facebook, plataformas controladas pela Meta. A campanha petista alegou que existiria uma “seletividade algorítmica” capaz de alterar a entrega dos conteúdos e favorecer seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto. Nesse caso, a alegação também deve ser distinguida de uma conclusão judicial definitiva. As duas iniciativas mostram como as estratégias de comunicação digital passaram a ser acompanhadas por questionamentos sobre alcance, moderação e possível tratamento desigual nas plataformas. Enquanto isso, ambos os lados intensificaram suas ações nas redes: Lula passou a publicar vídeos em formato selfie e recebeu em Brasília jovens influenciadores ligados ao PT; Flávio, por sua vez, realiza transmissões ao vivo semanalmente e incentiva apoiadores a ampliar a circulação de suas publicações.

O que a reunião de Nunes Marques pode representar para o segundo turno

A reunião conduzida por Kassio Nunes Marques evidencia a importância da atuação do TSE em uma eleição na qual a disputa política também se desenvolve por meio de ações judiciais e campanhas digitais. De um lado, os candidatos buscam contestar conteúdos e práticas que consideram prejudiciais. De outro, a Justiça Eleitoral precisa examinar as denúncias, proteger a regularidade da votação e garantir que as regras sejam aplicadas sem comprometer o debate democrático. A intensificação das acusações relacionadas à desinformação, ao uso irregular de inteligência artificial e à possível remuneração de perfis nas redes sociais torna esse trabalho ainda mais complexo.

O encontro, entretanto, não deve ser interpretado como uma decisão sobre o mérito das ações apresentadas por Lula ou Flávio. Seu objetivo, conforme os temas discutidos, foi abordar preocupações institucionais e orientar as campanhas sobre questões que podem afetar a integridade do processo eleitoral. Com o segundo turno em andamento, a tendência é que as estratégias digitais e os questionamentos judiciais continuem no centro da disputa. Nesse cenário, a divulgação de informações verificadas, a análise responsável das denúncias e o respeito às decisões da Justiça serão fundamentais para que os eleitores acompanhem os acontecimentos com clareza e possam avaliar as candidaturas com base em informações confiáveis.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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