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Dino cita contratos de até R$ 3 milhões em operação contra aliado de André Mendonça

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a continuidade da Operação Transparência 3, que investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e duas advogadas. A decisão cita contratos com honorários que podem chegar a R$ 3 milhões, além de registros de contatos do parlamentar com ministros da própria Corte. Segundo a Polícia Federal, o grupo atuaria de forma coordenada: a advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, captava e formalizava causas; o deputado buscava aproximação com magistrados em favor de clientes; e a advogada Valéria Rodrigues Linhares cuidava da elaboração e assinatura dos contratos.

A dinâmica apontada pelos investigadores sugere um ciclo de atuação repetido: Fialek encaminhava peças e informações processuais ao parlamentar; ele informava ter conversado ou despachado com alguém; em seguida, cobravam-se notícias sobre o andamento e o resultado. Parte dos contratos previa pagamento condicionado ao êxito nos processos, o que é um dos pontos analisados com atenção. Mensagens recolhidas fazem referência a memoriais destinados aos ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Edson Fachin, com expressões interpretadas pela PF como indicação de pedido pessoal e não apenas entrega de documentos.

A existência de contatos, despachos ou solicitações junto a ministros, por si só, não configura irregularidade. Cabe à investigação demonstrar se houve intermediação indevida, troca de favores ou conduta que ultrapasse o exercício legítimo da advocacia e da atividade parlamentar. A decisão ressalta que cada elemento será avaliado com rigor, distinguindo a atuação profissional lícita de práticas que possam comprometer a imparcialidade dos julgamentos. O próprio fato de os nomes dos magistrados aparecerem nas mensagens não os torna alvos da apuração, mas ajuda a reconstruir o contexto dos fatos.

Um dos casos destacados envolve a Reclamação Constitucional nº 81.608, em trâmite no STF. Em julho de 2025, foi firmado documento que previa cessão de R$ 1 milhão em honorários em caso de sucesso; um aditivo acrescentou mais R$ 2 milhões se o contratante obtivesse liberdade, mesmo que sujeito a medidas cautelares. O valor total de até R$ 3 milhões deveria ser pago em até dez dias após o desfecho. O montante é considerado expressivo e integra o conjunto de indícios que justificam o aprofundamento das diligências.

Outro ponto em análise diz respeito ao vínculo entre os envolvidos. O relatório da PF aponta Valéria Rodrigues Linhares como esposa do deputado, informação contestada por sua assessoria, que afirma ela nunca ter sido casada com o parlamentar. A divergência deverá ser esclarecida ao longo da investigação. Em agosto, foram apreendidos R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão da advogada; sua defesa informou que aguardará acesso integral aos autos antes de se manifestar sobre o numerário e os demais elementos reunidos.

A próxima etapa da operação deverá examinar detalhadamente cada contrato, troca de mensagens e registro de encontros. O cerne da apuração será definir a finalidade dos contatos com integrantes do Supremo, se houve qualquer tipo de contrapartida e se os honorários atrelados ao resultado configuram mecanismo que transcende a remuneração por serviços jurídicos. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que os fatos sejam esclarecidos com clareza, preservando a confiança nas instituições e no funcionamento independente dos tribunais superiores.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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