Geral

Tebet diz não se arrepender de críticas a Lula: ‘Não mudo uma linha do que eu disse’

A candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), afirmou nesta quinta-feira (27), durante sabatina no programa Jornal da Manhã, da Jovem Pan, que não se arrepende das críticas feitas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração recolocou no centro do debate político uma posição que Tebet já havia manifestado antes das eleições de 2022 e que, segundo ela, continua válida. A ex-ministra do Planejamento explicou que não considera contraditório ter feito críticas ao atual governo e, ao mesmo tempo, ter ocupado uma função no Executivo durante a gestão de Lula. Para ela, é necessário estabelecer uma distinção entre a responsabilidade política de um governante e eventual responsabilidade civil ou criminal por fatos ocorridos durante uma administração. “Uma coisa é responsabilidade política e outra coisa é a responsabilidade civil e criminal de um presidente da República ou de um prefeito”, afirmou durante a entrevista. A fala ocorre em um momento de intensa movimentação no cenário eleitoral, com diferentes grupos políticos buscando consolidar discursos e alianças para a próxima disputa nacional.

Ao explicar sua posição, Tebet retomou episódios que marcaram a política brasileira nos últimos anos. Entre eles, mencionou o chamado Petrolão, conjunto de investigações relacionadas a desvios e contratos envolvendo a Petrobras e diversos agentes políticos e empresariais. A candidata afirmou que, naquele período, considerava o caso o maior esquema de corrupção já registrado no país até então. Ela ressaltou, porém, que as investigações alcançaram diferentes partidos e que sua avaliação não estava direcionada exclusivamente a uma legenda. Tebet citou especialmente o MDB, partido ao qual pertenceu, e o PP entre as siglas que, segundo ela, tiveram integrantes beneficiados naquele contexto. Ao recuperar esse episódio, a candidata procurou reforçar que suas críticas políticas não significam atribuir automaticamente responsabilidade criminal a todos os integrantes de um governo ou partido. A distinção, segundo sua argumentação, é fundamental para evitar generalizações em um ambiente político marcado por disputas cada vez mais acirradas e pela cobrança por posicionamentos claros de candidatos e autoridades.

Na sequência, Simone Tebet também mencionou o Mensalão e citou o PL, partido atualmente associado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A parlamentar fez questão de destacar que a referência ao partido não significava atribuir envolvimento ao candidato ou a integrantes de sua família. Segundo Tebet, é preciso separar as responsabilidades individuais das ações atribuídas a organizações partidárias ou agentes específicos. A declaração também serviu para contextualizar uma crítica feita por ela em 2022, quando participou de uma sabatina promovida pelo Estadão em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Na ocasião, Tebet declarou que não acreditava em um novo governo Lula e justificou sua própria candidatura como uma forma de participar do debate político e defender uma proposta de fortalecimento institucional. Agora, ao relembrar aquela declaração, ela afirma que não mudaria uma linha do que disse naquele momento. A avaliação reforça a imagem de uma trajetória política marcada por posições independentes e pela tentativa de dialogar com diferentes setores do eleitorado.

Durante a entrevista, Tebet também voltou sua atenção para outro assunto que ganhou espaço no debate econômico e político brasileiro: o caso envolvendo o Banco Master. A candidata, que exerceu mandato de senadora durante o governo de Jair Bolsonaro, afirmou que considera o episódio de grande relevância para o sistema financeiro nacional. Segundo ela, o banco, comandado por Daniel Vorcaro, ampliou sua atuação e estabeleceu relações com bancos públicos e fintechs durante a administração anterior. Tebet classificou as denúncias relacionadas à instituição como um dos casos mais relevantes já registrados no sistema financeiro brasileiro e defendeu que os fatos sejam analisados com atenção pelas autoridades responsáveis. A declaração acrescenta uma nova dimensão ao discurso da candidata, que procura apresentar uma visão crítica sobre acontecimentos associados a diferentes governos e grupos políticos. Ao citar períodos distintos da história recente, Tebet tenta sustentar que sua cobrança por transparência e responsabilidade deve ser aplicada independentemente da legenda envolvida.

O posicionamento chama atenção justamente porque Tebet procura se apresentar como uma figura que não pretende limitar suas críticas a apenas um campo político. Ao mencionar governos de diferentes períodos, partidos de variadas correntes e episódios que ainda despertam discussões no país, ela reforça a defesa de uma atuação baseada na fiscalização e na cobrança por respostas. A estratégia também pode ganhar importância no contexto eleitoral, em que candidatos buscam conquistar eleitores que não se identificam integralmente com os principais polos da política nacional. Para Tebet, a experiência acumulada como senadora e integrante do governo federal oferece elementos para defender uma atuação mais independente. Ao mesmo tempo, suas declarações sobre Lula mostram que sua avaliação política continua distinta daquela adotada por integrantes da atual administração. O discurso apresentado na sabatina combina críticas, contextualização histórica e uma defesa explícita da separação entre responsabilidade política e responsabilização individual, tema que costuma gerar debates importantes durante períodos eleitorais.

A entrevista na Jovem Pan, portanto, recolocou Simone Tebet no centro de uma discussão que ultrapassa a disputa por uma cadeira no Senado. Ao reafirmar críticas feitas anos atrás, citar episódios envolvendo diferentes partidos e abordar o caso do Banco Master, a candidata construiu uma narrativa baseada na cobrança por transparência e na análise das responsabilidades de cada agente público. Sua declaração de que não se arrepende do que afirmou em 2022 sinaliza que pretende manter uma linha política coerente com as posições apresentadas anteriormente, mesmo diante das mudanças no cenário nacional. Ao mesmo tempo, a referência a diferentes administrações procura mostrar que sua postura não estaria condicionada à proximidade partidária. Com o avanço do calendário eleitoral, declarações desse tipo tendem a ganhar ainda mais espaço no debate público, principalmente entre eleitores que acompanham as movimentações em São Paulo e as possíveis configurações para o Senado. O posicionamento de Tebet, agora reafirmado, acrescenta mais um capítulo à disputa política brasileira e promete alimentar novas discussões sobre governo, fiscalização, responsabilidade pública e futuro eleitoral.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *