Vorcaro tem ataque de fúria e ameaça entregar ministros do STF caso não soltem seu pai, diz fonte

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria declarado que pode revelar informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal, integrantes da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal caso seu pai, Henrique Vorcaro, não seja posto em liberdade. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 18, pela revista Veja e repercutida pela Revista Fórum, com base em relato de interlocutores próximos à defesa do banqueiro. Segundo o relato, Vorcaro sente-se desamparado e afirma possuir materiais que podem comprometer autoridades, entre eles fotografias, comprovantes de pagamentos e documentos.
A alegada declaração estaria ligada à situação de Henrique Vorcaro, que permanece detido há mais de 90 dias. A defesa solicitou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, celeridade na análise de pedido de prisão domiciliar apresentado por razões humanitárias, com a justificativa de que ele enfrenta problemas de saúde. A família aguarda manifestação da Corte sobre o requerimento, em meio à expectativa gerada pelas declarações atribuídas ao filho, que não foram acompanhadas de apresentação pública dos materiais mencionados.
Paralelamente, a Polícia Federal designou para o dia 30 de setembro o depoimento de Daniel e Henrique Vorcaro em inquérito que apura a utilização de estrutura privada para ações de intimidação e invasão de sistemas digitais. A investigação acompanha a atuação de grupos identificados como “A Turma” e “Os Meninos”, que, segundo as apurações, teriam sido mobilizados contra pessoas consideradas adversárias dos interesses da família. Os depoimentos podem trazer esclarecimentos sobre a dimensão e o alcance das operações supostamente coordenadas.
O episódio se insere no cenário de tensão institucional provocado pelo vazamento de mensagens e registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça, à época relator do caso, determinou a retirada de sigilo de trechos que revelam contatos entre o banqueiro e membros da Corte. Os nomes de Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux aparecem em diferentes contextos nas apurações. É importante destacar que a existência de contato, troca de mensagens ou relação profissional não constitui, por si só, prova de irregularidade ou conduta ilegal.
O clima de desconfiança atingiu o próprio STF. Em sessão realizada nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de ter pedido à Polícia Federal que seu nome fosse incluído entre os citados em eventual colaboração premiada de Vorcaro. A afirmação foi feita durante debate sobre a abertura de investigação envolvendo o ministro. A troca de acusações entre os magistrados demonstra o grau de instabilidade interna provocada pelo caso, que ainda não teve seu desfecho definido.
Até o momento, as supostas revelações atribuídas a Daniel Vorcaro permanecem no plano de alegações, sem comprovação pública de que os materiais mencionados configurem prova de crimes. O caso segue em investigação e novas informações devem surgir conforme os trabalhos avançam. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que fatos sejam apurados com isenção, que direitos sejam preservados e que as instituições restabeleçam a confiança da população. A clareza sobre cada vínculo e cada decisão será fundamental para que o eleitor possa confiar nas instituições antes e depois das urnas.





