Vários candidatos não conseguiram ser reeleitos para presidente, mas Lula vai para um novo mandato

Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu superar nas urnas uma sequência recente de derrotas que atingiu presidentes em busca da permanência no poder. Com a vitória sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2026, Lula garantiu um novo mandato e interrompeu uma série que havia começado nos Estados Unidos e também alcançado o Brasil. A chamada “maldição” envolvia presidentes que chegaram à disputa tentando renovar o mandato, mas acabaram derrotados ou, no caso de Joe Biden, tiveram sua tentativa de continuidade interrompida antes da eleição.
Donald Trump foi o primeiro dos três casos recentes associados a esse fenômeno. Presidente dos Estados Unidos, ele tentou a reeleição em 2020, mas perdeu para Joe Biden em uma disputa marcada por forte polarização e por uma contestação intensa ao seu governo. Quatro anos depois, a própria Biden enfrentaria dificuldades para permanecer no cargo, enquanto Trump voltaria à Presidência após vencer a eleição de 2024.
No Brasil, Jair Bolsonaro também entrou nessa sequência ao disputar a reeleição em 2022. O então presidente terminou o primeiro turno à frente de Lula, mas foi derrotado no segundo turno e deixou o Palácio do Planalto. Em 2026, Lula viveu uma situação inicialmente semelhante ao terminar a primeira etapa atrás de Flávio Bolsonaro, mas conseguiu reverter a desvantagem e vencer a disputa, evitando repetir o destino de outros presidentes recentes.
A sequência de presidentes que não conseguiram permanecer no poder
A dificuldade de um presidente em exercício conquistar um novo mandato está relacionada ao próprio peso de governar. Ao longo de quatro anos, o ocupante do cargo passa a ser responsabilizado diretamente por problemas econômicos, sociais e políticos, além de ficar mais exposto às cobranças da população. A eleição também transforma resultados concretos do governo em uma espécie de avaliação sobre o período em que o presidente esteve no comando do país.
Trump enfrentou esse processo em 2020 depois de quatro anos de governo nos Estados Unidos. Mesmo tendo uma base eleitoral consolidada, não conseguiu conquistar votos suficientes para derrotar Biden. A derrota demonstrou que a força política de um presidente em exercício pode não ser suficiente quando o eleitorado decide transformar a eleição em uma escolha pela mudança.
No Brasil, Bolsonaro passou por situação semelhante dois anos depois. Embora tenha chegado ao segundo turno em primeiro lugar, não conseguiu manter a vantagem diante de Lula, que terminou a eleição de 2022 com a vitória. A sequência alimentou a percepção de que a reeleição de presidentes havia se tornado mais difícil em um cenário de elevada polarização e de forte cobrança sobre os governos.
Lula rompe a sequência justamente depois de terminar atrás
A vitória de Lula em 2026 ganhou peso adicional porque não ocorreu em uma disputa na qual o presidente largou em vantagem. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, colocando Lula diante da necessidade de ampliar sua votação e conquistar eleitores que não haviam escolhido nenhum dos dois candidatos. A virada tornou a reeleição ainda mais significativa, porque o presidente precisou superar não apenas a força de um adversário competitivo, mas também uma desvantagem construída na primeira etapa da eleição.
O resultado mostrou que terminar o primeiro turno atrás não significava necessariamente que a disputa estava definida. Lula conseguiu ampliar sua vantagem entre os eleitores que decidiram a eleição no segundo turno e consolidou uma maioria suficiente para permanecer no cargo. Dessa forma, além de superar a dificuldade histórica enfrentada por presidentes que buscavam a continuidade, ele também conseguiu reverter uma situação eleitoral que inicialmente favorecia seu adversário.
A vitória também interrompeu uma sequência política que havia ganhado força justamente pela repetição de derrotas de governantes em busca de continuidade. Trump perdeu a reeleição nos Estados Unidos, Bolsonaro perdeu a tentativa de permanecer no Planalto e Biden não conseguiu completar uma nova candidatura presidencial. Lula, ao contrário, chegou ao fim do processo eleitoral como presidente reeleito, transformando 2026 em uma exceção dentro desse cenário recente.
A “maldição” superada por Lula
A expressão “maldição” não representa uma regra eleitoral, mas resume uma sequência de acontecimentos que criou a percepção de que presidentes em exercício estavam encontrando cada vez mais dificuldades para renovar seus mandatos. O eleitorado passou a demonstrar maior disposição para trocar o governo quando avaliava que os resultados apresentados pelo presidente não correspondiam às suas expectativas. Lula conseguiu escapar desse movimento e transformar sua permanência no poder em uma nova vitória nas urnas.
O caso brasileiro ainda apresenta uma particularidade importante porque a disputa de 2026 colocou frente a frente Lula e um representante direto do grupo político derrotado pelo atual presidente em 2022. A eleição, portanto, não foi apenas uma disputa pela continuidade do governo, mas também uma nova confrontação entre os dois campos políticos que dominaram a política nacional nos últimos anos. Ao vencer Flávio Bolsonaro, Lula manteve seu grupo político no comando e evitou que a oposição transformasse a eleição em uma mudança de ciclo.





