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Lula e Flávio Bolsonaro estão recebendo apoio dos eleitores através de canais no WhatsApp

s canais de mobilização política no WhatsApp ganharam espaço na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da eleição presidencial de 2026. Na manhã desta quinta-feira, 22 de outubro, o Exército do Lula ultrapassou 8 milhões de seguidores, enquanto a Tropa do Flávio registrava mais de 2 milhões de inscritos, segundo levantamento publicado pelo UOL. Os dois grupos são utilizados para divulgar conteúdos eleitorais, convocar apoiadores para ações coordenadas nas redes sociais e ampliar a circulação de mensagens favoráveis aos respectivos candidatos.

Às 11h, o canal ligado à campanha petista contabilizava exatamente 8.002.710 seguidores, enquanto o espaço de apoio a Flávio Bolsonaro reunia 2.094.574 inscritos. Os números mostram uma diferença superior a 5,9 milhões de seguidores entre as duas iniciativas digitais, embora não indiquem quantos participantes acompanham efetivamente as publicações ou pretendem votar em cada candidato. A contagem também não deve ser confundida com uma pesquisa eleitoral, já que a inscrição em um canal não comprova preferência definitiva nas urnas.

O crescimento dos grupos ocorre a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio. As duas campanhas têm utilizado o WhatsApp como ferramenta para distribuir informações, organizar manifestações digitais e estimular a participação dos apoiadores em temas que dominam o debate político. Nesse cenário, o tamanho dos canais passou a integrar a disputa pela atenção do público durante os últimos dias de campanha.

Como funciona o Exército do Lula

O Exército do Lula é coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones, da Rede de Minas Gerais, que criou o canal em abril de 2026 com outra finalidade antes de direcioná-lo à mobilização eleitoral. Segundo o UOL, Janones intensificou sua atuação na campanha a partir de 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, sem esperar uma orientação prévia da equipe oficial de Lula. O parlamentar passou a convocar os integrantes para missões destinadas a ampliar a repercussão de conteúdos ligados ao presidente nas plataformas digitais.

Entre as ações promovidas pelo canal esteve uma convocação para a realização de um panelaço durante o debate presidencial da Band, exibido no domingo, 18 de outubro. Janones também orientou os seguidores a realizar buscas na internet relacionadas a assuntos sensíveis para o adversário, incluindo o caso Ana Clara, em uma estratégia de mobilização que levou a campanha de Flávio a questionar a atuação do grupo. Essas iniciativas mostram que o canal não funciona apenas como espaço de divulgação de notícias, mas também como instrumento para coordenar ações coletivas na internet.

O crescimento do grupo ocorreu rapidamente durante a reta final da eleição, superando 5 milhões de seguidores no fim de semana anterior à publicação do levantamento. Em 13 de outubro, a campanha oficial de Lula registrou o canal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após determinação judicial, formalizando sua vinculação com a disputa eleitoral. A marca de mais de 8 milhões de inscritos alcançada nesta quinta-feira consolidou o tamanho da estrutura digital coordenada por Janones na campanha petista.

Tropa do Flávio reúne mais de 2 milhões de inscritos

A Tropa do Flávio foi criada em 6 de outubro para reunir apoiadores do senador Flávio Bolsonaro e divulgar conteúdos relacionados à campanha do candidato do PL. Na descrição do canal, a iniciativa convoca os participantes a se mobilizarem contra o que classifica como notícias falsas da esquerda, enquanto as publicações apresentam informações eleitorais e críticas a Lula e ao PT. Na medição realizada às 11h desta quinta-feira, o grupo contabilizava 2.094.574 inscritos, número inferior ao registrado pelo canal ligado ao presidente.

Entre os administradores da Tropa do Flávio está o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, que participa da divulgação de mensagens e convocações aos apoiadores. Assim como acontece no canal de Janones, as publicações não se limitam à apresentação da agenda de campanha, pois também incentivam os integrantes a agir de maneira coordenada em favor do candidato. A Tropa do Flávio também foi registrada como canal oficial de campanha na Justiça Eleitoral, colocando a iniciativa dentro das estruturas digitais formalmente vinculadas à disputa.

A mobilização entre os dois grupos ficou evidente na disputa por hashtags e pela repercussão de mensagens no X, antigo Twitter, durante os dias que antecederam o segundo turno. Em uma das ações, a Tropa do Flávio promoveu a expressão “NÃO CALEM OS NORDESTINOS”, enquanto o canal ligado a Lula convocou seus integrantes a divulgar outras hashtags relacionadas ao presidente e a regiões visitadas pela campanha. Embora os grupos reivindiquem resultados dessas mobilizações, a variação dos assuntos mais comentados não permite atribuir automaticamente a uma única iniciativa todas as mudanças nos rankings das plataformas.

Disputa digital ganha importância antes da votação

A diferença no número de inscritos colocou os canais de WhatsApp em evidência no debate sobre o alcance das campanhas políticas nas redes sociais. O Exército do Lula ultrapassou 8 milhões de seguidores, enquanto a Tropa do Flávio superou a marca de 2 milhões, mas esses totais não permitem medir diretamente o alcance real de cada publicação nem o impacto das ações sobre o comportamento dos eleitores. Para avaliar a influência eleitoral dos grupos, seria necessário considerar outros indicadores, como visualizações, participação efetiva dos integrantes e possíveis efeitos sobre a circulação de informações.

A atuação dos canais também passou a ser discutida no âmbito da Justiça Eleitoral, diante de questionamentos sobre mobilizações coordenadas e a disseminação de mensagens relacionadas aos candidatos. A poucos dias da votação, as duas estruturas continuam sendo utilizadas para divulgar conteúdos de campanha e organizar apoiadores, enquanto o TSE acompanha questões relacionadas à atuação de canais políticos de grande alcance. Na medição divulgada pelo UOL às 11h de 22 de outubro, o Exército do Lula tinha 8.002.710 seguidores e a Tropa do Flávio somava 2.094.574 inscritos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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