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Campanha de Flávio minimiza áudio e diz que Bolsa Família seguirá forte

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nota oficial nesta segunda-feira, 19 de outubro, reforçando que não pretende encerrar o programa Bolsa Família caso seja eleito presidente da República. A manifestação foi necessária após interpretações divergentes sobre declarações feitas pela coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, em entrevista recente. “Flávio Bolsonaro não irá acabar com o Bolsa Família. O PT está desesperado e espalha outra informação incorreta. O Bolsa Família seguirá forte e com mais garantias para quem precisa”, destacou a nota da equipe de comunicação do candidato.

O esclarecimento centraliza-se em uma proposta de regra de transição. Segundo Daniella Marques, a ideia é oferecer um período de segurança de dois anos para beneficiários que conseguirem um emprego com carteira assinada ou abrirem o próprio negócio. Caso a nova atividade não dê certo, o retorno ao benefício seria imediato. “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada e todo mundo merece sonhar com algo mais”, explicou a economista. A proposta prevê ainda parcerias com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste para oferecer crédito e capacitação profissional.

É importante compreender como funciona o Bolsa Família atualmente. Para ter acesso ao benefício, a renda mensal por pessoa da família deve ser de até R$ 218. Já existe uma regra de proteção vigente: quando a renda da família ultrapassa esse teto, o benefício não é cortado de imediato — a família pode continuar recebendo 50% do valor por até 18 meses. Em setembro de 2026, o governo federal reajustou o valor mínimo do programa em cerca de 15%, passando de R$ 600 para R$ 691, valor que começou a ser pago nesta segunda-feira. O programa estava sem correção desde 2023.

A coordenadora econômica também detalhou os pilares do plano de governo da candidatura. O primeiro pilar, segundo ela, é reorganizar as contas públicas para reduzir a taxa de juros e criar um ambiente favorável ao crescimento econômico. “Economia é uma ciência, não tem a ver com ideologia”, afirmou. O argumento apresentado é que o atual nível de endividamento público mantém os juros em patamar elevado, o que prejudica empresas e famílias. Mais de 9 milhões de CNPJs estão inadimplentes e mais de 80 milhões de brasileiros têm restrições de crédito, conforme dados citados pela campanha.

O segundo pilar envolve a redução de impostos e a simplificação da burocracia para estimular a atividade econômica. “O Brasil é um inferno para quem quer abrir um negócio”, observou Daniella Marques, ao listar entraves como licenciamentos, exigências excessivas e dificuldade de acesso a crédito. Ela esclareceu que o chamado “tesouraço” se refere justamente a cortar burocracia e reduzir carga tributária, e não a cortes em programas sociais. “Não vamos cortar programas sociais. Nós iremos cortar os privilégios em Brasília: férias de 60 dias, supersalários, viagens e outros desperdícios”, pontuou.

A proposta também inclui a criação de um Ministério da Prosperidade, voltado especificamente para apoiar a evolução de renda da população, desde beneficiários do Bolsa Família até microempresários. Seria oferecido um pacote com capacitação profissional, acesso facilitado a crédito e parcerias com empresas privadas para qualificação. Além disso, um plano emergencial prevê carência de seis meses para famílias renegociarem dívidas e doze meses para micro e pequenas empresas, buscando dar fôlego financeiro à população.

Como em qualquer proposta de governo, recomenda-se que o eleitor compare as diferentes versões com atenção. O debate sobre a regra de transição não significa o fim do programa, mas sim uma discussão sobre como ele pode apoiar quem consegue melhorar de renda sem abandonar quem ainda precisa de proteção social. Informe-se por meio de fontes confiáveis, leia as propostas na íntegra e forme sua opinião com tranquilidade antes de votar no próximo dia 26.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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