A Meta informou ao Tribunal Superior Eleitoral se o canal criado por Janones vai contra a política da empresa

A Meta informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, que não identificou violações às políticas da empresa no canal Exército do Lula, utilizado no WhatsApp para divulgar conteúdos de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação foi apresentada após o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinar uma análise técnica sobre o funcionamento do canal, a pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). O esclarecimento ocorreu a dois dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro, em meio à disputa sobre a mobilização de apoiadores nas redes sociais.
De acordo com o relatório apresentado pela empresa, a análise do canal considerou as diretrizes aplicáveis a esse tipo de ferramenta e os procedimentos utilizados para identificar conteúdos que violem as regras da plataforma. A Meta afirmou que não encontrou irregularidades no funcionamento do espaço administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A empresa também explicou os critérios técnicos utilizados na avaliação e abordou questões relacionadas à preservação de dados e à ausência de serviços pagos nessa modalidade do WhatsApp.
A campanha de Flávio Bolsonaro havia questionado a atuação do canal e alegado que poderia existir uma coordenação irregular de atividades digitais, com possível ampliação artificial do alcance de conteúdos políticos. O pedido levou o TSE a solicitar informações sobre o funcionamento das plataformas, os padrões de engajamento e a eventual utilização de mecanismos para influenciar a circulação de publicações. A conclusão apresentada pela Meta, porém, foi de que a análise realizada não identificou violações de suas políticas no canal investigado.
Meta diferencia mobilização política de comportamento irregular
Na manifestação encaminhada ao TSE, a empresa explicou que a mobilização de apoiadores por meio de canais e perfis autênticos não constitui automaticamente uma infração às suas regras. A companhia diferencia a participação coordenada de pessoas reais em atividades políticas de práticas que envolvam contas falsas, tentativas de enganar usuários ou outras formas de comportamento inautêntico. Segundo o entendimento apresentado pela Meta, a existência de orientações para que apoiadores compartilhem conteúdos não basta, isoladamente, para demonstrar uma violação das políticas internas.
A empresa também abordou os questionamentos sobre possíveis ações coordenadas no Instagram e em outras plataformas de sua responsabilidade. A avaliação técnica não identificou indícios de comportamento inautêntico coordenado nas atividades examinadas, conforme os esclarecimentos apresentados ao tribunal. A Meta informou ainda que o relatório descreve os procedimentos empregados para detectar conteúdos que descumpram as regras e os critérios considerados durante a análise.
Apesar da conclusão inicial favorável ao funcionamento do canal, a avaliação dos documentos apresentados no processo ainda precisava ser complementada. A Meta informou que recebeu parte do material encaminhado pela campanha de Flávio Bolsonaro em um dispositivo de armazenamento USB e teve acesso a esses arquivos somente na sexta-feira. Por esse motivo, solicitou mais cinco dias para examinar as provas restantes e apresentar informações adicionais ao TSE, indicando que a análise do conjunto documental não estava concluída.
Pedido de Flávio Bolsonaro levou à análise do TSE
A solicitação de informações foi determinada por Kassio Nunes Marques na quinta-feira, 22 de outubro, após a campanha de Flávio Bolsonaro questionar a atuação do Exército do Lula. O pedido sustentava que seria necessário verificar se as atividades realizadas a partir do canal respeitavam os compromissos de integridade eleitoral assumidos pelas plataformas digitais. Entre os pontos levantados estavam a possibilidade de amplificação artificial de publicações, a existência de contas inautênticas e a coordenação de ações em diferentes serviços digitais.
A determinação também envolveu solicitações de informações ao Google e à plataforma X sobre possíveis ações coordenadas relacionadas à divulgação de hashtags. As empresas deveriam esclarecer se haviam identificado atividades capazes de indicar manipulação de mecanismos de busca ou outras práticas que pudessem interferir na circulação de conteúdos políticos. Em respostas divulgadas na sexta-feira, Meta, Google e X afirmaram não ter encontrado indícios de irregularidades na atuação do canal, segundo informações publicadas pela imprensa.
O episódio ocorreu após decisões judiciais anteriores relacionadas à suspensão, à liberação e ao registro formal do Exército do Lula perante a Justiça Eleitoral. Em 11 de outubro, Kassio Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal, argumentando que conteúdos já considerados inverídicos pela Justiça Eleitoral teriam sido replicados no espaço digital. Posteriormente, a suspensão foi derrubada pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e o canal voltou a funcionar após os desdobramentos judiciais e o registro perante o tribunal.
Canal reúne milhões de apoiadores durante a campanha
O Exército do Lula é administrado por André Janones e utilizado para divulgar mensagens políticas, compartilhar publicações e convocar apoiadores a participar de mobilizações nas redes sociais. Durante o segundo turno de 2026, o canal reuniu milhões de inscritos e se tornou um dos instrumentos de comunicação digital associados à campanha do presidente. Entre as iniciativas divulgadas estão pedidos para compartilhar conteúdos, realizar buscas na internet e ampliar a circulação de mensagens favoráveis ao candidato do PT.
A discussão sobre o canal também levantou questões a respeito dos limites entre mobilização política legítima e práticas que possam violar as regras eleitorais ou os termos de uso das plataformas. A conclusão inicial da Meta foi de que não houve infração às políticas da empresa, mas o pedido de prazo adicional demonstrou que ainda existiam documentos a serem examinados. O esclarecimento técnico não substitui a análise da Justiça Eleitoral sobre eventuais infrações à legislação, cuja avaliação depende dos fatos apresentados nos procedimentos correspondentes.
A manifestação da empresa foi apresentada na sexta-feira, 23 de outubro, enquanto as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificavam suas atividades digitais antes da votação decisiva. A disputa sobre o Exército do Lula envolveu questionamentos sobre a coordenação de apoiadores, a distribuição de conteúdos e o cumprimento das regras eleitorais pelas plataformas. Em seu relatório técnico, a Meta concluiu que o canal não violava suas políticas, ao mesmo tempo que pediu mais cinco dias para complementar a análise dos documentos recebidos.





