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Neste sábado (29) o programa eleitoral promete muitos ataques entre os candidatos

Lula e Flávio Bolsonaro estreiam neste sábado (29) seus programas eleitorais na televisão em uma disputa que deverá ser marcada por ataques, defesa de realizações e forte exploração de temas econômicos. De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o presidente usará seu primeiro programa para atacar o adversário principalmente por meio do caso “Dark Horse”, enquanto Flávio Bolsonaro deverá concentrar sua mensagem no endividamento dos brasileiros e no aumento do custo de vida. A estreia do horário eleitoral, portanto, colocará frente a frente duas estratégias distintas para conquistar eleitores e desgastar o principal concorrente.

A propaganda de Flávio Bolsonaro será exibida antes da de Lula, conforme o sistema de revezamento definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar disso, o presidente terá mais tempo no primeiro programa, com 5 minutos e 31 segundos, contra 4 minutos e 20 segundos destinados ao candidato do PL. Essa diferença ocorre porque Lula reúne uma coligação formada por PT, PSOL, Rede, PC do B, PV, PSB e PDT, enquanto Flávio concorre apenas pelo PL.

A diferença de exposição deverá ter peso importante ao longo dos 35 dias de propaganda eleitoral do primeiro turno. Segundo a Folha de S. Paulo, a campanha de Lula terá direito a 433 inserções durante a programação, enquanto Flávio contará com 339, além dos espaços destinados a Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Assim, desde o primeiro programa, as duas campanhas deverão explorar seus principais argumentos para tentar influenciar um eleitorado que ainda poderá mudar de posição durante a disputa.

Lula e Flávio Bolsonaro iniciam ofensiva no horário eleitoral

A campanha de Lula decidiu aproveitar a elevada notoriedade do presidente para dedicar parte importante do primeiro programa ao ataque contra Flávio Bolsonaro. Segundo a Folha de S. Paulo, a trajetória do senador deverá ser apresentada em um formato semelhante a uma ficha corrida, com referências ao caso “Dark Horse” e a episódios que já provocaram desgaste político no passado. Entre os assuntos que deverão ser recuperados está também o caso das chamadas rachadinhas, relacionado ao período em que Flávio exerceu mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.

O caso “Dark Horse” deverá receber atenção especial porque envolve conversas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, sobre o financiamento de um filme relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A campanha petista pretende utilizar esse episódio para levantar questionamentos sobre o adversário e associá-lo a uma série de controvérsias que deverão ser exploradas durante a eleição. Ao mesmo tempo, a ofensiva não deverá ocupar todo o programa, pois também serão apresentadas ações do governo e propostas para um eventual novo mandato.

A biografia de Lula, por sua vez, será apresentada de maneira mais positiva e em formato de clipe musical, conforme a estratégia descrita pela Folha de S. Paulo. A avaliação dos estrategistas é que o petista já é conhecido por grande parte da população depois de décadas de atuação política e três passagens pela Presidência da República, o que permitiria reduzir o espaço dedicado à apresentação pessoal. Dessa maneira, o programa deverá defender a ideia de que o governo iniciado em 2023 reorganizou o país e que um novo mandato permitiria avançar sobre projetos considerados prioritários pela campanha.

Flávio Bolsonaro aposta no custo de vida para atacar Lula

Flávio Bolsonaro adotará uma estratégia diferente e deverá colocar a situação econômica das famílias no centro de sua primeira propaganda. De acordo com a Folha de S. Paulo, o programa abordará o endividamento dos brasileiros, o aumento do custo de vida, as dificuldades enfrentadas por empreendedores e os problemas de empresas que atravessam dificuldades financeiras. O objetivo será relacionar essas dificuldades à administração federal e apresentar o senador como uma alternativa para enfrentar os problemas econômicos apontados pela campanha.

Para reforçar essa narrativa, foram realizadas gravações em locais de comércio popular, incluindo uma unidade das Casas Bahia em Taguatinga, no Distrito Federal. O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia deverá ser utilizado pela campanha como exemplo das dificuldades enfrentadas pelo setor varejista e como argumento contra a política econômica do governo. Além disso, imagens de comícios e carreatas realizadas por Flávio no Rio de Janeiro e em Alagoas deverão ser utilizadas para transmitir uma imagem de mobilização e apoio popular.

A campanha do senador também deverá explorar assuntos como corrupção, o escândalo envolvendo o INSS e as investigações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Paralelamente, a equipe de Flávio avalia incluir sua mulher, Fernanda Bolsonaro, em algumas peças, numa tentativa de ampliar a comunicação com o eleitorado feminino e reduzir resistências ao candidato. Com isso, a estratégia bolsonarista deverá combinar economia, denúncias e imagens de campanha para construir uma narrativa de oposição ao governo Lula.

Propaganda eleitoral deve ampliar disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

A estreia dos programas também deverá apresentar ao eleitor o conceito central escolhido pela campanha de Lula para um eventual novo mandato: “o Brasil pronto para mais”. Segundo a estratégia relatada pela Folha de S. Paulo, o argumento será o de que o governo recebeu, em 2023, um país com políticas públicas desmontadas e precisou concentrar parte do primeiro mandato na reorganização administrativa, econômica e social. A partir dessa narrativa, o petista deverá defender que medidas como Pé-de-Meia, Gás do Povo e renovação automática da CNH seriam exemplos de ações que poderão ser ampliadas em uma nova gestão.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, deverá tentar transformar a insatisfação com preços, dívidas e dificuldades empresariais em um dos principais argumentos contra a reeleição de Lula. A partir de sábado (29), portanto, a disputa presidencial ganhará um novo espaço de confronto, no qual os candidatos terão tempo definido para apresentar propostas, atacar adversários e disputar a percepção dos eleitores sobre o futuro do país. Com mais tempo de televisão e mais inserções, Lula terá uma vantagem de exposição, mas Flávio buscará compensá-la utilizando temas econômicos capazes de atingir diretamente o cotidiano da população.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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