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‘Dark Horse’, tarifaço e ajuste fiscal: veja o que Flávio Bolsonaro disse em entrevista à TV Globo

A sabatina de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, na TV Globo nesta sexta-feira (28), colocou em evidência algumas das principais posições que devem marcar sua campanha para as eleições de 2026. Durante a entrevista, o senador foi questionado sobre temas que envolvem o processo eleitoral, relações com os Estados Unidos, economia, financiamento de produção audiovisual e seu apoio político a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), atualmente detido. Ao longo da conversa, Flávio buscou apresentar suas propostas e esclarecer declarações anteriores, além de reforçar a confiança em sua candidatura. Um dos momentos de maior destaque ocorreu quando afirmou que pretende respeitar as regras eleitorais e o resultado das urnas, independentemente do desfecho da disputa. A declaração ganhou relevância por ocorrer em meio ao histórico de questionamentos feitos por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre o sistema eletrônico de votação utilizado no país.

Ao ser perguntado sobre a possibilidade de não vencer a eleição, Flávio afirmou que aceitará o resultado das urnas. O senador também reconheceu como equivocada uma declaração anterior na qual havia associado uma empresa venezuelana à fabricação de urnas eletrônicas brasileiras. Segundo ele, a empresa mencionada teve participação em atividades relacionadas ao processo eleitoral conduzido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas não foi responsável pela fabricação dos equipamentos. Apesar de garantir que respeitará o resultado eleitoral, o candidato demonstrou confiança em seu desempenho nas urnas e declarou acreditar que poderá vencer já no primeiro turno. A fala reforçou o tom de segurança adotado durante a entrevista e sinalizou que sua estratégia eleitoral deverá combinar a defesa de suas propostas com a tentativa de consolidar sua posição no campo político associado ao bolsonarismo.

Outro assunto abordado foi o financiamento do filme Dark Horse, produção dedicada à trajetória política de Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que os recursos foram direcionados ao projeto cinematográfico e negou que tenham sido destinados a interesses pessoais. O candidato também foi questionado sobre uma mensagem na qual declarou que estaria “sempre” ao lado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em resposta, explicou que sua relação com o empresário estava relacionada ao financiamento e à realização do filme, afirmando não haver outro vínculo entre os dois. A entrevista ainda trouxe para o centro do debate o chamado tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Flávio atribuiu parte do contexto ao relacionamento entre o governo brasileiro e o presidente americano Donald Trump, mas fez uma ressalva ao comportamento de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Para o candidato, Eduardo errou ao comemorar as tarifas, embora tenha defendido que o deputado atuava nos Estados Unidos em defesa de interesses políticos.

A relação comercial com os Estados Unidos também levou Flávio a comentar o futuro do PIX. O senador rejeitou a possibilidade de incluir o sistema de pagamentos instantâneos em qualquer negociação com o governo americano e afirmou que a ferramenta pertence aos brasileiros. Na avaliação do candidato, declarações feitas anteriormente por Eduardo Bolsonaro sobre o assunto acabaram sendo interpretadas de maneira diferente de sua intenção original. Flávio também declarou ser contrário ao tarifaço e afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende trabalhar para buscar a retirada das medidas. O tema econômico ganhou ainda mais espaço quando o senador apresentou sua visão sobre as contas públicas. Ele defendeu um amplo ajuste fiscal, com redução de despesas, revisão de cargos comissionados, diminuição da burocracia e mudanças na gestão de empresas e patrimônio da União. A campanha também trabalha com propostas de redução de impostos e uma reforma do Estado.

Em relação ao salário mínimo e às aposentadorias, Flávio negou a intenção de reduzir os valores pagos atualmente. Segundo ele, a prioridade seria controlar o crescimento das despesas públicas para preservar o poder de compra da população. A proposta econômica apresentada por sua campanha inclui uma revisão da estrutura administrativa e medidas voltadas à competitividade do país. Parte dessas ideias foi detalhada por Daniella Marques, coordenadora econômica da candidatura, durante o evento Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate, promovido pela EXAME e pelo Movimento Brasil Competitivo, em São Paulo. O programa econômico deverá ocupar espaço importante na campanha, especialmente diante do debate sobre equilíbrio das contas públicas, carga tributária, eficiência administrativa e capacidade de investimento do governo. A estratégia apresentada procura combinar contenção de despesas com mudanças estruturais na administração federal.

A sabatina terminou com um tema diretamente ligado à política do Rio de Janeiro: o apoio de Flávio Bolsonaro a Rodrigo Bacellar, que atualmente está detido e é alvo de acusações investigadas pelas autoridades. Questionado sobre o motivo de ter apoiado o político anteriormente, o senador afirmou que desconhecia as acusações quando participou da composição que envolveu sua candidatura. Flávio declarou que, caso tivesse conhecimento das suspeitas naquele momento, não teria dado seu apoio. Também afirmou considerar as acusações muito sérias caso sejam confirmadas. Segundo sua explicação, o nome de Bacellar surgiu dentro de uma articulação partidária no Rio, por indicação de uma legenda integrante da coalizão. Com a entrevista, Flávio Bolsonaro expôs posições sobre eleições, economia, relações internacionais e alianças políticas, temas que deverão ganhar ainda mais espaço à medida que a corrida presidencial de 2026 avance.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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