Quem é Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró que foi alvo de operação da PF tornou-se uma das perguntas mais buscadas no Rio Grande do Norte após a deflagração de uma ação da Polícia Federal envolvendo contratos públicos na área da saúde. A operação atingiu a residência do prefeito e dependências da prefeitura, elevando a atenção pública sobre sua trajetória política e administrativa.
O caso ganhou repercussão nacional não apenas pelo cargo ocupado, mas também pelo contexto de combate à corrupção e fiscalização de recursos públicos. Embora a defesa afirme que não há vínculo pessoal entre o gestor e os fatos investigados, o episódio gera impactos políticos relevantes e levanta questionamentos sobre governança, transparência e responsabilidade institucional.
Diante disso, compreender quem é Allyson Bezerra, sua trajetória política e o contexto da investigação torna-se essencial para o debate público.

Contexto político e histórico
Allyson Bezerra construiu sua carreira política em Mossoró com forte apelo popular e discurso voltado à renovação administrativa. Jovem, comunicativo e com presença ativa nas redes sociais, ele se projetou como um gestor alinhado a pautas de eficiência, controle de gastos e modernização da máquina pública.
Antes de assumir a prefeitura, Allyson atuou como vereador e ganhou notoriedade ao adotar postura crítica em relação a práticas tradicionais da política local. Esse posicionamento contribuiu para sua eleição ao Executivo municipal, em um cenário de desgaste de lideranças tradicionais.
Mossoró, segundo maior município do Rio Grande do Norte, possui relevância estratégica no estado. Portanto, qualquer instabilidade política no comando da prefeitura repercute não apenas localmente, mas também no cenário estadual.
Nesse contexto, a operação da Polícia Federal surge em um ambiente político sensível, marcado por cobranças da sociedade por maior rigor na fiscalização do uso de recursos públicos.
Descrição dos fatos e repercussão
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do prefeito Allyson Bezerra e na sede da Prefeitura de Mossoró. A ação ocorreu em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e integra uma investigação mais ampla sobre possíveis irregularidades em contratos da área da saúde.
Durante a operação, agentes apreenderam aproximadamente R$ 55 mil em dinheiro. Fontes ligadas à investigação indicam que o valor pode aumentar após a consolidação do balanço preliminar. Além disso, a PF realizou diligências em imóveis ligados a sócios de uma empresa farmacêutica investigada, onde encontrou dinheiro em espécie e caixas de medicamentos.
As investigações apontam indícios de fraudes em licitações, sobrepreço e falhas na execução contratual. Auditorias identificaram situações como fornecimento inadequado de insumos e suspeita de não entrega de materiais contratados.
A repercussão foi imediata. O caso ganhou destaque na imprensa nacional e gerou reações no meio político potiguar, inclusive entre aliados e opositores do prefeito.
Atores políticos e instituições envolvidas
Além do prefeito de Mossoró, a investigação envolve empresas fornecedoras de insumos para a rede pública de saúde, sediadas no Rio Grande do Norte e com contratos firmados com diversos municípios, inclusive fora do estado.
A Polícia Federal conduz a investigação criminal, enquanto a CGU atua na apuração administrativa e no levantamento de eventuais danos ao erário. A Justiça Federal autorizou não apenas os mandados de busca, mas também medidas cautelares e patrimoniais.
Do ponto de vista político, o caso desperta atenção de lideranças estaduais e nacionais, uma vez que Allyson Bezerra é filiado a um partido com presença relevante no Congresso Nacional.
A defesa do prefeito atua de forma ativa na comunicação pública, reforçando que não existe acusação formal contra o gestor e que ele não sofreu qualquer medida restritiva.
Impactos políticos, jurídicos e eleitorais
Politicamente, a operação cria um ambiente de desgaste, ainda que não haja denúncia formal contra o prefeito. A simples associação do nome de um gestor a uma investigação federal tende a produzir efeitos na opinião pública.
No campo jurídico, o caso encontra-se em fase investigativa. Portanto, prevalece o princípio da presunção de inocência. No entanto, caso as investigações avancem, novos desdobramentos podem surgir, inclusive com responsabilização de agentes públicos ou privados.
Do ponto de vista eleitoral, o episódio pode influenciar o capital político de Allyson Bezerra. Gestores municipais costumam ser avaliados não apenas por resultados administrativos, mas também pela percepção de integridade e controle interno.
Além disso, adversários políticos tendem a explorar o caso no debate público, enquanto aliados reforçam a narrativa de colaboração com as autoridades.
Bastidores e reações oficiais
Em nota oficial, a defesa do prefeito afirmou que não há qualquer elemento que vincule pessoalmente Allyson Bezerra às irregularidades investigadas. Segundo os advogados, a decisão judicial baseou-se em diálogos envolvendo terceiros, protegidos pelo sigilo da investigação.
A defesa também destacou que o prefeito não foi afastado do cargo e segue exercendo normalmente suas funções. Além disso, informou que o gestor colaborou integralmente com a operação, franqueando acesso às informações solicitadas.
Como argumento adicional, os advogados lembraram que, ainda em 2023, Allyson editou um decreto que tornou obrigatório o uso do Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica – Hórus. A medida buscaria fortalecer o controle de estoque e a transparência na distribuição de medicamentos.
Nos bastidores, aliados avaliam que a estratégia será manter discurso institucional e aguardar o avanço das investigações antes de qualquer posicionamento político mais contundente.
Análise crítica e projeções futuras
O caso evidencia desafios estruturais na gestão de contratos públicos na área da saúde, setor historicamente vulnerável a irregularidades. Mesmo gestores com discurso de renovação enfrentam dificuldades para blindar totalmente a administração contra práticas ilícitas de terceiros.
A operação também reforça o papel dos órgãos de controle e fiscalização. A atuação conjunta da PF e da CGU sinaliza um esforço coordenado para coibir desvios e aprimorar mecanismos de transparência.
No curto prazo, a tendência é de cautela política por parte do prefeito. No médio prazo, o desfecho das investigações será determinante para seu futuro político.
Independentemente do resultado, o episódio deve estimular debates sobre governança, compliance e fortalecimento dos controles internos nos municípios brasileiros.
Conclusão
Quem é Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró que foi alvo de operação da PF, é uma questão que vai além do perfil pessoal do gestor. O episódio revela a complexidade da administração pública e os riscos inerentes à gestão de contratos sensíveis, como os da área da saúde.
Embora a investigação esteja em fase inicial e não haja imputação direta ao prefeito, o caso produz impactos políticos relevantes e amplia o escrutínio público sobre sua gestão.
Nos próximos meses, o avanço das apurações indicará se o episódio ficará restrito ao campo investigativo ou se resultará em consequências jurídicas e políticas mais amplas para a administração municipal de Mossoró.

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