Flávio Bolsonaro contou um pouco do seu plano de fugir do Brasil para os Estados Unidos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que decidiu deixar o Brasil sem comunicar seus aliados políticos para evitar que a viagem aos Estados Unidos fosse impedida. A declaração foi feita na noite de sexta-feira, 30 de outubro, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na primeira aparição em vídeo do parlamentar desde que deixou o território brasileiro. Segundo ele, apenas sua mulher, Fernanda Bolsonaro, participou da decisão, que foi mantida em sigilo até a saída do país.
Durante a transmissão, Flávio explicou que não queria que outras pessoas soubessem antecipadamente dos planos porque isso poderia comprometer a viagem. “A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse, até porque, se soubesse, a chance de dar errado seria maior”, declarou o senador. Ele também pediu aos apoiadores que não responsabilizassem terceiros pelo episódio e afirmou que ninguém além dele deveria ser apontado como responsável pela saída.
A declaração trouxe novos detalhes sobre a viagem realizada em 27 de outubro, quando Flávio deixou o Brasil acompanhado da mulher e das duas filhas, com destino aos Estados Unidos. O deslocamento ocorreu apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia ordenado a apreensão dos passaportes do senador e proibido sua saída do país. Ao admitir que manteve os planos em segredo, o parlamentar reforçou que não informou previamente nem mesmo integrantes de seu grupo político sobre a decisão.
Senador afirma que apenas a mulher conhecia os planos
Flávio Bolsonaro procurou deixar claro durante a transmissão que a decisão de viajar foi tomada exclusivamente no ambiente familiar. Ao afirmar que somente Fernanda Bolsonaro sabia dos planos, o senador afastou a possibilidade de que aliados políticos tivessem participado da escolha ou organizado a saída em seu nome. Ele também pediu que seus apoiadores não direcionassem críticas a pessoas próximas, sustentando que a responsabilidade pela decisão era exclusivamente dele.
A manifestação ocorreu depois de dirigentes e integrantes do PL relatarem que não tinham conhecimento antecipado da viagem. O senador Rogério Marinho (PL-RN), por exemplo, havia afirmado que conversou com Flávio na segunda-feira anterior sobre a oposição política, mas não recebeu informações sobre a intenção de deixar o Brasil. Segundo Marinho, a mensagem enviada pelo colega na manhã seguinte indicava apenas que ele tiraria o dia para descansar e que os dois conversariam posteriormente.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também declarou que desconhecia os planos do senador, e as informações divulgadas inicialmente sobre quem teria sido avisado apresentaram versões diferentes. A transmissão de Flávio, entretanto, trouxe uma explicação direta do próprio parlamentar sobre o sigilo adotado antes da viagem. Ao afirmar que a comunicação antecipada poderia aumentar o risco de a saída não acontecer, ele justificou por que decidiu restringir o conhecimento dos planos à própria família.
Viagem ocorreu apesar de determinação do Supremo Tribunal Federal
A saída de Flávio aconteceu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a entrega dos passaportes do senador e o proibiu de viajar ao exterior. A ordem havia sido expedida no contexto das medidas judiciais relacionadas ao parlamentar, e o prazo para apresentação dos documentos terminou na terça-feira, 27 de outubro. Naquele dia, a Polícia Federal também adotou providências para cancelar os passaportes comum e diplomático do senador, conforme informações divulgadas sobre o episódio.
A viagem foi realizada enquanto as autoridades procuravam esclarecer o paradeiro do parlamentar, que chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira, 28 de outubro. A movimentação teve uma sequência de informações desencontradas durante a terça-feira, inclusive sobre o momento em que Flávio teria deixado o Brasil e alcançado território norte-americano. Registros migratórios argentinos posteriormente indicaram que ele atravessou a fronteira com a família na noite de terça-feira, antes de seguir em voo privado.
A determinação judicial e a saída do senador colocaram o episódio no centro de uma controvérsia política e jurídica. Na transmissão, Flávio não apresentou detalhes sobre como organizou todos os deslocamentos nem explicou de que maneira a viagem foi realizada diante da ordem de Moraes. O parlamentar, porém, assumiu publicamente a responsabilidade pela decisão e pediu que seus apoiadores não atribuíssem a outras pessoas participação no episódio.
Flávio diz que pretende atuar politicamente a partir dos Estados Unidos
Durante a live, o senador também procurou justificar sua permanência no exterior e afirmou que pretende continuar atuando politicamente mesmo longe do Brasil. Em uma das declarações mais marcantes da transmissão, disse: “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil”, apresentando a viagem como uma forma de ampliar sua atuação na oposição. Ele argumentou que, fora do país, poderá se manifestar com mais liberdade e alcançar um espaço de atuação que considera limitado em território brasileiro.
Flávio também afirmou que pretende continuar participando das articulações políticas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), derrotado pelo petista na eleição presidencial de 2026. O senador reiterou seu apoio ao nome de Rogério Marinho para a presidência do Senado e apontou o Congresso Nacional como uma frente importante da oposição. A transmissão, portanto, serviu tanto para explicar o sigilo adotado na viagem quanto para apresentar a estratégia política que Flávio pretende manter durante sua permanência nos Estados Unidos.





