Flávio Bolsonaro participou de uma missa na Catedral de Brasília após convite do cardeal Dom Paulo Cezar costa

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, participou nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A celebração ocorreu na Catedral Metropolitana de Brasília, no feriado dedicado à santa, em meio à repercussão de uma controvérsia eleitoral envolvendo informações falsas sobre uma suposta intenção do parlamentar de retirar o título de padroeira do país da imagem religiosa. A presença de Flávio na cerimônia foi interpretada no contexto da campanha como uma tentativa de reduzir os efeitos da polêmica junto ao eleitorado católico.
O candidato compareceu à celebração acompanhado de aliados políticos, entre eles o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), indicado para disputar a Vice-Presidência em sua chapa, além de outras figuras ligadas ao grupo político. A agenda religiosa ocorreu em uma data de grande importância para os católicos brasileiros e poucos dias depois de a disputa pela padroeira ganhar espaço nas redes sociais e nos discursos eleitorais. A participação de Flávio também aconteceu no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha compromisso religioso em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, em Brasília.
A controvérsia começou após publicações nas redes sociais associarem o senador a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O conteúdo circulou durante a campanha eleitoral e provocou reações de Flávio, que negou a intenção e classificou a informação como falsa, atribuindo a disseminação do boato a adversários políticos. A participação na missa ocorreu, portanto, em um cenário no qual a imagem da santa passou a integrar o debate entre os dois candidatos que disputam o segundo turno presidencial.
A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
As publicações que deram origem à controvérsia utilizaram como referência um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que pretendia alterar a legislação relacionada ao título de padroeira do Brasil. A proposta sugeria substituir a expressão que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil por uma referência à padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos. O projeto, porém, não foi apresentado por Flávio Bolsonaro, foi rejeitado na Câmara dos Deputados e acabou arquivado em 2008.
A informação falsa que circulou nas redes sociais atribuiu ao senador uma intenção de retirar o título da santa, embora não houvesse evidência de que ele tivesse anunciado uma iniciativa nesse sentido. Flávio negou que pretendesse apresentar uma proposta para alterar o reconhecimento religioso e criticou a circulação das mensagens durante a campanha. O episódio ganhou dimensão nacional porque envolveu um símbolo religioso de grande importância para os católicos e levantou questionamentos sobre o uso de informações enganosas na disputa eleitoral.
A controvérsia também chegou à Justiça Eleitoral, que analisou conteúdos publicados na internet relacionando o candidato à suposta retirada do título de padroeira. O Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção de publicações que atribuíam a Flávio a iniciativa, em decisões relacionadas à divulgação de informações consideradas falsas. A discussão judicial reforçou a distinção entre o projeto antigo, apresentado por outro parlamentar, e as alegações feitas nas redes sociais sobre as intenções do candidato do PL.
Religião ganha espaço na campanha presidencial
A participação de Flávio na missa de Brasília ocorreu em um momento no qual as duas campanhas procuravam dialogar com eleitores católicos. Nossa Senhora Aparecida, celebrada nacionalmente em 12 de outubro, tornou-se um dos temas religiosos mais presentes na disputa eleitoral depois da circulação do boato. A agenda do candidato do PL incluiu a cerimônia na Catedral Metropolitana, enquanto Lula também tinha compromisso religioso no feriado dedicado à padroeira.
Nas semanas anteriores, Lula havia abordado o assunto em declarações públicas e defendido a importância de Nossa Senhora Aparecida para o país. Em atos de campanha, o presidente exibiu imagens religiosas e criticou o que considerou desrespeito à padroeira, embora a informação sobre a suposta intenção de Flávio tenha sido desmentida. A controvérsia acabou sendo incorporada ao confronto político, com os dois lados apresentando versões distintas sobre a origem e a utilização eleitoral do episódio.
Flávio, por sua vez, acusou adversários de disseminar a informação falsa e negou qualquer plano para alterar o título da santa. O senador também criticou a repercussão do assunto e afirmou que a notícia prejudicava sua imagem junto ao público religioso. A presença na missa deste 12 de outubro foi acompanhada de atenção política justamente porque aconteceu depois de semanas de discussão pública sobre a relação do candidato com a padroeira do Brasil.
Repercussão entre católicos e próximos passos da campanha
A celebração religiosa em Brasília teve significado especial por ocorrer na reta final da disputa presidencial, com Flávio e Lula buscando ampliar o apoio de diferentes segmentos do eleitorado. A participação do senador não altera o conteúdo das decisões judiciais relacionadas à polêmica, mas se insere na sequência de iniciativas públicas dos candidatos em torno do tema religioso. A aproximação do segundo turno também aumenta a atenção sobre declarações, gestos e compromissos de campanha que possam repercutir entre os eleitores.
O caso ainda provocou atritos entre Flávio e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), depois que o senador acusou integrantes da entidade de terem contribuído para a disseminação do boato. A CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da divulgação de informações falsas relacionadas à eleição e repudiou a desinformação. A entidade também ressaltou que informações enganosas não devem ser combatidas com novas acusações sem comprovação, em uma resposta que ampliou a repercussão do episódio.
Com a participação na missa de Nossa Senhora Aparecida, Flávio voltou a aparecer publicamente em uma agenda ligada à tradição católica brasileira, após negar a informação de que pretendia retirar o título de padroeira da santa. O episódio demonstra como temas religiosos passaram a ocupar espaço no debate político do segundo turno e como informações falsas podem provocar disputas públicas e judiciais durante uma campanha. A controvérsia deve continuar sendo mencionada no confronto entre os candidatos, enquanto os eleitores acompanham as propostas, declarações e agendas dos dois concorrentes à Presidência.





