Faltando poucas horas para o debate da Band, campanha de Lula organiza uma ofensiva

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma ofensiva em diferentes frentes contra a Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, antes do debate presidencial da Band. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, a equipe do candidato pretende apresentar novas denúncias à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal, além de levar relatórios a organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). As medidas têm como base acusações da campanha de que as plataformas estariam tratando de maneira diferente os conteúdos ligados a Lula e ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A iniciativa ocorre no mesmo dia em que Lula e Flávio participam do primeiro debate direto entre os dois candidatos durante o segundo turno das eleições de 2026. O encontro está marcado para as 20h deste domingo, 18 de outubro, e será transmitido pela Band e por veículos parceiros, uma semana antes da votação marcada para 25 de outubro. A campanha petista pretende apresentar as acusações sobre as redes sociais justamente em um momento de grande exposição dos dois candidatos.
A Meta, por sua vez, nega que esteja favorecendo qualquer candidato e afirma que os episódios apontados pela campanha de Lula foram provocados por falhas técnicas. Em comunicado divulgado em 16 de outubro, a empresa declarou que não interfere nas eleições brasileiras e afirmou que aplica as mesmas regras aos diferentes candidatos e posições políticas. A companhia também informou que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma defesa com dados técnicos contra as acusações feitas pela campanha.
Campanha aponta diferença no alcance das publicações
Um dos argumentos apresentados pela campanha de Lula envolve o desempenho dos conteúdos publicados no Instagram pelos dois candidatos. Segundo os dados citados pelo Metrópoles, vídeos de Lula teriam alcançado um público 27,9% menor do que os conteúdos de Flávio, apesar de o petista possuir, de acordo com o levantamento divulgado na reportagem, 17,7 milhões de seguidores contra 14,7 milhões do adversário. Para a campanha, a diferença seria um indício de tratamento desigual na distribuição dos conteúdos, embora a existência dessa diferença não prove, por si só, uma interferência deliberada da plataforma.
Outro episódio citado envolve o impulsionamento de publicações da campanha petista. Segundo informações atribuídas pela reportagem a mensagens internas obtidas pela imprensa, funcionários da Meta reconheceram que a campanha de Lula ficou durante 24 horas sem conseguir impulsionar determinados conteúdos em 9 de outubro. A empresa, entretanto, afirma que problemas técnicos afetaram seus sistemas e rejeita a interpretação de que tenha adotado uma ação direcionada contra o candidato.
A campanha também questiona a recomendação do perfil de Flávio Bolsonaro no Instagram às vésperas do primeiro turno. Segundo a acusação apresentada pelos petistas, o perfil do candidato teria sido recomendado pela plataforma aos usuários em um momento no qual a legislação eleitoral restringe esse tipo de promoção. O episódio passou a integrar o conjunto de situações que a campanha pretende apresentar às autoridades brasileiras e aos organismos internacionais.
Meta contesta acusações e atribui episódios a falhas técnicas
A Meta divulgou uma resposta pública às acusações e afirmou que não possui qualquer orientação política para distribuir ou restringir conteúdos. A empresa declarou que a conta de anúncios da campanha de Lula chegou a ser desativada por engano por pouco mais de uma hora, em razão de uma classificação equivocada relacionada a um anúncio, mas sustentou que o episódio foi técnico e afetou milhares de anunciantes. A companhia também afirmou que os anúncios que já estavam em veiculação, inclusive os da campanha petista, não foram prejudicados pelo problema.
Outro ponto mencionado pela empresa envolve a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial disponível nos serviços da companhia. A Meta reconheceu que, em 14 de outubro, houve uma falha que permitiu que determinadas solicitações relacionadas a Flávio fossem atendidas enquanto pedidos semelhantes envolvendo Lula eram bloqueados. Segundo a empresa, o problema ocorreu porque o sistema identificava nomes completos e termos específicos dos candidatos, mas nem sempre reconhecia combinações entre um primeiro nome comum e o número eleitoral.
A companhia também afirmou que a Meta AI havia sido configurada para não recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil durante o período eleitoral. A Meta citou uma pesquisa independente do InternetLab, divulgada em 1º de outubro, segundo a qual a ferramenta quase não ranqueou ou indicou candidaturas. A empresa classificou como infundadas as acusações de favorecimento político e disse que os episódios relatados pela campanha de Lula não demonstrariam manipulação deliberada da distribuição de conteúdo.
Ofensiva chega ao TSE e a organismos internacionais
No Brasil, a campanha de Lula já apresentou diferentes representações ao Tribunal Superior Eleitoral envolvendo plataformas digitais. De acordo com o Metrópoles, há ações relacionadas ao X, ao Google e duas contra a Meta, com questionamentos sobre distribuição de conteúdos, impulsionamento, inteligência artificial e contas consideradas inautênticas. A estratégia pretende levar ao tribunal a discussão sobre o que a campanha chama de falta de paridade entre os candidatos no ambiente digital.
A campanha também pretende acionar organismos internacionais, incluindo a OEA e a ONU, para apresentar relatórios sobre os episódios envolvendo as plataformas. O coordenador da campanha, Camilo Santana, afirmou anteriormente que a equipe pretende denunciar o que considera uma interferência externa nas eleições brasileiras e destacou o peso das redes sociais em uma disputa presidencial. A iniciativa internacional amplia a disputa para além das instituições eleitorais brasileiras e coloca as plataformas digitais no centro de uma discussão sobre regras e transparência no ambiente eleitoral.
A ofensiva ocorre em um momento de grande atenção sobre o comportamento das redes sociais durante a campanha, especialmente na véspera do primeiro debate entre Lula e Flávio. As acusações da campanha petista ainda são objeto de disputa entre as partes, já que Lula aponta possíveis vantagens para o adversário, enquanto a Meta sustenta que os episódios tiveram origem em falhas técnicas e não em decisões políticas. O debate da Band, marcado para esta noite, acontece nesse cenário e deverá colocar os dois candidatos frente a frente pela primeira vez durante a campanha de segundo turno, enquanto a votação ocorrerá em 25 de outubro.





