Durante o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, a Globo divulgará as checagens das declarações dadas por ambos

O serviço de checagem Fato ou Fake, do Grupo Globo, preparou uma cobertura especial para verificar as declarações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial realizado pela emissora nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026. Uma equipe com mais de 30 jornalistas foi mobilizada para analisar as afirmações dos dois candidatos e publicar os resultados das verificações nas plataformas digitais dos veículos participantes. O trabalho começou durante o confronto e continuou pela madrugada, com o objetivo de concluir a apuração das declarações selecionadas.
As primeiras verificações foram disponibilizadas no g1 e nos sites dos jornais O Globo, Valor Econômico e Extra, além da página da rádio CBN. A GloboNews também preparou um programa especial para apresentar as checagens produzidas pela equipe após o encerramento do debate. A iniciativa permitiu que o público acompanhasse a análise das declarações enquanto o confronto era transmitido pela televisão, embora as correções não fossem exibidas diretamente na transmissão ao vivo da TV aberta.
O procedimento foi organizado para selecionar afirmações que pudessem ser verificadas por meio de dados, documentos, registros públicos e informações de especialistas. Opiniões pessoais, ofensas e projeções sobre acontecimentos futuros ficaram fora do escopo da checagem, conforme os critérios apresentados pelo serviço. A equipe utilizou tecnologia para transcrever as falas dos presidenciáveis em tempo real, sob supervisão jornalística, permitindo que os profissionais trabalhassem com o conteúdo exato das declarações.
Mais de 30 jornalistas participam da checagem
A operação reuniu profissionais de sete redações do Grupo Globo: TV Globo, g1, GloboNews, O Globo, Valor Econômico, Extra e CBN. Repórteres e editores acompanharam o debate ao vivo para identificar afirmações que pudessem ser confrontadas com informações objetivas. Depois da seleção, as declarações foram distribuídas entre os jornalistas responsáveis pela investigação de cada caso.
A transcrição das falas foi produzida com apoio de ferramentas tecnológicas, mas permaneceu sob supervisão dos profissionais envolvidos na cobertura. O procedimento foi planejado para reduzir o risco de que uma frase fosse analisada fora do contexto ou atribuída incorretamente a um dos candidatos. Com o registro das declarações, os repórteres puderam pesquisar dados oficiais, consultar documentos e buscar esclarecimentos para fundamentar cada verificação.
Nem todas as análises puderam ser concluídas imediatamente após uma declaração. Algumas afirmações exigiram consultas a especialistas, entrevistas com autoridades ou uma investigação mais detalhada antes da publicação do resultado. Por isso, o trabalho continuou durante a madrugada, e as páginas poderiam receber atualizações conforme novas informações fossem confirmadas.
Entenda os selos usados pelo Fato ou Fake
O serviço utiliza três classificações principais para apresentar os resultados das verificações: #FATO, #NÃOÉBEMASSIM e #FAKE. O selo #FATO é aplicado quando a declaração é confirmada por informações verificáveis, como dados oficiais, registros e fontes confiáveis. Já a classificação #FAKE identifica afirmações que não encontram sustentação nos fatos apurados.
O selo #NÃOÉBEMASSIM é utilizado quando uma declaração apresenta informações parcialmente verdadeiras, incompletas, exageradas ou que precisam de contexto adicional para serem compreendidas corretamente. Essa categoria permite diferenciar uma afirmação inteiramente falsa de outra que utiliza dados reais de maneira imprecisa ou sem informações importantes. Cada checagem apresenta os elementos utilizados na apuração para que o leitor possa compreender como a equipe chegou à classificação.
A publicação das verificações também inclui a indicação das fontes consultadas e a explicação dos procedimentos adotados na análise. Dessa forma, o público pode conferir os dados apresentados e avaliar a relação entre a declaração original e as informações utilizadas para verificá-la. O método busca oferecer transparência sobre o trabalho jornalístico e facilitar a compreensão de assuntos que podem envolver números, estatísticas ou informações de difícil interpretação.
Serviço já verifica declarações em eleições desde 2018
Criado em 2018, o Fato ou Fake acompanha declarações de candidatos em debates e entrevistas eleitorais, além de realizar verificações diárias de informações que circulam publicamente. O serviço esteve presente em diferentes ciclos eleitorais e ampliou sua atuação conforme os formatos de comunicação política se transformaram. Nas eleições municipais de 2024, as verificações passaram a ser publicadas durante os debates, formato retomado na cobertura de 2026.
Durante a campanha presidencial deste ano, a equipe também analisou declarações feitas em entrevistas, sabatinas e outros encontros com candidatos. O trabalho incluiu entrevistas dos presidenciáveis ao g1 e à GloboNews, além de sabatinas organizadas por O Globo, Valor Econômico e CBN. Em setembro, o serviço também acompanhou debates envolvendo candidatos aos governos estaduais, ao Distrito Federal e ao Senado.
A cobertura do confronto entre Lula e Flávio deu continuidade a esse trabalho, com a seleção de declarações verificáveis e a publicação progressiva dos resultados nos canais digitais. A equipe permaneceu mobilizada até a conclusão das apurações, inclusive durante a madrugada posterior ao programa. As checagens ficaram disponíveis no g1 e nos veículos parceiros, enquanto a GloboNews apresentou um programa especial com os resultados produzidos pelos jornalistas.





