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À CNN, lobista disse que o presidente Lula estava ciente das reuniões entre o filho dele e alguns ministros

A empresária Roberta Luchsinger rebateu as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que, se ela pode ser considerada uma pilantra, outras pessoas que frequentavam sua casa também deveriam ser questionadas. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, concedida em 17 de outubro de 2026, a empresária investigada por suspeita de tráfico de influência contestou as declarações do presidente e apresentou sua versão sobre os relacionamentos que mantinha com pessoas ligadas ao governo federal. Além disso, afirmou que Lula tinha conhecimento das reuniões que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria realizado com ministros da administração federal.

A declaração foi feita depois de Lula se referir publicamente a Roberta como pilantra e compará-la ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master. Durante a entrevista, a empresária demonstrou indignação com as palavras utilizadas pelo presidente e afirmou que se sentiu injustiçada pela maneira como foi apresentada à opinião pública. Segundo ela, sua convivência com Lulinha e com integrantes do governo deveria ser considerada na avaliação das relações mencionadas nas investigações, em vez de se concentrar exclusivamente em sua conduta.

A entrevista ganhou repercussão porque as declarações envolvem o presidente da República, seu filho e pessoas investigadas em apurações sobre possíveis irregularidades. Roberta afirmou que Lulinha esteve inúmeras vezes com ministros e mencionou encontros relacionados a assuntos que, segundo seu relato, envolviam políticas públicas. Entretanto, as afirmações da empresária representam sua versão dos acontecimentos e precisam ser diferenciadas de fatos comprovados, especialmente porque os envolvidos apresentam posicionamentos distintos sobre as relações citadas.

Roberta Luchsinger rebate Lula e questiona acusações do presidente

Ao responder às críticas de Lula, Roberta afirmou: “Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são tão pilantras como eu”. A empresária utilizou a declaração para questionar o tratamento que recebeu publicamente e defender que outras pessoas de seu círculo de convivência também fossem questionadas sobre os fatos investigados. Na entrevista à CNN Brasil, ela sustentou que o presidente não deveria fazer acusações contra sua conduta sem que as relações envolvendo seu próprio filho também fossem examinadas.

Roberta também afirmou que apoiou Lula durante anos e que chegou a defendê-lo publicamente quando ele foi preso, em abril de 2018. Segundo a empresária, a mudança na relação com o presidente tornou ainda mais dolorosas as críticas recebidas, principalmente porque ela considera que sua participação em determinados acontecimentos está sendo apresentada de maneira injusta. Ela declarou ainda que não acredita mais na inocência do presidente, embora essa afirmação corresponda à sua avaliação pessoal e não constitua prova de qualquer irregularidade.

Outro ponto destacado por Roberta foi a afirmação de que Lula teria conhecimento das reuniões entre Lulinha e integrantes do governo. Ela disse ter presenciado encontros entre o filho do presidente e ministros, mencionando inclusive uma visita que, segundo seu relato, teria ocorrido na residência do então ministro Camilo Santana, no Ceará. Procurada pela CNN Brasil em reportagem relacionada ao assunto, a assessoria de Camilo Santana negou que ele tivesse se reunido com Lulinha para tratar de questões governamentais ou comerciais e afirmou que o ex-ministro não possui relação com a empresária.

Reuniões de Lulinha com ministros entram no centro das investigações

De acordo com Roberta, Lulinha esteve diversas vezes com ministros e teria participado de encontros nos quais eram discutidos diferentes assuntos. A empresária afirmou que também conversava com integrantes do governo sobre políticas públicas, especialmente questões relacionadas ao canabidiol, substância derivada da Cannabis sativa utilizada em determinados medicamentos. Entretanto, não apresentou publicamente detalhes completos sobre todas as reuniões mencionadas, indicando que pretende tratar de informações adicionais no âmbito judicial.

As declarações foram feitas em um contexto de investigações sobre possíveis relações de influência entre empresários, intermediários e integrantes da administração pública. A Polícia Federal apura suspeitas envolvendo Roberta, Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Fábio Luís Lula da Silva, procurando esclarecer a natureza dos vínculos entre eles e eventual ocorrência de tráfico de influência. A Operação Sem Desconto, por sua vez, investiga um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários, mas a existência dessas apurações não significa que todas as pessoas mencionadas tenham cometido crimes.

A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que os relacionamentos do empresário com políticos, inclusive pessoas que posteriormente assumiram cargos ministeriais, são de natureza pessoal. Os advogados também declararam que os dados bancários, fiscais e telemáticos do empresário foram disponibilizados às autoridades e que ele está disposto a colaborar com as investigações. Dessa maneira, as alegações de Roberta e as manifestações da defesa precisam ser confrontadas com documentos, depoimentos e outros elementos de prova antes de qualquer conclusão sobre responsabilidades individuais.

Lula contesta as acusações e Roberta promete apresentar sua versão à Justiça

Em resposta às declarações da empresária, a equipe de comunicação de Lula afirmou que o presidente desconhece os fatos relatados por ela, nunca manteve interlocução com Roberta e não recebeu demandas da empresária. A manifestação também ressaltou que não existe contrato do governo federal com ela e questionou o momento em que as acusações foram divulgadas, às vésperas do segundo turno presidencial de 25 de outubro de 2026. O presidente sustentou, portanto, que as declarações precisam ser avaliadas com cautela e que denúncias sem comprovação podem ser utilizadas para influenciar a opinião pública durante o período eleitoral.

Roberta, por sua vez, afirmou que pretende continuar se defendendo e que poderá apresentar informações adicionais às autoridades, inclusive por meio de uma eventual delação premiada. Para que essa possibilidade avance, será necessário cumprir os requisitos legais, formalizar eventual acordo e apresentar elementos que possam ser verificados pelos investigadores. Até que as apurações sejam concluídas, o confronto entre a empresária e Lula permanece marcado por acusações, negativas e versões divergentes, cujo esclarecimento dependerá das provas reunidas e das decisões das autoridades competentes.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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