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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comentou sobre a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado, 31 de outubro, que o governo norte-americano tenha ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil e organizar sua viagem até Miami. Durante uma entrevista coletiva realizada em Atlanta, na Geórgia, o integrante do governo Donald Trump afirmou que Washington não participou dos preparativos para a saída do senador, apesar de o presidente norte-americano ter decidido autorizar pessoalmente sua entrada nos Estados Unidos. A declaração acrescentou um novo capítulo à controvérsia internacional envolvendo o deslocamento de Flávio e de seus familiares depois da derrota na eleição presidencial brasileira.

Ao ser questionado sobre a participação dos Estados Unidos na viagem, Rubio respondeu que o governo não havia facilitado a saída do senador do território brasileiro. O secretário afirmou que as autoridades norte-americanas souberam que Flávio chegaria ao país e que ele já possuía um visto, mas ressaltou que a administração não participou diretamente dos arranjos realizados para viabilizar o deslocamento. Ao mesmo tempo, confirmou que Donald Trump havia determinado que o parlamentar teria autorização para entrar no território norte-americano caso chegasse a um ponto de controle migratório dos Estados Unidos.

A manifestação de Rubio ocorreu depois que reportagens de veículos internacionais apontaram a participação de pessoas próximas à Casa Branca na organização do transporte aéreo utilizado pelo senador. O jornal The New York Times e o The Wall Street Journal publicaram informações segundo as quais Jason Miller, assessor de comunicação de Trump e antigo aliado político da família Bolsonaro, teria ajudado a providenciar o jato particular que levou Flávio da Argentina até a Flórida. A existência desses relatos aumentou os questionamentos sobre a diferença entre a posição oficial do governo norte-americano e a atuação de pessoas ligadas ao círculo de confiança do presidente.

Rubio separa organização da viagem e autorização para entrada nos EUA

Na entrevista coletiva em Atlanta, Rubio procurou distinguir a organização do deslocamento de Flávio da decisão de permitir que ele ingressasse nos Estados Unidos. O secretário declarou que o governo não participou dos movimentos realizados pelo senador para deixar o Brasil, mas confirmou que Trump havia manifestado previamente sua disposição de autorizar a entrada do brasileiro. Segundo a explicação apresentada, a decisão presidencial foi aplicada quando Flávio chegou ao controle migratório norte-americano, onde recebeu a autorização necessária para permanecer no país.

A declaração também esclareceu que a autorização de entrada não significou, na versão apresentada por Rubio, que o governo tivesse organizado o transporte ou participado das etapas anteriores da viagem. O secretário afirmou que as autoridades apenas tomaram conhecimento de que o senador chegaria aos Estados Unidos e que ele já contava com um visto, enquanto Trump decidiu permitir sua entrada. Essa distinção passou a ser central no debate porque as reportagens publicadas nos dias anteriores apontaram que um assessor ligado à Casa Branca teria atuado na contratação da aeronave particular.

A autorização concedida a Flávio ocorreu por meio de um procedimento migratório que permitiu sua entrada nos Estados Unidos, apesar das circunstâncias judiciais que envolviam sua saída do Brasil. O senador chegou a Miami na quarta-feira, 28 de outubro, acompanhado da mulher e das duas filhas, depois de percorrer um trajeto que incluiu deslocamento terrestre até a Argentina e uma viagem em avião particular. A decisão de Trump de permitir sua entrada foi confirmada publicamente por Rubio, mas o secretário negou que o governo tenha participado diretamente da logística utilizada para retirar o parlamentar do território brasileiro.

Reportagens apontam participação de Jason Miller na contratação do avião

O The Wall Street Journal informou que Jason Miller integrou um pequeno grupo de pessoas que, em contato com Eduardo Bolsonaro, providenciou o jato particular utilizado por Flávio para viajar da Argentina até a Flórida. De acordo com o jornal, a organização do transporte começou na segunda-feira, 26 de outubro, depois que uma decisão judicial determinou que o senador entregasse seus passaportes. A publicação descreveu a atuação do assessor como parte de uma articulação que envolveu pessoas próximas à família Bolsonaro e integrantes do ambiente político norte-americano.

O The New York Times também atribuiu a Miller a organização da aeronave, citando uma pessoa familiarizada com os detalhes logísticos da viagem. Procurado pelo jornal, o assessor de Trump se recusou a comentar sua possível participação no planejamento do transporte. Miller mantém uma relação antiga com os Bolsonaro e participou de campanhas presidenciais de Donald Trump, além de ter retornado à Casa Branca em agosto para atuar na preparação dos republicanos para as eleições legislativas norte-americanas.

Atualmente, Miller ocupa uma função conhecida como special government employee, categoria utilizada pelo governo dos Estados Unidos para profissionais que prestam serviços temporários ou com atribuições limitadas. Sua proximidade com Trump e o histórico de relacionamento com a família Bolsonaro fizeram com que as informações sobre sua possível participação na viagem ganhassem relevância política. A negativa de Rubio sobre o envolvimento direto do governo não esclareceu, por si só, se Miller atuou na condição de assessor, por iniciativa pessoal ou em articulação com outras pessoas envolvidas no deslocamento.

Deputados democratas cobram explicações sobre apoio à viagem

A controvérsia também chegou ao Congresso dos Estados Unidos, onde 25 deputados democratas encaminharam uma carta a Marco Rubio solicitando esclarecimentos sobre a eventual participação de autoridades norte-americanas na saída de Flávio do Brasil. Os parlamentares querem saber quem autorizou os procedimentos migratórios, quando os documentos foram concedidos e se o governo tinha conhecimento das restrições judiciais brasileiras antes de permitir a entrada do senador. O grupo também questionou se funcionários da Casa Branca, do Departamento de Estado ou de outras agências participaram da organização dos voos e dos deslocamentos internacionais.

A iniciativa foi liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, que solicitaram respostas por escrito e uma reunião com representantes do Departamento de Estado até 13 de novembro. A carta também questiona se houve contatos entre autoridades norte-americanas e pessoas ligadas à família Bolsonaro, incluindo Eduardo Bolsonaro, assessores políticos e intermediários responsáveis pela viagem. Os parlamentares querem esclarecer ainda se funcionários dos Estados Unidos na Argentina ou no Equador participaram de alguma etapa do itinerário.

A cobrança dos democratas amplia a pressão por explicações sobre a diferença entre a autorização migratória concedida por Trump e a possível atuação de pessoas próximas ao governo na organização do transporte. Enquanto Rubio sustenta que os Estados Unidos não participaram diretamente dos movimentos realizados para Flávio deixar o Brasil, reportagens de jornais norte-americanos apontam que Jason Miller teria ajudado a providenciar a aeronave. A investigação das circunstâncias da viagem e os esclarecimentos solicitados ao Departamento de Estado deverão ajudar a estabelecer com maior precisão quem participou dos preparativos e qual foi o alcance da atuação de pessoas ligadas à administração Trump.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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