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A revista New yorker publicou uma reportagem dizendo que Lula tem grande chance de ser derrotado por Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta uma disputa eleitoral que pode definir o futuro de sua trajetória política e aproximar o Brasil da onda conservadora que avançou sobre diversos países da América Latina. Uma análise publicada nesta quarta-feira (21) pela revista americana The New Yorker avalia que o senador Flávio Bolsonaro (PL), representante da direita radical, chega ao segundo turno em uma posição favorável. O artigo, assinado pelo jornalista Ishaan Tharoor, relaciona o cenário brasileiro às mudanças políticas registradas na região e à influência ideológica do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A avaliação apresentada pela publicação considera o resultado do primeiro turno um sinal importante para a disputa presidencial, já que Flávio terminou a votação à frente de Lula. O texto também destaca um dado histórico das eleições brasileiras, segundo o qual todos os candidatos que venceram o primeiro turno desde 1989 conseguiram conquistar a Presidência na etapa seguinte. Diante desse quadro, o presidente aposta na mobilização de eleitores que não compareceram às urnas anteriormente, embora enfrente dificuldades para ampliar sua base de apoio.

A análise também chama a atenção para a força da direita no Congresso Nacional e nos governos estaduais, fator que pode limitar a atuação de Lula mesmo em caso de reeleição. Segundo o colunista, uma vitória apertada deixaria o presidente diante de um cenário político complexo, com obstáculos para aprovar medidas e implementar iniciativas de governo. A publicação apresenta, assim, a disputa não apenas como uma escolha entre dois candidatos, mas como um possível ponto de inflexão na orientação política do Brasil.

Revista aponta dificuldades para Lula e avanço conservador

O artigo publicado pela The New Yorker recebeu o título de A última dança de Lula, em referência à música Under Pressure, de David Bowie e Queen, utilizada em vídeos de apoiadores do presidente brasileiro. A expressão sugere que a eleição pode representar um momento decisivo para a carreira política do petista, que voltou ao Palácio do Planalto em 2023 após derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022. Para Tharoor, o resultado da atual disputa poderá aproximar o Brasil de uma sequência de vitórias da direita observada em países latino-americanos nos últimos anos.

A publicação relaciona esse movimento regional à visão política defendida pelo governo de Donald Trump para o continente americano. Na avaliação do jornalista, uma eventual vitória de Flávio colocaria o Brasil entre os países que se afastaram de governos de esquerda e passaram a apoiar representantes conservadores. Essa mudança teria relevância internacional porque o Brasil possui peso econômico, político e diplomático na América Latina, além de desempenhar papel importante em negociações ambientais e fóruns multilaterais.

O texto também aponta dificuldades enfrentadas por Lula para transformar sua trajetória política e os resultados de seus governos em apoio eleitoral suficiente. Embora tenha retornado à Presidência em 2023, o petista não conseguiu convencer todos os brasileiros preocupados com o custo de vida, a segurança pública, a atuação da Justiça e as perspectivas econômicas do país. Esses fatores aparecem na análise como elementos que ajudam a explicar a competitividade de Flávio e a possibilidade de uma mudança de orientação política no governo federal.

Legado dos governos petistas contrasta com ascensão dos Bolsonaro

Ao examinar os primeiros mandatos de Lula, o colunista destaca medidas relacionadas à redução do desmatamento na Amazônia, à atuação brasileira nas discussões climáticas e à política externa voltada ao chamado Sul Global. A análise também menciona os programas sociais e os investimentos públicos que contribuíram para retirar milhões de pessoas da pobreza durante um período de valorização internacional das commodities. Esses resultados fazem parte do legado que o presidente procura preservar, mas, segundo a publicação, não garantem que os eleitores mantenham o mesmo nível de apoio político.

A avaliação também apresenta críticas à gestão de Jair Bolsonaro, que governou o Brasil entre 2019 e 2022. O texto afirma que o ex-presidente enfraqueceu proteções ambientais, reduziu recursos destinados a universidades e programas de habitação e conduziu de maneira desastrosa a resposta à pandemia de Covid-19. A publicação ainda recorda que Bolsonaro não reconheceu politicamente a derrota eleitoral de 2022 e aborda os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

A análise menciona ainda a condenação de Jair Bolsonaro por envolvimento em uma trama golpista, com pena de 27 anos de prisão, conforme descrito no texto fornecido pela revista. Flávio é apresentado como alguém que adota uma postura aparentemente mais moderada que a do pai, embora tenha manifestado intenção de buscar sua libertação e de punir ministros do Supremo Tribunal Federal envolvidos no julgamento. Na avaliação do colunista, a relação entre o senador, o ex-presidente e o Judiciário constitui um dos pontos que podem influenciar o debate sobre o futuro político brasileiro.

Comparação com os Estados Unidos amplia o alcance da análise

Ishaan Tharoor também estabelece paralelos entre os acontecimentos políticos no Brasil e nos Estados Unidos, especialmente entre a invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília, em janeiro de 2023, e o ataque ao Capitólio americano, em janeiro de 2021. O jornalista argumenta que os dois países passaram por processos nos quais lideranças conservadoras mobilizaram eleitores insatisfeitos com as instituições e com a política tradicional. A comparação inclui o uso de discursos nacionalistas e a aproximação desses movimentos com parcelas expressivas do eleitorado evangélico.

O colunista compara ainda Lula ao ex-presidente americano Joe Biden, que desistiu da candidatura à reeleição em 2024 e abriu caminho para Kamala Harris, derrotada por Donald Trump. A análise ressalva que Lula não enfrenta as mesmas acusações sobre sua capacidade física e mental que marcaram parte do debate público sobre Biden, citando inclusive vídeos do brasileiro praticando exercícios. Apesar dessa diferença, o texto identifica uma dificuldade comum aos dois líderes: a incapacidade de neutralizar completamente movimentos políticos que continuaram fortes mesmo após derrotas eleitorais anteriores.

Na conclusão da análise, a publicação sustenta que Lula e Biden representaram tentativas de impedir o retorno de adversários associados a movimentos de direita, mas não conseguiram enfraquecer essas correntes de maneira definitiva. O cenário brasileiro, portanto, é apresentado como parte de uma disputa política mais ampla, na qual a insatisfação de setores do eleitorado e a força dos movimentos conservadores podem determinar os próximos governos. O segundo turno presidencial brasileiro está previsto para 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão os votos que definirão quem ocupará a Presidência da República.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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