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Flávio Bolsonaro já chegou nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das filhas

Flávio Bolsonaro (PL) já chegou aos Estados Unidos acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza, depois de deixar o Brasil em uma viagem marcada por informações falsas sobre seu paradeiro. A saída do senador, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, ocorreu enquanto a Polícia Federal procurava localizá-lo após uma determinação judicial que o impedia de deixar o país. De acordo com reportagem da CNN Brasil publicada nesta quarta-feira (28), aliados do parlamentar e fontes ligadas ao governo de Donald Trump divulgaram versões que davam a entender que ele já estava em território norte-americano quando ainda permanecia no Brasil.

A estratégia de desinformação ganhou força durante a terça-feira (27), quando pessoas próximas à família Bolsonaro passaram a informar que Flávio já havia deixado o território brasileiro. Ao longo da tarde, interlocutores afirmaram que o senador estava a caminho dos Estados Unidos e, posteriormente, fontes ligadas ao governo norte-americano disseram que ele já havia chegado ao destino com a mulher e as filhas. Os registros oficiais da imigração argentina, no entanto, mostraram que o grupo só cruzou a fronteira entre Brasil e Argentina às 22h50, contradizendo a cronologia divulgada anteriormente.

A diferença entre os relatos e os registros oficiais colocou a circulação de informações sobre a viagem no centro do episódio. Enquanto a imprensa recebia declarações de fontes que situavam Flávio nos Estados Unidos, a Polícia Federal ainda tentava descobrir onde ele estava, e as autoridades argentinas inicialmente negavam que sua entrada no país tivesse ocorrido. A confirmação posterior da passagem pela fronteira permitiu reconstruir parte do trajeto, enquanto as imagens de pouso e desembarque exibidas pela CNN acrescentaram o registro visual da chegada da família aos Estados Unidos.

Aliados divulgaram versões contraditórias sobre o paradeiro

Pouco depois das 14h de terça-feira, aliados de Flávio informaram à CNN Brasil que o senador e os familiares já haviam deixado o Brasil. No meio da tarde, duas fontes disseram à emissora que ele estava a caminho dos Estados Unidos, informação semelhante à transmitida por uma autoridade norte-americana à agência Reuters. Às 17h39, fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos afirmaram à CNN que o parlamentar já havia chegado ao país acompanhado da mulher e das filhas, embora o registro migratório argentino demonstrasse posteriormente que ele ainda não havia cruzado a fronteira brasileira naquele momento.

A divulgação de informações sobre um suposto encontro com Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, também contribuiu para a confusão em torno da cronologia. Pouco antes das 22h de terça-feira, aliados afirmaram que Flávio já estava reunido com Eduardo na Flórida e que os dois planejavam uma entrevista para explicar a saída do Brasil. Entretanto, segundo os registros oficiais argentinos, o senador ainda passaria pelo controle migratório na fronteira por volta das 22h50, quase uma hora depois das declarações sobre o encontro nos Estados Unidos.

A reportagem da CNN apontou que as informações falsas foram repassadas por pessoas ligadas à família Bolsonaro e por fontes relacionadas ao governo de Donald Trump. A sequência de relatos fez com que a atenção pública se voltasse para a suposta chegada do senador aos Estados Unidos antes de sua efetiva saída do Brasil estar documentada pelas autoridades migratórias. O episódio levantou questionamentos sobre o objetivo das versões divulgadas e sobre a possibilidade de elas terem dificultado o trabalho de localização realizado pelas autoridades brasileiras.

Viagem começou pela fronteira com a Argentina

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio entrou no país vizinho às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que conecta Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. O senador estava acompanhado de Fernanda e das filhas Carolina e Luiza, e a passagem foi registrada pelas autoridades migratórias argentinas. A confirmação oficial esclareceu que a família ainda estava na região da fronteira quando circulavam informações de que o grupo já havia desembarcado nos Estados Unidos.

Às 23h30, cerca de quarenta minutos depois da entrada na Argentina, a família embarcou em um avião privado com destino declarado a Guayaquil, no Equador. A aeronave foi identificada nas informações divulgadas durante a cobertura como um jato executivo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A. Posteriormente, o avião seguiu viagem para Miami, na Flórida, onde Flávio e seus familiares chegaram, conforme as imagens exibidas pela CNN Brasil.

A diferença entre o destino declarado no primeiro plano de voo e o destino final aumentou o interesse sobre a rota utilizada pelo senador. Durante a terça-feira, fontes afirmaram que ele já estaria nos Estados Unidos e até reunido com o irmão, enquanto os registros oficiais indicavam que a travessia da fronteira ainda não havia acontecido. A cronologia reconstruída a partir dos dados migratórios e do deslocamento da aeronave mostrou que as declarações divulgadas ao longo do dia anteciparam etapas da viagem que ainda não tinham ocorrido.

Ordem de Alexandre de Moraes e busca da Polícia Federal

A saída do senador aconteceu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar no domingo (25) que ele entregasse os passaportes e não deixasse o Brasil. O prazo para a apresentação dos documentos terminou às 11h de terça-feira, mas os passaportes não foram entregues, levando a Polícia Federal a cancelar os documentos comum e diplomático de Flávio. Enquanto as informações sobre a suposta chegada aos Estados Unidos eram divulgadas, a corporação procurava localizar o parlamentar.

Na segunda-feira (26), segundo a apuração da CNN, aliados chegaram a aconselhar Flávio a permanecer no Brasil durante uma reunião com integrantes da campanha em um escritório de advocacia no Lago Sul, em Brasília. Pessoas próximas ao senador afirmaram que ele temia ser preso, enquanto aliados moderados avaliavam que uma eventual prisão logo após a eleição poderia ter repercussão internacional negativa para o governo Lula. No mesmo dia, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais no qual confirmou ter sido intimado a entregar os passaportes e informou que também estava proibido de deixar o país.

Flávio é investigado em dois inquéritos da Polícia Federal, um relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e outro que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. No primeiro caso, a investigação examina recursos que teriam ligação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, enquanto o segundo apura suspeitas relacionadas ao parlamentar e ao advogado. Flávio nega irregularidades e afirma manter uma relação de amizade com Tomaz, que também contesta as suspeitas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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