Cláudio Couto, professor da FGV, comentou sobre o cenário eleitoral neste segundo turno

O segundo turno da eleição presidencial de 2026 começou com uma disputa apertada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em análise exibida pelo UOL News, do Canal UOL, o professor da FGV Cláudio Couto avaliou que o cenário atual seria mais favorável à vitória de Flávio do que a uma eventual virada de Lula. A avaliação foi apresentada nesta segunda-feira, 5 de outubro, após a divulgação dos resultados do primeiro turno.
Segundo Couto, a diferença entre os dois candidatos é relativamente pequena, próxima de dois pontos percentuais, mas a maneira como cada um chegou ao segundo turno seria um elemento importante para sua análise. O professor afirmou que Flávio teria chegado à nova etapa em trajetória de crescimento, enquanto Lula estaria em uma situação que classificou como de estagnação. Para ele, portanto, a distância numérica não seria o único fator a ser considerado na avaliação do momento eleitoral.
A análise também levou em consideração o desempenho das forças políticas associadas aos candidatos durante o primeiro turno. Couto destacou o crescimento do PL e da direita nas eleições para o Congresso e para os governos estaduais como parte do ambiente político em que Flávio iniciou a campanha para a segunda etapa. O professor mencionou o número de senadores eleitos, governadores e o aumento da bancada do PL na Câmara como elementos que, em sua avaliação, ajudam a explicar o cenário.
Votos dos candidatos eliminados entram no cálculo
Outro ponto destacado por Cláudio Couto foi a origem política dos candidatos que ficaram fora do segundo turno. Na avaliação apresentada ao UOL News, os nomes que não avançaram estariam, em diferentes graus, associados ao campo da direita, o que poderia favorecer uma transferência de parte desses votos para Flávio Bolsonaro. Essa possibilidade, porém, depende do comportamento individual dos eleitores e das decisões políticas que serão tomadas pelos candidatos derrotados.
O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro e Lula separados por uma margem estreita, o que deixou milhões de votos distribuídos entre os demais candidatos. Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, por exemplo, ficaram fora da disputa presidencial que continuará em outubro. A partir de agora, as campanhas dos dois concorrentes deverão buscar esses eleitores, além daqueles que não compareceram às urnas na primeira etapa.
Couto argumentou que a movimentação desses votos será relevante porque o segundo turno começa sem a presença dos demais candidatos presidenciais. Na leitura apresentada pelo professor, a existência de uma quantidade expressiva de votos vinculados a candidaturas de direita cria uma possibilidade de transferência para Flávio, embora isso não signifique que todos esses eleitores seguirão a mesma direção. O comportamento desse grupo deverá ser acompanhado durante as próximas semanas de campanha.
Professor destaca diferença na trajetória dos candidatos
A avaliação de Cláudio Couto também considerou o fato de Flávio ter encerrado o primeiro turno numericamente à frente de Lula. Para o professor, a diferença percentual entre os dois não seria tão importante quanto a combinação entre o resultado obtido e a trajetória política de cada candidatura até o início do segundo turno. Essa interpretação foi apresentada como uma análise do cenário existente neste momento, e não como uma confirmação antecipada do resultado final.
O professor também relacionou o desempenho presidencial ao resultado obtido pelo campo político de Flávio nas demais disputas eleitorais. Segundo ele, o aumento da representação do PL no Congresso e a eleição de nomes ligados à direita fazem parte de um movimento mais amplo identificado no primeiro turno. Essa leitura considera tanto a eleição presidencial quanto a composição das bancadas e os resultados para os governos estaduais.
Ao comentar a possibilidade de Lula reverter a vantagem, Couto citou ainda a dificuldade histórica de virar uma disputa presidencial depois de terminar o primeiro turno atrás. Ele ressaltou, entretanto, que a diferença entre Flávio e Lula é pequena e que o segundo turno representa uma nova etapa da eleição. Dessa maneira, a avaliação apresentada no UOL News considera os dados do primeiro turno, mas reconhece que a campanha ainda terá novas movimentações até a votação.
Segundo turno começa com disputa aberta
Com Flávio Bolsonaro e Lula definidos como os dois concorrentes da segunda etapa, as campanhas entram agora em uma fase diferente da eleição. Os dois lados terão de reorganizar suas estratégias, ampliar alianças e buscar os votos dos candidatos que ficaram pelo caminho no primeiro turno. A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher o próximo presidente.
A análise de Cláudio Couto coloca a migração dos votos e o momento político de cada candidatura entre os principais fatores a serem observados nesta nova fase. Para o professor, Flávio chega ao segundo turno acompanhado pelo crescimento de forças políticas de direita, enquanto Lula precisaria buscar uma mudança no cenário registrado na primeira etapa. A disputa, portanto, será acompanhada também pelas decisões de partidos, candidatos derrotados e eleitores que ainda não definiram sua posição para a votação de outubro.
A avaliação do professor da FGV foi divulgada pelo UOL News poucas horas depois da conclusão do primeiro turno e representa uma interpretação sobre o cenário eleitoral naquele momento. Como a segunda etapa ainda estava no início, novas alianças, declarações e estratégias poderiam alterar o quadro político descrito na análise. O que já estava definido era a presença de Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno, após uma primeira votação marcada pela pequena diferença entre os dois.





