Alguns candidatos se deram mal com a ida à sabatina da TV Globo

A rejeição de Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema cresceu acima da margem de erro na primeira pesquisa BTG/Nexus realizada após as sabatinas dos candidatos à Presidência na TV Globo. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira, 31 de agosto, mostrou que Renan passou a ser rejeitado por 40% dos eleitores, enquanto Caiado chegou a 37% e Zema alcançou 41%. Os números chamaram atenção porque os três candidatos apresentaram alta na rejeição em comparação com a pesquisa anterior, realizada em 24 de agosto.
A pesquisa não permite afirmar, de maneira isolada, que as sabatinas tenham provocado o aumento da rejeição, mas mostra que a mudança ocorreu justamente em um período marcado pela exposição dos presidenciáveis na televisão. As entrevistas da Globo foram realizadas entre 24 e 29 de agosto, e o novo levantamento ouviu os eleitores entre 28 e 30 de agosto, fazendo com que parte da coleta coincidisse com as aparições dos candidatos. Dessa forma, o resultado passou a ser analisado dentro de um cenário eleitoral em que a exposição televisiva ganhou importância para nomes que ainda buscam ampliar o conhecimento junto ao eleitorado.
Enquanto Renan, Caiado e Zema viram suas taxas de rejeição subir, Lula permaneceu em 49%, mesmo percentual registrado na pesquisa anterior. Flávio Bolsonaro, por sua vez, oscilou de 48% para 50%, mas essa variação ficou dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Assim, o levantamento mostrou que os dois candidatos mais conhecidos da disputa continuaram concentrando índices elevados de rejeição, enquanto os demais nomes passaram por mudanças mais expressivas.
Rejeição de Renan Santos cresce cinco pontos
Entre os três candidatos que registraram crescimento expressivo, Renan Santos apresentou uma das maiores variações. O candidato do Missão passou de 35% para 40% de rejeição em apenas uma semana, o que representou uma alta de cinco pontos percentuais, superior à margem de erro de dois pontos da pesquisa. O resultado merece atenção porque Renan ainda enfrenta o desafio de ampliar seu reconhecimento nacional e transformar sua presença no debate político em intenção efetiva de voto.
A evolução da rejeição ocorre em um momento no qual Renan tenta consolidar uma candidatura associada a um discurso de oposição ao sistema político tradicional. Sua participação na sabatina da Globo colocou esse posicionamento diante de uma audiência nacional e submeteu suas propostas e declarações a questionamentos feitos pelos jornalistas. Consequentemente, a exposição pode ter ampliado tanto o conhecimento sobre o candidato quanto as avaliações negativas entre eleitores que passaram a ter maior contato com sua imagem pública.
O caso de Renan também precisa ser observado em conjunto com seus números de intenção de voto. Mesmo com uma rejeição de 40%, ele aparece com apenas uma parcela pequena das preferências no primeiro turno, o que demonstra que ser conhecido não significa necessariamente transformar exposição em crescimento eleitoral. Por isso, o desafio da campanha será reduzir a distância entre o reconhecimento do nome, a avaliação do eleitor e a disposição efetiva de votar no candidato.
Caiado e Zema também enfrentam aumento da rejeição
Ronaldo Caiado apresentou uma alta de 34% para 37% na rejeição, enquanto Romeu Zema passou de 36% para 41%. No caso de Caiado, a variação foi de três pontos, enquanto Zema registrou crescimento de cinco pontos, ambos em um cenário no qual a margem de erro da pesquisa era de dois pontos percentuais. Os resultados colocaram os dois candidatos em uma situação mais delicada, principalmente porque suas campanhas tentam se apresentar como alternativas à polarização entre Lula e o grupo político ligado ao bolsonarismo.
A sabatina de Caiado ocorreu dentro de uma sequência de entrevistas que colocou os principais candidatos diante de perguntas sobre economia, segurança pública, política institucional e outros temas relevantes para a eleição. O governador de Goiás buscou apresentar sua experiência administrativa como uma credencial para ocupar o Palácio do Planalto, mas o levantamento posterior registrou aumento de sua rejeição. Ainda assim, não é possível concluir que o desempenho na entrevista tenha sido responsável sozinho pela mudança, já que outros acontecimentos eleitorais também ocorreram durante o período de coleta.
Zema viveu situação semelhante, mas terminou com a maior rejeição entre os candidatos citados no levantamento, chegando a 41%. O ex-governador de Minas Gerais também participou das sabatinas da Globo, em um momento no qual procurava ampliar sua presença nacional e apresentar uma alternativa de direita ao eleitorado. Portanto, o aumento da rejeição representa um obstáculo para uma candidatura que precisa crescer nas pesquisas sem carregar uma taxa elevada de resistência entre os eleitores.
Pesquisa mostra desafio para candidatos da terceira via
O novo levantamento BTG/Nexus reforçou uma característica importante da eleição presidencial de 2026: os candidatos que tentam romper a polarização enfrentam dificuldades para conquistar espaço sem aumentar simultaneamente sua rejeição. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro permanecem com taxas próximas de 50%, nomes como Renan, Caiado e Zema ainda precisam ampliar sua votação em um eleitorado dividido entre diferentes alternativas. Nesse cenário, cada aparição pública poderá ter peso relevante na construção da imagem dos candidatos e na decisão de eleitores que ainda não definiram seu voto.
A pesquisa foi realizada por telefone com 2.005 eleitores de 16 anos ou mais, entre 28 e 30 de agosto, e apresentou margem de erro de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08900/2026 e também captou um período marcado pelo início do horário eleitoral e pela realização das sabatinas da Globo.
Os números, portanto, mostram que a disputa presidencial entrou em uma fase na qual exposição e rejeição passaram a caminhar lado a lado para vários candidatos. Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema conseguiram ampliar sua presença no debate eleitoral, mas também registraram aumento na parcela do eleitorado que afirma não votar neles de jeito nenhum. Para os próximos levantamentos, será importante verificar se essa alta foi apenas uma oscilação momentânea ou se representará uma tendência capaz de afetar o desempenho dos três candidatos na corrida presidencial.





