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Crise no STF torna reeleição de Alcolumbre no Senado incerta

Com 109 solicitações protocoladas, os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal encontram obstáculo no próprio calendário eleitoral. Senadores avaliam que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deverá evitar decisões sobre os processos antes do dia 4 de outubro, mas essa postura pode custar-lhe caro na tentativa de permanecer no comando do Senado a partir de fevereiro de 2027. A pressão aumenta à medida que a oposição sinaliza que, se conquistar maioria na nova legislatura, dará prioridade à apreciação dos requerimentos.

A posição de Alcolumbre é considerada frágil em qualquer cenário. Se Flávio Bolsonaro vencer a disputa presidencial, nomes como Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) surgem como fortes candidatos à Presidência do Senado. Já na hipótese de vitória da base governista, o foco permanece na reeleição de Lula, sem garantias de sustentação ao senador amapaense. O Centrão avalia que a aproximação tardia com o governo pode ter sido um erro estratégico, num momento em que as pesquisas apontam composição mais oposicionista para a próxima Casa.

A oposição liga a resistência de Alcolumbre em avançar com os processos a interesses pessoais e políticos. Um dos pontos citados é o caso da Amprev, fundo previdenciário do Amapá que aplicou R$ 400 milhões em títulos do Banco Master. O ex-tesoureiro do senador, Jocildo Silva Lemos, figura entre os investigados, e seu irmão, Alberto Alcolumbre, atua como conselheiro fiscal da instituição. A operação Zona Cinzenta apura gestão classificada como “atípica” e suspeita de desvio na aprovação de investimentos.

Outro elemento levantado é a relação com o ministro Alexandre de Moraes. Em setembro, Alcolumbre declarou ter sido alvo de críticas injustas ao questionar por que recursos destinados a projetos como o filme Dark Horse não recebem igual atenção. “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas e agora o culpado sou eu e o ministro Moraes”, afirmou. A fala reforça a percepção de que o presidente do Senado evita medidas que possam desgastar a imagem do magistrado.

A reaproximação com o Planalto ocorreu após meses de distanciamento, agravado pela rejeição de Jorge Messias ao Supremo — primeira vez em 132 anos que o Senado barrou um indicado à Corte. Alcolumbre teria articulado contra Messias após Lula recusar indicar Rodrigo Pacheco, seu aliado. Desde então, o senador afastou-se do grupo de Flávio Bolsonaro e passou a acelerar pautas de interesse do governo, buscando garantias de apoio para se manter no cargo. Porém, as perspectivas no próprio Amapá não são favoráveis.

No Estado, o cenário eleitoral sinaliza dificuldades para a sua base. O candidato aliado ao governo, Clécio Luís, aparece com 31%, enquanto o adversário Dr. Furlan registra 62%, com chance de vitória no primeiro turno. Na disputa ao Senado, os nomes ligados a Alcolumbre também não lideram. A combinação de resultados estaduais adversos com a tendência nacional de renovação da Casa reduz a margem de manobra do presidente, que enfrenta os próximos meses sem maioria consolidada e com a disputa pelo comando do Senado cada vez mais incerta.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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