Bolsonaro pede a Moraes autorização para visita de candidatos da direita à presidência do Senado

O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou nesta quinta-feira (5) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), permissão para receber em seu domicílio o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ambos pré-candidatos da direita à presidência do Senado Federal na disputa marcada para fevereiro de 2027. Na petição, a defesa do ex-presidente pede ainda que o magistrado defina os dias permitidos, sugerindo preferencialmente terças, quartas ou quintas-feiras para as visitas.
Disputa interna na direita com acordo de unificação
Rogério Marinho, que comandou o Ministério do Desenvolvimento Regional durante o governo Bolsonaro, foi lançado oficialmente na quarta-feira (4) como o candidato do PL ao comando da Casa Legislativa. Tereza Cristina, que ocupou a pasta da Agricultura no mesmo período, também segue como candidata própria pelo PP. Apesar da disputa, os dois afirmam existir um acordo prévio: ao longo dos próximos meses, avaliarão qual dos dois apresenta maior viabilidade eleitoral, com o objetivo de unificar a candidatura antes da eleição de 1º de fevereiro de 2027. No evento de lançamento de Marinho, a senadora foi recebida como aliada, sem sinal de rompimento entre as legendas.
Alvo comum: a gestão de Alcolumbre no Senado
O principal ponto de convergência entre os dois nomes é a oposição à atual gestão do senador Davi Alcolumbre (União-AP) à frente do Senado. Bolsonaro e seus aliados criticam o fato de o presidente da Casa não ter pautado nenhum pedido de abertura de processo de verificação de responsabilidade contra ministros do Supremo Tribunal Federal. A cobrança se refere especificamente ao ministro Alexandre de Moraes, que é relator dos inquéritos sobre os fatos de 8 de janeiro e também sobre a campanha de desinformação digital. A cobrança de maior controle político sobre a Corte tornou-se uma das principais bandeiras da oposição bolsonarista nas discussões internas do Congresso.
Bolsonaro está em regime de prisão domiciliar
O ex-presidente encontra-se em prisão domiciliar desde março de 2026, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Em 2025, o Plenário do Supremo Tribunal Federal o condenou a 27 anos de reclusão por participação em organização que planejou impedir a transmissão pacífica da chefia do Poder Executivo após as eleições de 2022. Por essa razão, qualquer visita que não seja de familiares diretos depende de autorização judicial prévia do relator dos processos. Além dos dois pré-candidatos, Bolsonaro também solicitou permissão para receber o senador eleito Bruno Scheid (PL-RO).
Moraes é centro dos debates na disputa pelo Senado
A figura de Alexandre de Moraes permeia diretamente essa disputa eleitoral interna no Legislativo. Como relator da investigação sobre os atos de janeiro de 2023 e do inquérito sobre disseminação de informações falsas, o ministro é frequentemente citado por lideranças bolsonaristas como exemplo de atuação que mereceria apreciação pelo Senado. A possibilidade de um pedido de verificação de responsabilidade de um ministro da Corte tramitar na Casa é, portanto, um dos temas que deverá orientar as escolhas dos senadores na eleição do próximo presidente da instituição.
Visitas sinalizam articulação política mesmo em regime restritivo
A solicitação de autorização para receber lideranças partidárias mostra que, mesmo em situação de restrição de liberdade, Bolsonaro segue acompanhando e influenciando as articulações políticas de seu campo. O aguardo agora é a manifestação do ministro Moraes sobre os dias e condições das visitas. Enquanto isso, Marinho e Tereza Cristina seguem com seus roteiros de articulação junto aos demais senadores, buscando consolidar apoios para uma eleição que ainda está a mais de um ano de distância, mas já mobiliza as principais forças políticas do país.





