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Senador Weverton Rocha quer que o ministro André Mendonça tome providências sobre vazamento de foto

O vice-líder de Lula no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), providências para investigar o vazamento de uma fotografia particular encontrada em seu celular durante uma operação da Polícia Federal. A imagem, registrada em 2023, mostrou o senador em uma piscina ao lado de diversos políticos e do advogado Willer Tomaz, que passou a ser investigado no contexto da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes e lavagem de dinheiro relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS. O pedido apresentado ao STF colocou novamente em discussão não apenas a investigação envolvendo o parlamentar, mas também a necessidade de preservar o sigilo de informações obtidas durante operações policiais.

A fotografia foi divulgada pela revista piauí e acabou provocando repercussão justamente por reunir, em um mesmo ambiente, personagens de diferentes grupos políticos que tinham relações com Brasília. Na imagem apareceram Weverton Rocha, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, além de Elmar Nascimento, Paulo Azi, Alexandre Ramagem e Juscelino Filho, entre outros políticos, durante um encontro particular realizado no rancho de Willer Tomaz, em Planaltina, no Distrito Federal. Segundo informações divulgadas posteriormente, o registro foi feito em 23 de abril de 2023, portanto antes de a atual investigação sobre descontos ilegais no INSS ter sido deflagrada.

Diante da divulgação, Weverton afirmou que pretendia descobrir quem teve acesso ao conteúdo armazenado em seu aparelho e de que maneira a fotografia chegou à imprensa. Na petição encaminhada a Mendonça, o senador pediu a preservação integral dos registros de acesso aos dados apreendidos, a identificação dos servidores que tiveram contato com o material e a apuração da origem do vazamento. Assim, a estratégia adotada pelo parlamentar foi separar a existência da fotografia das suspeitas investigadas pela Polícia Federal e concentrar a contestação na forma como um conteúdo privado teria sido extraído e divulgado.

Vice-líder de Lula pediu investigação sobre vazamento

O pedido apresentado por Weverton Rocha ganhou importância porque o celular no qual a fotografia estava armazenada havia sido apreendido pela Polícia Federal em dezembro de 2025, durante uma das fases da Operação Sem Desconto. O senador sustentou que a divulgação de uma imagem particular poderia representar violação de sua intimidade, do sigilo dos autos e da presunção de inocência, sobretudo se o conteúdo tivesse sido obtido exclusivamente a partir de material sob custódia policial. Por isso, foi solicitado que os registros de acesso aos dados fossem preservados para que pudesse ser identificado quem entrou em contato com o arquivo.

Além disso, o senador pediu que a Procuradoria-Geral da República fosse acionada para avaliar a eventual existência de infrações, inclusive uma possível violação de sigilo funcional. Também foi solicitada a comunicação à Corregedoria-Geral da Polícia Federal para que eventuais responsabilidades disciplinares pudessem ser examinadas, caso fossem encontradas irregularidades no manuseio das informações apreendidas. Segundo a argumentação apresentada por Weverton, a indicação do delegado responsável pela investigação não representaria uma acusação direta contra ele, mas uma consequência de sua responsabilidade pela guarda do material que acabou chegando ao conhecimento público.

A reação ocorreu em um momento particularmente delicado para o senador, que já havia sido alvo de medidas de investigação no âmbito da Operação Sem Desconto. Em 4 de agosto, uma nova etapa da operação havia sido deflagrada com 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, tendo como alvos familiares de Weverton e o advogado Willer Tomaz, além de empresas e estruturas relacionadas ao caso. A Polícia Federal investigava naquela etapa suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras e patrimoniais que, segundo os investigadores, poderiam estar relacionadas aos recursos provenientes das fraudes contra beneficiários do INSS.

Weverton Rocha e o caso da Operação Sem Desconto

A fotografia ganhou repercussão maior justamente porque Willer Tomaz apareceu ao lado dos políticos no encontro realizado em seu rancho. O advogado foi apontado pela Polícia Federal como uma figura importante na estrutura que estaria sendo investigada e, segundo a decisão de André Mendonça que autorizou as buscas, teria ligação com empresas, imóveis, aeronaves, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos associados ao senador. A defesa de Tomaz, entretanto, negou envolvimento com as fraudes do INSS e afirmou que a busca realizada contra ele estaria relacionada principalmente ao fato de ser proprietário de uma aeronave utilizada por Weverton em uma viagem.

No caso de Weverton, a investigação avançou sobre suspeitas de movimentações financeiras e patrimoniais que teriam sido realizadas por meio de pessoas físicas, empresas, contas de terceiros e operações em espécie. Na decisão de Mendonça, a Polícia Federal descreveu o senador como alguém que, segundo a hipótese investigativa, teria formulado demandas, indicado beneficiários, cobrado pagamentos, acompanhado repasses, tratado de imóveis e orientado providências patrimoniais. É importante ressaltar, contudo, que essas são alegações e elementos apresentados no curso de uma investigação, não uma condenação judicial, e o senador negou irregularidades.

A dimensão política do caso também foi ampliada pelo cargo ocupado por Weverton Rocha, que era vice-líder do governo Lula no Senado e mantinha influência no Congresso Nacional. O parlamentar é considerado próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e havia participado de articulações importantes em Brasília, inclusive em discussões relacionadas a indicações e projetos de interesse do governo. Ao mesmo tempo, Weverton afirmou que as movimentações mencionadas na investigação eram resultado de atividades profissionais e empresariais regulares e devidamente declaradas à Receita Federal, enquanto a PGR chegou a se posicionar contra algumas das medidas de busca e apreensão autorizadas por Mendonça.

Foto em piscina ampliou pressão sobre investigação

A divulgação da fotografia, portanto, produziu dois debates diferentes que passaram a caminhar simultaneamente. De um lado, permaneceram as apurações sobre possíveis fraudes, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras relacionadas ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, investigação que havia provocado forte repercussão política desde sua deflagração em abril de 2025. De outro, passou a ser discutido se informações privadas encontradas em aparelhos apreendidos poderiam ter sido acessadas e repassadas à imprensa de maneira irregular.

Para Weverton, a investigação sobre o vazamento passou a ser uma questão institucional, independentemente do conteúdo da fotografia. O senador queria que fosse identificado o caminho percorrido pelo arquivo desde a apreensão do celular até sua publicação, inclusive com a preservação dos registros capazes de indicar quais servidores tiveram contato com os dados. Enquanto isso, os investigadores continuavam responsáveis por esclarecer se as suspeitas financeiras atribuídas ao parlamentar e a pessoas próximas seriam confirmadas ou afastadas ao longo do procedimento, já que a própria Polícia Federal informou que a individualização das condutas ainda estava em andamento.

Nesse contexto, a solicitação feita pelo vice-líder de Lula ao ministro André Mendonça passou a representar uma tentativa de controlar os efeitos políticos e jurídicos provocados pela divulgação da imagem. A apuração do suposto vazamento poderá esclarecer se houve acesso indevido ao material, autorização para divulgação ou participação de algum integrante da estrutura responsável pela custódia das provas, enquanto a investigação principal seguirá seu próprio caminho. Dessa forma, os próximos passos deverão ser acompanhados com atenção, porque tanto a origem da fotografia divulgada quanto as suspeitas financeiras envolvendo Weverton Rocha poderão produzir novos desdobramentos no cenário político e judicial brasileiro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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