O Fantástico revelou que Flávio Bolsonaro contou com a ajuda de um ex-agente secreto em sua fuga

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos envolveu uma operação logística com aviões particulares, vans, registros migratórios e a possível participação de um ex-integrante do serviço de inteligência de Israel. A investigação apresentada pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo, 1º de novembro, revelou detalhes dos deslocamentos realizados pelo parlamentar e por sua família depois da derrota na eleição presidencial. Um dos pontos de maior destaque foi a presença do israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do Mossad, em uma van que cruzou a fronteira com a Argentina minutos antes do veículo associado aos familiares do senador.
A participação de Halevy passou a ser investigada por sua possível atuação na organização da viagem, que teria sido planejada para permitir a saída do parlamentar do território brasileiro. Segundo os detalhes apresentados na reportagem, o ex-integrante da inteligência israelense estava em um segundo veículo, que atravessou a fronteira sete minutos antes da van relacionada à família Bolsonaro. A investigação procura esclarecer qual foi sua função na operação, quem contratou os serviços e como os diferentes deslocamentos foram coordenados entre Brasil, Argentina e Estados Unidos.
Outro elemento que chamou a atenção foram os três registros de entrada de Flávio na Argentina em um intervalo de aproximadamente 34 minutos, todos associados à mesma noite. Os lançamentos foram feitos às 22h37, às 22h40 e às 23h11, utilizando documentos diferentes, incluindo o passaporte italiano, a carteira de motorista e o passaporte brasileiro. Apenas o registro realizado com o documento italiano permaneceu válido, enquanto os outros dois foram cancelados pelo sistema migratório argentino.
Ex-agente do Mossad aparece em van investigada pela Polícia Federal
O israelense Menachem Booky Halevy é apontado como ex-integrante do Mossad, serviço de inteligência de Israel conhecido por suas atividades de espionagem e operações no exterior. A presença dele na região da fronteira chamou a atenção dos investigadores porque ocorreu justamente durante os deslocamentos relacionados à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. De acordo com a reportagem do Fantástico, Halevy estava em uma van que cruzou a fronteira sete minutos antes do veículo que supostamente transportava familiares do senador.
A investigação busca esclarecer se o ex-agente teve participação direta na organização da viagem ou se sua presença estava relacionada a outra atividade realizada naquela região. A proximidade entre os horários das travessias e a identificação de passageiros considerados relevantes para a apuração fizeram com que o nome do israelense ganhasse importância no caso. A possível ajuda de um ex-integrante de um serviço secreto estrangeiro acrescentou uma dimensão internacional à investigação, que já envolvia deslocamentos por diferentes países e o uso de aeronaves particulares.
O motorista da van em que Halevy estava foi identificado como Neri Luiz Dala Corte, que afirmou ter sido contratado para transportar dois homens até o aeroporto de Puerto Iguazú. Em entrevista ao Fantástico, ele declarou que não conhecia os passageiros e negou ter levado integrantes da família Bolsonaro no veículo. A versão apresentada pelo motorista deverá ser confrontada com os registros de imigração, as imagens de câmeras de segurança e outras informações reunidas pelas autoridades brasileiras e argentinas.
Duas vans e trajetos diferentes marcaram a saída da família
A reportagem também detalhou que a esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal realizaram parte do percurso separadamente do senador. As três deixaram Brasília em um avião com destino a Cascavel, no Paraná, e posteriormente embarcaram em uma van para atravessar a fronteira por Foz do Iguaçu. O deslocamento terrestre ocorreu na noite de terça-feira, 27 de outubro, e terminou em Puerto Iguazú, na Argentina, onde a família teria se reunido para continuar a viagem internacional.
Uma das hipóteses investigadas indica que Flávio deixou Brasília às 5h05 daquele mesmo dia em um avião particular, que pousou em San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires, por volta das 8h40. Depois desse primeiro trecho, ele teria seguido em outra aeronave privada até Puerto Iguazú, cidade argentina próxima à fronteira com o Brasil. A principal linha apresentada pelo Fantástico considera que o senador pode ter aguardado dentro do avião até a chegada da esposa e das filhas, evitando realizar com elas a travessia terrestre registrada pelas autoridades argentinas.
Os registros migratórios, entretanto, mostram o nome de Flávio associado a uma van em três lançamentos realizados durante a noite, o que levantou dúvidas sobre o trajeto efetivamente percorrido pelo parlamentar. A investigação procura entender por que os dados de imigração indicaram uma passagem terrestre se a hipótese considerada é que ele tenha chegado à cidade argentina por via aérea. A diferença entre os registros oficiais e a possível rota realizada tornou-se um dos principais pontos para esclarecer como a operação foi executada.
Jato particular levou Flávio Bolsonaro e familiares aos Estados Unidos
Depois da chegada a Puerto Iguazú, Flávio e seus familiares seguiram para os Estados Unidos em um avião executivo contratado para o trecho internacional. A aeronave utilizada foi identificada como um Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly, que partiu da região de fronteira e realizou uma escala em Guayaquil, no Equador. O destino final foi o aeroporto executivo de Opa-locka, na Flórida, na região de Miami, onde o desembarque ocorreu na quarta-feira, 28 de outubro.
A reportagem também apresentou informações sobre o custo do fretamento, estimado em US$ 150 mil, e sobre a participação de intermediários na contratação do voo. A operação com o jato particular ampliou as perguntas sobre quem organizou os deslocamentos, quem assumiu os pagamentos e quais pessoas participaram da logística internacional. Esses elementos passaram a integrar o conjunto de informações que as autoridades procuram esclarecer, especialmente diante da suspeita de que a viagem tenha sido planejada antes da saída do senador.
A Polícia Federal investiga as circunstâncias da saída de Flávio porque havia uma determinação judicial para que ele entregasse seus passaportes e não deixasse o Brasil. A corporação informou que não encontrou registros oficiais de passagem do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório e confirmou que os documentos brasileiros, comum e diplomático, foram cancelados. Em manifestação pública, a PF ressaltou que a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não transforma uma pessoa em foragida nem autoriza automaticamente sua prisão ou vigilância permanente.
Defesa contesta caracterização da viagem como fuga
O advogado Frederick Wassef, responsável pela defesa de Flávio Bolsonaro, contestou a caracterização do deslocamento como fuga e afirmou que as informações divulgadas sobre a viagem não eram oficiais nem haviam sido confirmadas pelo senador. A manifestação foi apresentada durante a cobertura do Fantástico, que também procurou esclarecer os detalhes da saída do parlamentar e de seus familiares. A defesa, portanto, não reconheceu as conclusões atribuídas à investigação e questionou a forma como o episódio foi apresentado publicamente.
A apuração envolve diferentes etapas, desde a saída de Brasília até a travessia da fronteira argentina, a possível participação de Menachem Booky Halevy e o fretamento do avião que levou a família aos Estados Unidos. A identificação do ex-integrante do Mossad em uma das vans tornou-se um dos aspectos centrais do caso, mas sua eventual participação na operação ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades. Enquanto a Polícia Federal reúne informações sobre os trajetos, os registros migratórios e os envolvidos no transporte, a defesa de Flávio mantém a contestação à versão de que o senador tenha fugido do Brasil.





