Trump se manifesta após Flávio Bolsonaro publicar carta de teor golpista

A primeira manifestação pública do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos trouxe novos elementos à polêmica em torno das eleições presidenciais de 2026. Em documento divulgado nesta quarta-feira, 28 de outubro, ele questiona o resultado oficial das urnas, alegando irregularidades sem apresentar provas concretas. A repercussão chegou à Casa Branca, onde o presidente Donald Trump optou por não se aprofundar no assunto, embora tenha feito uma observação sobre o processo eleitoral brasileiro.
Trump evita posicionamento oficial
Questionado por jornalistas sobre as afirmações de Flávio Bolsonaro, Trump respondeu de forma cautelosa: “Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha”. A resposta evitou endossar ou refutar as acusações de fraude eleitoral feitas pelo senador brasileiro, ainda que na véspera o presidente americano tenha sugerido publicamente que as eleições no Brasil “pareceram ter algo incomum”. A posição oficial permanece sem declarações formais de reconhecimento ou contestação ao resultado proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira.
Versão inicial da carta trazia autoproclamação
Na primeira versão do texto, divulgada por um aliado nos Estados Unidos, Flávio se dirigiu aos brasileiros e à comunidade internacional como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, repetindo a afirmação duas vezes. Poucas horas depois, porém, a mensagem foi alterada. A expressão foi substituída nas redes sociais por “a voz e a liderança da nossa nação”. A coletiva de imprensa que estava marcada para a manhã desta quinta-feira, 29, foi cancelada, dando lugar à publicação apenas do documento escrito.
Argumentos da carta e dados oficiais divergem
Flávio atribuiu a suposta fraude à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que prorrogou a votação até as 19h em todo o território nacional. Segundo ele, essa medida teria permitido que milhões de votos fossem adicionados de forma irregular. Porém, dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral mostram que 34.393 eleitores votaram após o horário original de fechamento — um número que, mesmo somado integralmente à sua votação, não altera a diferença final de aproximadamente 4,4 milhões de votos a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador também afirma que teria havido um aumento impossível de votos entre o primeiro e o segundo turno, sem apresentar elementos técnicos que sustentem a afirmação.
Rota da viagem é esclarecida pelas autoridades argentinas
O trajeto percorrido por Flávio e sua família também foi esclarecido oficialmente. Após inicialmente negar a entrada do senador em seu território, a Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que ele cruzou a fronteira pouco antes da meia-noite de segunda-feira, portando documentação válida. Decolou do aeroporto de Puerto Iguazú em um avião particular da empresa Baires Fly S.A., com escala técnica em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami. A viagem ocorreu apesar da ordem judicial que o impedia de deixar o país e após o cancelamento de seus passaportes.
Perseguição política é mencionada como motivação
Na carta, Flávio Bolsonaro afirma ter saído do Brasil por medo de perseguição política, que diz ter começado com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se estendido a milhares de brasileiros. A narrativa adotada busca enquadrar sua situação pessoal dentro de um contexto mais amplo de disputa política. Cabe às autoridades brasileiras avaliar se há elementos que justifiquem essa classificação ou se trata de uma interpretação pessoal dos fatos. Enquanto isso, o processo eleitoral segue reconhecido internacionalmente, com Lula sendo reafirmado como presidente eleito do Brasil.





