André Janones usou as redes sociais para pedir mais apoio ao presidente Lula

O deputado federal André Janones (Rede-MG) convocou apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a publicarem fotos usando roupas verdes e amarelas e fazendo o gesto de “L” com a mão, em uma mobilização nas redes sociais durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A iniciativa, divulgada em 17 de outubro, foi apresentada pelo parlamentar como uma tentativa de recuperar as cores da bandeira brasileira para o campo político de Lula, diante da associação que esses símbolos ganharam com o bolsonarismo nos últimos anos. Com a frase “O verde e amarelo é nosso novamente”, Janones incentivou uma onda coordenada de publicações para ampliar a presença visual da campanha petista na internet.
A mobilização provocou discussões porque o verde e amarelo, tradicionalmente associados à bandeira nacional, passaram a ser utilizados com frequência em manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e, agora, também de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Parte dos eleitores ligados à direita considera essas cores uma marca de sua identidade política, especialmente por causa das manifestações em que camisetas da seleção brasileira e bandeiras nacionais foram utilizadas. Já apoiadores de Lula defendem que os símbolos pertencem a todos os brasileiros e não devem ser tratados como propriedade de um partido ou de um candidato.
A disputa tem um componente político e também visual, pois as cores nacionais ajudam campanhas a construir identidade e reconhecimento nas redes sociais. Ao incentivar seus seguidores a vestir verde e amarelo e fazer o “L”, Janones procura associar a bandeira brasileira à candidatura de Lula e reduzir a identificação exclusiva desses elementos com o bolsonarismo. A iniciativa, porém, também alimenta críticas de quem entende que o movimento tenta responder à estratégia simbólica adotada pela direita, em vez de deixar as cores nacionais fora da disputa partidária.
Janones organiza uma onda de publicações em apoio a Lula
A convocação foi direcionada aos integrantes do canal de WhatsApp Exército do Lula, coordenado por Janones e criado para distribuir conteúdos e orientações de mobilização digital durante a campanha eleitoral. Segundo informações divulgadas pelo Poder360, o deputado pediu que os participantes publicassem suas fotos simultaneamente, às 9h, para concentrar a repercussão em um mesmo período. A estratégia buscava produzir uma grande quantidade de postagens em pouco tempo, aumentando as chances de o movimento ganhar visibilidade nas plataformas digitais.
Janones descreveu a iniciativa como uma das missões mais difíceis do grupo, diante da necessidade de coordenar milhões de participantes. O canal havia crescido expressivamente durante o segundo turno e, segundo dados divulgados pela imprensa, chegou a reunir cerca de 4,7 milhões de seguidores. A campanha de mobilização digital utiliza vídeos, mensagens e orientações para estimular apoiadores a compartilhar conteúdos favoráveis ao presidente e ampliar o alcance de suas publicações.
O deputado também incentivou artistas, influenciadores e outros apoiadores conhecidos a participarem da ação, para que as imagens fossem compartilhadas por diferentes públicos. A proposta não se limitava a divulgar mensagens políticas tradicionais, mas buscava criar uma identidade visual comum entre os participantes por meio das roupas e do gesto com a letra “L”. A estratégia mostra como as campanhas eleitorais utilizam ações coordenadas nas redes sociais para disputar atenção, fortalecer símbolos e estimular a participação de eleitores.
Por que o verde e amarelo virou motivo de disputa política
A associação das cores verde e amarelo ao bolsonarismo ganhou força em manifestações realizadas durante o governo de Jair Bolsonaro e em atos convocados por seus apoiadores. Camisetas da seleção brasileira, bandeiras do país e outros elementos nacionais foram utilizados como marcas visuais desses movimentos, especialmente em eventos políticos e manifestações de rua. Com isso, parte do público passou a relacionar essas cores à direita, embora elas continuem representando oficialmente o Brasil e não pertençam a qualquer grupo político.
É nesse contexto que a frase de Janones, “O verde e amarelo é nosso”, ganhou repercussão e gerou interpretações diferentes. Para os apoiadores de Lula, a mobilização representa uma tentativa de reafirmar que os símbolos nacionais também podem ser usados por eleitores de esquerda e por pessoas que não se identificam com o bolsonarismo. Entre críticos da iniciativa, há quem considere que o movimento demonstra justamente o grau de polarização em torno de elementos que, em princípio, deveriam representar o conjunto da população brasileira.
A discussão também envolve a utilização da bandeira e das cores nacionais por candidatos de campos políticos opostos durante a campanha. Flávio Bolsonaro e seus apoiadores mantêm a associação visual com o verde e amarelo, enquanto a mobilização coordenada por Janones procura ampliar a presença desses mesmos elementos nas publicações favoráveis a Lula. Dessa forma, a disputa não se resume à escolha de roupas, mas envolve a tentativa de definir quais mensagens e identidades o eleitorado relaciona aos símbolos nacionais durante o processo eleitoral.
O significado da disputa para a campanha digital
A mobilização promovida por Janones integra uma estratégia mais ampla de comunicação política que procura organizar apoiadores para divulgar mensagens em momentos determinados. A repetição de cores, gestos e frases facilita a identificação das publicações e ajuda a criar a impressão de uma ação coletiva nas redes sociais. Entretanto, o alcance de uma campanha digital não significa necessariamente que todos os participantes compartilhem as mesmas motivações ou que a iniciativa altere diretamente a decisão dos eleitores.
A disputa pelo verde e amarelo também evidencia como símbolos nacionais podem ganhar significados políticos diferentes conforme o contexto em que são utilizados. Embora a bandeira brasileira e suas cores representem oficialmente o país, grupos partidários podem associá-las a determinadas ideias, lideranças ou movimentos, o que abre espaço para conflitos sobre sua interpretação pública. Nesse cenário, a iniciativa de Janones busca contestar a identificação predominante dessas cores com a direita e apresentá-las também como parte da comunicação visual da campanha de Lula.
A frase “O verde e amarelo é nosso” sintetiza, portanto, a tentativa do deputado de transformar uma discussão simbólica em mobilização eleitoral nas redes sociais. Enquanto apoiadores de Lula defendem que as cores nacionais devem ser compartilhadas por todos os campos políticos, parte dos eleitores de Flávio Bolsonaro continua associando esses elementos à identidade construída pelas manifestações bolsonaristas. A polêmica revela que, no segundo turno de 2026, a disputa entre os candidatos também acontece por meio de imagens, símbolos e narrativas sobre quem representa o Brasil.





