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A vereadora Amanda Vettorazzo deu início a um abaixo-assinado contra o vereador do PT, Senival Moura

A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), iniciou um abaixo-assinado para pressionar pelo afastamento do vereador Senival Moura (PT) da Câmara Municipal de São Paulo. O parlamentar está preso preventivamente no âmbito da Operação Última Parada, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da Transunião, uma das empresas responsáveis pelo transporte público da capital paulista. Além da mobilização popular, Amanda já havia protocolado um requerimento solicitando a cassação do mandato do petista e seu afastamento imediato das funções que ocupa na estrutura legislativa municipal.

A iniciativa ganhou força depois que Senival voltou a ser preso na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, após a conclusão de uma etapa importante das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A vereadora considera que a permanência do parlamentar nos cargos legislativos é incompatível com a gravidade das suspeitas que estão sendo apuradas pelas autoridades. Segundo informações divulgadas pelo colunista Vinícius Passarelli, do Metrópoles, o abaixo-assinado integra uma série de iniciativas políticas adotadas por Amanda para pressionar a Câmara Municipal a tomar providências sobre a situação do vereador.

O caso envolve suspeitas de que Senival seria o chamado dono oculto da Transunião e teria participação em uma estrutura paralela responsável por decisões empresariais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro para o PCC. As investigações apontam que a empresa de transporte teria sido utilizada em operações destinadas a movimentar recursos de origem criminosa, aproveitando sua participação no sistema de transporte público paulistano. Entretanto, as acusações ainda precisam ser comprovadas judicialmente, e a defesa do vereador nega qualquer envolvimento com organizações criminosas ou participação em atividades ilegais.

Vereadora do MBL pede afastamento e cassação de Senival Moura

Amanda Vettorazzo não se limitou à criação do abaixo-assinado e também apresentou um requerimento formal na Câmara Municipal de São Paulo para solicitar providências contra o parlamentar do PT. Entre os pedidos estão a cassação do mandato e o afastamento cautelar de Senival dos cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica. A parlamentar argumenta que as suspeitas investigadas exigem uma resposta institucional e que a permanência do petista em posições estratégicas da Câmara precisa ser discutida pelos demais vereadores.

O pedido chama atenção porque Senival ocupava funções diretamente relacionadas à organização administrativa da Câmara e à fiscalização de atividades econômicas e de transporte na cidade. A Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica possui atribuições relacionadas a um setor que aparece no centro das investigações envolvendo a Transunião. Por isso, a iniciativa de Amanda também busca impedir que o vereador continue exercendo funções institucionais enquanto permanece preso e é investigado por suspeitas relacionadas ao sistema de transporte municipal.

A mobilização política ocorre em um momento de pressão sobre a Câmara Municipal, que precisará avaliar os pedidos apresentados e os procedimentos regimentais aplicáveis à situação do parlamentar. O abaixo-assinado procura ampliar a participação popular na discussão e dar visibilidade à cobrança por providências contra Senival. Entretanto, a cassação de um mandato eletivo depende de procedimentos formais, análise dos fundamentos apresentados e deliberação das instâncias competentes, não sendo determinada automaticamente pela prisão preventiva ou pela existência de uma investigação criminal.

Operação Última Parada investiga suposta ligação entre Transunião e PCC

A Operação Última Parada investiga uma estrutura que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, teria utilizado a Transunião para movimentar recursos financeiros relacionados ao PCC. As apurações tiveram origem em investigações sobre a morte de Adauto Jorge, ex-diretor financeiro da empresa, ocorrida em 2025, quando surgiram elementos que levaram os investigadores a examinar a administração e as movimentações financeiras da companhia. A partir desse trabalho, as autoridades identificaram suspeitas de um núcleo paralelo que tomaria decisões empresariais e teria utilizado a estrutura da empresa para atividades de lavagem de dinheiro.

De acordo com os relatórios policiais, Senival seria o chamado dono oculto da Transunião, apesar de não aparecer formalmente como proprietário da companhia. Os investigadores apontam que ele teria influência sobre decisões administrativas e financeiras, além de participação em uma estrutura que movimentava recursos ligados à facção criminosa. A investigação também identificou movimentações expressivas envolvendo o setor de transporte público, estimando que o esquema relacionado à empresa teria obtido mais de R$ 300 milhões do sistema de transportes paulistano em 2025.

Na primeira fase da operação, realizada em junho, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 194 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Entre os bens alcançados pelas medidas judiciais estava um sítio de alto padrão localizado no sul de Minas Gerais. A nova prisão de Senival ocorreu depois que o relatório final da investigação foi encaminhado à Justiça, acompanhado de pedidos de prisão preventiva dos alvos e da inclusão de novos suspeitos no procedimento.

Defesa de Senival Moura nega envolvimento com organização criminosa

A situação judicial do vereador também é marcada por uma disputa entre as conclusões apresentadas pelos investigadores e os argumentos de sua defesa. Senival já havia sido preso em 25 de junho de 2026, durante uma operação conjunta do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Ministério Público paulista, mas foi colocado em liberdade em 5 de agosto por decisão da desembargadora Carla Rahal Benedetti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A nova prisão preventiva foi decretada depois do avanço das apurações e da apresentação do relatório final à Justiça.

O advogado Marcio Sayeg negou que seu cliente tenha envolvimento com organizações criminosas ou participação em um esquema de lavagem de dinheiro e afirmou que serão adotadas medidas judiciais para questionar a necessidade e a legalidade da prisão. Segundo a defesa, não existem fundamentos concretos suficientes para justificar a medida cautelar, que não poderia ser utilizada como antecipação de uma eventual pena. O advogado também declarou que Senival mantém sua posição de inocência e confia que os fatos serão esclarecidos durante o andamento do processo.

A mobilização organizada por Amanda Vettorazzo acrescenta um componente político ao caso, que já provoca repercussão na Câmara Municipal e no debate sobre a fiscalização do transporte público de São Paulo. Enquanto a vereadora busca apoio popular para pressionar pelo afastamento e pela cassação do petista, as autoridades continuam investigando as suspeitas de utilização da Transunião em operações financeiras ligadas ao PCC. O futuro do mandato de Senival dependerá das decisões tomadas pela Câmara e dos desdobramentos judiciais, enquanto a responsabilidade criminal do parlamentar ainda deverá ser estabelecida no processo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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