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Cury, candidato do Avante, defendeu o uso de tecnologia para ajudar as mulheres

Augusto Cury protagonizou um dos momentos mais comentados da entrevista concedida à TV Globo ao pedir que Renata Vasconcellos deixasse de lado a discussão sobre o uso de drones contra a violência contra as mulheres. O candidato do Avante à Presidência da República havia apresentado uma proposta que combinava um aplicativo de emergência com drones equipados com sirenes para tentar interromper agressões e evitar feminicídios. Entretanto, quando a jornalista passou a questionar a viabilidade da ideia diante das diferenças de infraestrutura existentes no país, Cury afirmou que ela estava se prendendo a um detalhe pequeno.

A sabatina ocorreu no sábado, 29 de agosto de 2026, e encerrou a série de entrevistas da TV Globo com os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest divulgada em agosto. Cury foi entrevistado por Renata Vasconcellos e César Tralli, em uma conversa que abordou segurança pública, inteligência artificial, saúde, educação emocional e mudanças na estrutura do governo federal. Nesse contexto, a discussão sobre os drones acabou ganhando grande destaque justamente porque o próprio candidato havia apresentado a tecnologia como parte de sua estratégia contra a violência.

A proposta havia sido apresentada por Cury como uma tentativa de tornar mais rápida a resposta das autoridades diante de situações de ameaça. Segundo sua explicação, uma mulher poderia acionar um botão de alerta em um aplicativo, permitindo que sua localização fosse enviada para uma unidade policial, enquanto drones poderiam ser utilizados em determinadas regiões para emitir sinais sonoros e dificultar uma agressão. A ideia, porém, foi submetida a questionamentos sobre cobertura territorial, conexão de internet e estrutura necessária para que os equipamentos pudessem funcionar de maneira eficiente.

Augusto Cury defendeu drones para combater a violência

Durante a entrevista, Augusto Cury explicou que os drones seriam utilizados principalmente em grandes centros urbanos e não necessariamente em todas as localidades brasileiras. O candidato mencionou equipamentos equipados com sirenes que poderiam chegar ao local de uma ocorrência e emitir um alerta para tentar interromper uma agressão ou dificultar uma ação rápida do agressor. A proposta foi apresentada como parte de uma política de segurança baseada no uso de tecnologia para acelerar a atuação do poder público.

Renata Vasconcellos, entretanto, questionou como uma medida desse tipo poderia ser aplicada em um país com realidades muito diferentes entre cidades e regiões. A jornalista chamou atenção para locais onde existem limitações de conectividade e infraestrutura, o que poderia comprometer o funcionamento de um sistema dependente de tecnologia e comunicação rápida. Diante desse questionamento, Cury reagiu dizendo que a discussão estava concentrada excessivamente no equipamento e tentou levar a conversa novamente para o aplicativo de emergência.

Foi nesse momento que ocorreu a frase que acabou dando nome à repercussão da entrevista: “Esquece o drone, Renata”. Cury afirmou que a entrevistadora estava se prendendo a um “detalhe pequeno” e insistiu que o principal objetivo de sua proposta seria permitir que uma mulher em situação de risco conseguisse pedir socorro rapidamente. Dessa maneira, o candidato passou a apresentar o aplicativo como o elemento central de sua estratégia, deixando os drones em uma posição secundária.

Entrevista de Augusto Cury teve momentos de tensão

A discussão sobre os drones não foi o único momento de tensão protagonizado por Augusto Cury durante a sabatina. Em outro trecho, o candidato foi questionado por Renata sobre uma proposta relacionada à educação emocional dos professores e reagiu ao ser levantada a possibilidade de conflito de interesses com uma iniciativa privada ligada à sua trajetória profissional. Cury contestou a abordagem e perguntou à jornalista onde ela havia encontrado a informação de que ele estaria propondo ao governo a adoção de seu próprio programa.

O candidato também entrou em outro momento de confronto durante uma pergunta feita por César Tralli sobre sua proposta de ampliar a utilização da telemedicina no Sistema Único de Saúde. Cury respondeu afirmando que era médico e questionou se o jornalista havia se esquecido disso, enquanto defendia uma maior utilização da tecnologia nos atendimentos básicos. Assim, a participação do candidato foi marcada não apenas pelas propostas apresentadas, mas também pelas respostas firmes dadas aos entrevistadores diante dos questionamentos sobre a viabilidade de suas ideias.

Apesar das reações mais duras, Cury apresentou durante a entrevista um programa que colocou a tecnologia no centro de diversas áreas do governo. O candidato defendeu a criação de um Ministério da Inteligência Artificial, a digitalização da administração pública, a redução da estrutura federal e uma utilização mais ampla de ferramentas digitais nos serviços públicos. Além disso, a segurança contra a violência feminina foi inserida nesse projeto de modernização, com o aplicativo de emergência sendo apontado como uma ferramenta para acelerar o atendimento policial.

Augusto Cury tentou explicar sua proposta para as mulheres

A preocupação com a violência contra as mulheres foi apresentada por Cury como uma das justificativas para a utilização de novas tecnologias na segurança pública. Durante a entrevista, os jornalistas lembraram que milhares de mulheres são vítimas de violência e feminicídio no país, enquanto o candidato argumentou que uma resposta mais rápida poderia evitar que algumas agressões chegassem a consequências ainda mais graves. Nesse cenário, o aplicativo com localização georreferenciada passou a ser apresentado como a principal ferramenta de sua proposta.

A repercussão da expressão “esquece o drone” mostrou, entretanto, como uma proposta eleitoral pode ser modificada ou reposicionada durante uma entrevista quando seus detalhes são submetidos a questionamentos. Embora Cury tenha inicialmente defendido os drones como parte da estratégia, ele posteriormente procurou reduzir a importância do equipamento e enfatizar o sistema de alerta por celular. Agora, caberá aos eleitores avaliar se essa combinação de tecnologia, segurança e resposta rápida apresenta condições concretas para ser transformada em política pública caso o candidato chegue à Presidência.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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