No último domingo (1), o Fantástico exibiu uma reportagem exclusiva mostrando como foi a ida de Flávio Bolsonaro para os EUA

A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais ganhou novos e importantes desdobramentos com uma investigação exclusiva do Fantástico, exibida pela TV Globo neste domingo, 1º de novembro de 2026. A reportagem mostrou detalhes e bastidores da fuga do senador para os Estados Unidos, reconstruindo os deslocamentos realizados por ele, pela esposa, Fernanda Bolsonaro, e pelas duas filhas do casal. Documentos migratórios da Argentina, informações sobre aeronaves particulares, registros de veículos e depoimentos de pessoas envolvidas ajudaram a revelar uma operação logística que ainda está sendo investigada pelas autoridades brasileiras.
Um dos pontos mais surpreendentes apresentados pelo programa foi a identificação de três registros de entrada de Flávio na Argentina em um intervalo de apenas 34 minutos, todos associados à noite de terça-feira, 27 de outubro. Os documentos indicaram a utilização de diferentes identificações, incluindo um passaporte italiano, uma carteira de motorista e um passaporte brasileiro, sendo que somente o primeiro registro permaneceu válido no sistema migratório argentino. A investigação também identificou a presença de um ex-integrante do serviço de inteligência de Israel em outro veículo que atravessou a fronteira pouco antes da van relacionada à família do senador.
A viagem aconteceu depois que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, derrotando Flávio na disputa pelo Palácio do Planalto. O deslocamento também ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar medidas cautelares relacionadas aos documentos de viagem do parlamentar, incluindo a apreensão dos passaportes e a proibição de deixar o território brasileiro. Nesse contexto, a reportagem exclusiva do Fantástico apresentou elementos que ajudam a compreender como a viagem foi organizada, quais rotas teriam sido utilizadas e por que a Polícia Federal passou a investigar as circunstâncias da saída do senador.
Fantástico revela como Flávio Bolsonaro deixou o Brasil
De acordo com a reconstrução apresentada pelo Fantástico, uma das rotas investigadas indica que Flávio deixou Brasília às 5h05 da terça-feira, 27 de outubro, utilizando um avião particular. A aeronave teria pousado às 8h40 no aeroporto de San Fernando, localizado na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina, de onde o senador teria seguido em outro voo privado para Puerto Iguazú, cidade próxima à fronteira brasileira. Essa possibilidade é importante porque contrasta com os registros migratórios argentinos, que apontaram uma entrada terrestre do parlamentar por meio de uma van que atravessou a fronteira em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Enquanto o senador teria realizado parte do trajeto em aeronaves particulares, Fernanda Bolsonaro e as duas filhas do casal teriam seguido uma rota diferente para chegar à Argentina. Segundo a investigação, as três viajaram inicialmente de avião até Cascavel, no Paraná, e posteriormente embarcaram em uma van que seguiu em direção à fronteira com Puerto Iguazú. Os registros apresentados pelo programa indicaram que os dados da esposa e das filhas apareceram associados ao veículo que atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, ligação rodoviária entre Foz do Iguaçu e a cidade argentina.
A investigação encontrou três registros migratórios em nome de Flávio Bolsonaro, realizados às 22h37, às 22h40 e às 23h11 daquela terça-feira. O primeiro lançamento foi associado ao passaporte italiano do senador, enquanto os outros dois utilizaram informações de uma carteira de motorista e de um passaporte brasileiro, posteriormente cancelados no sistema. A principal hipótese apresentada pela reportagem é que Flávio tenha chegado a Puerto Iguazú de avião e permanecido dentro da aeronave enquanto aguardava a chegada da família, o que explicaria a divergência entre os registros terrestres e a rota aérea investigada.
Ex-agente da inteligência israelense aparece nos bastidores da viagem
Outro elemento importante revelado pela reportagem envolve uma segunda van que atravessou a fronteira aproximadamente sete minutos antes do veículo associado à família Bolsonaro. Nesse automóvel estavam o motorista Neri Luiz Dalacorte, o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa de Jair Bolsonaro, e o israelense Menachem Boki Halevy, apresentado pelo programa como ex-integrante do serviço de inteligência de Israel, conhecido como Mossad. A possível participação de Halevy na organização logística da viagem passou a ser investigada, especialmente porque ele já havia sido fotografado em eventos com autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Procurado pela equipe do Fantástico, o motorista Neri Luiz Dalacorte afirmou que havia sido contratado para buscar dois homens em um posto de combustível em Foz do Iguaçu e transportá-los até o aeroporto de Puerto Iguazú. Ele declarou que não sabia quem eram os passageiros e negou ter transportado integrantes da família Bolsonaro, embora seu veículo apareça nos documentos migratórios analisados pela investigação. O jornalista argentino Nicolás Munafó, que acompanhou a movimentação no aeroporto, também relatou a presença de veículos oficiais e de uma escolta policial durante a chegada da comitiva.
A reportagem ainda investigou a empresa Dallas Turismo, cujo veículo aparece associado aos registros migratórios da família, e encontrou informações que levantaram dúvidas sobre sua estrutura de funcionamento. Ao visitar o endereço cadastrado na Receita Federal, a equipe encontrou um estacionamento, enquanto trabalhadores da região afirmaram não conhecer o funcionamento de uma agência de turismo naquele local. A empresa publicou manifestações nas redes sociais negando ter transportado Flávio Bolsonaro, e a responsável pelo estacionamento informou que possui parentesco com uma das representantes comerciais da companhia.
Viagem de Flávio Bolsonaro terminou nos Estados Unidos
Depois da chegada a Puerto Iguazú, Flávio e seus familiares seguiram viagem em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos, realizando uma escala em Guayaquil, no Equador. Informações divulgadas anteriormente pela imprensa indicaram que o avião utilizado era um Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly, que realizou o deslocamento internacional até a região de Miami. O desembarque aconteceu na quarta-feira, 28 de outubro, no aeroporto executivo de Opa-locka, na Flórida, onde a família foi recebida em meio à repercussão política provocada pela saída do senador do Brasil.
A Polícia Federal confirmou que investiga as circunstâncias da viagem e informou que não encontrou registro oficial de saída de Flávio pelos postos brasileiros de controle migratório, além de esclarecer que os passaportes brasileiros comum e diplomático haviam sido cancelados por determinação judicial. A defesa do senador contestou a caracterização da viagem como fuga, enquanto o advogado Frederick Wassef questionou as informações apresentadas na reportagem e negou irregularidades. Dessa maneira, os detalhes e os bastidores revelados pelo Fantástico ampliaram as perguntas sobre a organização do deslocamento internacional, a participação de terceiros e o possível descumprimento das determinações judiciais, questões que ainda dependem do esclarecimento das autoridades responsáveis pela investigação.





