Vorcaro diz que Moraes pediu menção a encontro com Blair em reportagem

Mensagens analisadas pela Polícia Federal colocam o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, no centro de uma nova frente de atenção envolvendo autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) e a divulgação de informações sobre um encontro com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Segundo relatório elaborado pela corporação, uma conversa registrada no celular do banqueiro mostra que ele teria encaminhado a um jornalista um pedido atribuído ao ministro Alexandre de Moraes para que uma reportagem mencionasse uma reunião privada com integrantes do Supremo. O episódio ocorreu em abril de 2024, durante um evento realizado em Londres, e passou a integrar as informações tornadas públicas após a retirada do sigilo do processo.
De acordo com os dados apresentados pela PF, em 26 de abril de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a um contato identificado como “GERALDO BRAZIL JOURNAL”. Na conversa, o banqueiro pediu que fosse acrescentada à reportagem uma referência à presença de ministros do STF em um encontro com Tony Blair. A mensagem atribuída a Vorcaro dizia que Alexandre havia solicitado, “se possível”, a inclusão da informação de que, antes do evento, ele havia se reunido com os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Na sequência, Vorcaro esclareceu que a informação deveria constar na matéria sobre Blair que seria publicada.
O encontro mencionado nas mensagens está relacionado ao “1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias”, realizado em Londres em abril de 2024. Tony Blair participou da programação como palestrante, enquanto Moraes e outros integrantes do STF também estiveram presentes. A documentação analisada pela Polícia Federal não apenas reproduz o conteúdo das mensagens, mas também reúne diferentes registros encontrados no aparelho de Vorcaro, permitindo aos investigadores organizar informações sobre contatos, chamadas, arquivos, contratos e outras comunicações. A divulgação desses dados amplia o debate sobre as relações mantidas pelo empresário com diferentes setores e pessoas de destaque no cenário nacional.
As informações fazem parte de um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal a partir da análise do celular de Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. A investigação foi iniciada em novembro de 2025 para apurar suspeitas relacionadas à negociação de carteiras de crédito do Banco Master com o BRB, o Banco de Brasília. Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro daquele ano. O relatório analisado agora foi elaborado por determinação do ministro André Mendonça, do STF, com o objetivo de identificar possíveis integrantes de uma rede de influência e monitoramento atribuída ao fundador do banco.
A própria Polícia Federal faz uma ressalva importante sobre o alcance do documento. Segundo a corporação, a análise não tem caráter exaustivo, pois os investigadores tiveram 72 horas para concluir o trabalho, conforme determinação judicial. Dessa forma, a PF afirma que outras menções, referências ou informações relacionadas aos contatos de Vorcaro podem ainda não ter sido identificadas. A observação é relevante para a compreensão do material, já que o relatório reúne uma grande quantidade de dados e representa um recorte das informações localizadas no dispositivo analisado.
O conteúdo do relatório tornou-se público nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, depois que André Mendonça determinou o fim do sigilo da ação. O Poder360 informou ter procurado Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para obter manifestações sobre as mensagens e as conclusões apresentadas pela Polícia Federal. Até a publicação da reportagem original, não haviam sido encaminhadas respostas. O material, portanto, passa a ser acompanhado de perto enquanto as partes envolvidas podem apresentar esclarecimentos sobre as circunstâncias descritas no relatório e sobre o conteúdo das comunicações analisadas pelos investigadores.





