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Empresas brasileiras que estão na Bolsa de Valores dos EUA estão vendo suas ações despencarem

Os recibos de ações de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos registraram quedas expressivas na manhã desta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Entre os destaques negativos estavam o Bradesco, com recuo de 28,75%, e o Itaú Unibanco, que perdia 27,1% durante a pré-abertura de Wall Street. A Petrobras também apresentava forte desvalorização, de 23,17%, em um movimento que refletia a revisão das expectativas dos investidores após o resultado eleitoral.

Os dados divulgados pelo UOL mostravam que o fundo de índice EWZ, utilizado como referência para acompanhar ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, recuava 26,16% por volta das 7h22. A Braskem registrava queda de 31,76%, enquanto o Nubank perdia 21,57% e o Santander Brasil recuava 13,33%. As oscilações ocorreram antes da abertura regular do mercado americano e indicavam uma forte reavaliação das posições financeiras relacionadas ao Brasil.

A reação ocorreu após semanas em que parte dos investidores havia incorporado aos preços a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro e de mudanças na política econômica. Depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o Ibovespa acumulou valorização e ultrapassou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos, enquanto o real ganhou força diante do dólar. Com a vitória de Lula confirmada no domingo, 25 de outubro, investidores passaram a rever suas posições diante das incertezas sobre a política fiscal e as perspectivas econômicas do próximo mandato.

Bancos brasileiros lideram perdas na pré-abertura de Wall Street

O Bradesco apresentou uma das maiores quedas entre as instituições financeiras brasileiras acompanhadas pelo mercado internacional, com seus recibos de ações negociados a US$ 2,90 durante a pré-abertura. O Itaú Unibanco também sofreu uma desvalorização expressiva, com os papéis recuando para US$ 7,05. Os números mostravam a dimensão do ajuste registrado após a confirmação do resultado eleitoral, especialmente entre empresas que haviam se beneficiado da valorização dos ativos brasileiros nas semanas anteriores.

O setor financeiro costuma ser sensível às expectativas sobre juros, atividade econômica e condições de crédito, fatores que influenciam os resultados das instituições bancárias. Caso os investidores passem a esperar juros elevados por mais tempo ou um ambiente econômico mais incerto, as avaliações das empresas podem sofrer alterações. Entretanto, as quedas registradas durante uma sessão não determinam, isoladamente, os resultados futuros dos bancos, que também dependem de suas operações, da inadimplência e do desempenho da economia.

O Nubank também registrou perdas superiores a 20% naquele momento, acompanhando o movimento negativo que atingiu diferentes empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos. A desvalorização não ficou restrita aos bancos tradicionais, alcançando companhias de tecnologia financeira e outros segmentos do mercado. A amplitude das quedas indicava que a reação dos investidores estava relacionada tanto às expectativas macroeconômicas quanto à revisão das posições construídas antes do segundo turno.

Petrobras e Braskem também registram desvalorização

Os recibos de ações da Petrobras recuavam 23,17%, sendo negociados a US$ 20,10 na pré-abertura americana. A companhia tem peso relevante no mercado brasileiro e é acompanhada por investidores internacionais devido à sua atuação no setor de petróleo e gás. O desempenho de suas ações pode ser influenciado por fatores como os preços internacionais do petróleo, a política de investimentos, as decisões sobre combustíveis e as expectativas relacionadas à atuação do governo federal.

A Braskem registrava uma queda ainda maior, de 31,76%, figurando entre os papéis com perdas mais acentuadas naquele levantamento. A empresa petroquímica está exposta às condições do setor industrial, aos preços de matérias-primas e à demanda por produtos químicos, além de fatores específicos de sua situação financeira e operacional. A desvalorização observada no pré-mercado, portanto, não deve ser atribuída exclusivamente ao resultado eleitoral sem considerar as demais variáveis que afetam a companhia.

O comportamento dos papéis brasileiros no exterior também precisava ser interpretado considerando o horário das negociações. Os recibos de ações negociados nos Estados Unidos, conhecidos como ADRs, permitem que investidores operem títulos vinculados a empresas estrangeiras, mas seus preços não correspondem necessariamente à variação registrada pelas ações na Bolsa brasileira. A abertura da B3 poderia apresentar movimentos semelhantes, embora a intensidade das oscilações dependesse da liquidez, das ordens de negociação e das condições do mercado doméstico.

Resultado eleitoral provoca revisão das expectativas econômicas

A vitória de Lula contrariou as expectativas de parte dos investidores que consideravam provável a eleição de Flávio Bolsonaro. Após o primeiro turno, a possibilidade de mudança na condução da política econômica contribuiu para a valorização de ativos brasileiros, em meio à expectativa de medidas voltadas ao controle das despesas públicas. A confirmação do resultado no segundo turno levou esses participantes a recalcular posições e avaliar os possíveis efeitos da continuidade do atual governo sobre o mercado financeiro.

Uma das principais preocupações envolve a trajetória das contas públicas e a capacidade de o governo controlar o crescimento das despesas e da dívida federal. Se os investidores considerarem que o risco fiscal aumentou, poderão exigir remunerações maiores para financiar o governo, pressionando os juros futuros e afetando os preços dos títulos públicos. Taxas elevadas também podem encarecer o crédito para empresas e consumidores, com possíveis consequências para os investimentos e o consumo.

A política econômica que será adotada no novo mandato deverá influenciar a avaliação dos investidores nas próximas semanas. A composição da equipe econômica, as decisões sobre o orçamento e as sinalizações relativas às regras fiscais estarão entre os fatores acompanhados pelo mercado. Até que essas informações estejam mais claras, os preços dos ativos poderão continuar sujeitos a oscilações, sem que as perdas registradas na pré-abertura permitam antecipar, por si só, o desempenho das empresas no médio e longo prazo.

Mercado acompanha abertura da Bolsa brasileira

Além das perdas registradas em Nova York, o fundo EWZ recuava 26,16% durante a pré-abertura, sinalizando uma forte pressão sobre os ativos brasileiros negociados no exterior. Como o fundo reúne ações de diferentes companhias do país, seu desempenho é utilizado por investidores como uma referência para acompanhar a percepção internacional sobre o mercado brasileiro. A queda, porém, não significava que o Ibovespa necessariamente apresentaria uma desvalorização idêntica quando as negociações regulares começassem na B3.

A possibilidade de uma sessão de elevada volatilidade também colocou no radar o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa atinge determinados limites de queda. O recurso existe para permitir uma pausa em momentos de oscilação extrema e dar aos participantes tempo para avaliar as informações disponíveis. A expectativa de utilização do mecanismo não representava confirmação de que a interrupção ocorreria, pois isso dependeria do comportamento efetivo do índice durante o pregão.

O desempenho do Bradesco, do Itaú e da Petrobras tornou-se um dos principais indicadores da reação inicial dos investidores à reeleição de Lula. As quedas refletiam a revisão de expectativas construídas antes do segundo turno, mas a trajetória futura dos papéis dependerá de fatores políticos, fiscais, econômicos e específicos de cada empresa. A definição das medidas do novo governo e a resposta do mercado às primeiras decisões econômicas serão importantes para compreender se o movimento observado nesta segunda-feira terá continuidade ou será parcialmente revertido.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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