Flávio Bolsonaro negou qualquer tipo de envolvimento com criminosos e mandou um recado para os eleitores

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, negou ter envolvimento com milícias e afirmou que pretende combater esses grupos criminosos caso seja eleito. A declaração foi feita durante o debate realizado pela TV Globo na sexta-feira, 23 de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou o adversário de miliciano durante uma discussão entre os dois candidatos. O episódio provocou novas trocas de acusações no último confronto televisivo antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25 de outubro de 2026.
Segundo reportagem publicada pelo Poder360 em 24 de outubro, Flávio utilizou um direito de resposta para contestar a associação feita por Lula e apresentar suas propostas para a área de segurança pública. O senador afirmou que nunca havia sido investigado por envolvimento com milícias e declarou que pretendia endurecer as medidas contra esses grupos caso chegasse ao Palácio do Planalto. Entre as propostas mencionadas, ele defendeu classificar milicianos como integrantes de organizações narcoterroristas, com penas mais rigorosas para os envolvidos.
A discussão ocorreu em meio a uma sequência de ataques pessoais e questionamentos sobre o histórico político dos dois candidatos. Lula associou Flávio a episódios envolvendo pessoas apontadas como integrantes de milícias, enquanto o senador negou as acusações e procurou direcionar a discussão para suas propostas de combate ao crime organizado. O confronto colocou novamente em evidência questões relacionadas à segurança pública, às relações políticas e às medidas que cada candidato afirma pretender adotar em um eventual governo.
Flávio nega envolvimento com milícias e apresenta proposta de segurança
Durante o direito de resposta concedido pela organização do debate, Flávio afirmou que Lula insistia em acusá-lo de crimes que, segundo o senador, nunca havia cometido. O candidato do PL negou ter sido investigado por envolvimento com milícias e contestou diretamente a declaração feita pelo presidente durante o programa. Em seguida, afirmou que pretendia combater essas organizações e classificá-las como grupos narcoterroristas, defendendo um endurecimento das punições contra seus integrantes.
Na manifestação, Flávio também declarou que pretendia enfrentar o domínio territorial exercido por milícias e traficantes em comunidades brasileiras. O senador afirmou que seu objetivo seria permitir que moradores dessas regiões circulassem com mais segurança e deixassem de viver sob ameaças de organizações criminosas. A proposta foi apresentada como parte de sua agenda de segurança pública, que inclui medidas mais rígidas contra grupos envolvidos em atividades ilegais.
A classificação de milícias como organizações narcoterroristas não surgiu apenas durante o debate da TV Globo, pois Flávio já havia defendido publicamente uma medida semelhante antes do confronto com Lula. Em junho de 2026, o senador apresentou propostas para a segurança pública e incluiu milícias e facções criminosas entre os grupos que, segundo sua posição, deveriam receber esse enquadramento. Durante o debate, portanto, ele retomou uma ideia que já fazia parte de seu discurso político e a utilizou para responder à acusação do adversário.
Lula menciona episódios envolvendo pessoas ligadas a milícias
A acusação feita por Lula ocorreu depois de Flávio se referir ao presidente como “nove dedos”, em alusão à perda de um dedo da mão esquerda sofrida pelo petista em um acidente de trabalho. Lula reagiu à expressão e afirmou que não permitiria ser chamado dessa maneira por alguém que classificou como miliciano. A troca de ofensas levou os dois candidatos a discutirem suas trajetórias pessoais e políticas, desviando parte do confronto das propostas para a segurança pública.
Entre os episódios mencionados no contexto das acusações está a concessão da Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro apontado pelo Ministério Público como integrante de uma milícia. Segundo o Poder360, Flávio concedeu a honraria em 2005, quando exercia mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Adriano foi morto em fevereiro de 2020, durante uma operação policial na Bahia, e sua trajetória passou a ser citada repetidamente em discussões políticas sobre as relações entre agentes públicos e grupos criminosos.
A reportagem do Poder360 também informou que a ex-mulher e a mãe de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa, segundo investigações relacionadas ao caso. Outro episódio citado pelo veículo envolve uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 destinada, em 2026, a um instituto esportivo, a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, apontado como miliciano e condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. Esses registros ajudam a explicar por que as relações políticas atribuídas ao senador voltaram ao centro do debate, embora Flávio tenha negado envolvimento com milícias.
Acusações ampliam disputa sobre segurança pública na eleição
O embate entre Lula e Flávio mostrou como a segurança pública permaneceu entre os principais assuntos da reta final da campanha presidencial. Ao chamar o adversário de miliciano, o presidente retomou questionamentos sobre episódios anteriores relacionados ao senador, enquanto Flávio utilizou o direito de resposta para negar as acusações e apresentar medidas que pretende adotar contra organizações criminosas. A discussão também refletiu a tentativa de cada campanha de associar o concorrente a questões consideradas relevantes para o eleitorado.
Flávio afirmou que pretende ampliar o rigor contra milícias e traficantes, enquanto Lula utilizou as acusações para questionar o histórico do candidato do PL. As declarações dos dois políticos ocorreram durante o último debate presidencial antes da votação de segundo turno, quando ambos procuravam reforçar suas posições diante dos eleitores. A discussão terminou com a promessa de Flávio de classificar milicianos como integrantes de organizações narcoterroristas, caso seja eleito presidente da República.





