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Maioria dos candidatos à Presidência da República não aparecerão no horário eleitoral na TV

As Eleições 2026 começaram a ganhar uma nova dimensão com o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, mas uma parcela dos candidatos à Presidência ficou fora dessa programação. Dos 12 presidenciáveis aptos a disputar o primeiro turno, apenas quatro receberam espaço nos blocos destinados à propaganda presidencial. A situação chama atenção porque oito candidatos estão na disputa, mas não terão segundos de propaganda nos blocos eleitorais transmitidos pelas emissoras de rádio e televisão.

Os oito candidatos que ficaram sem horário eleitoral na TV são Clariana Barão, do DC, Edmilson Costa, do PCB, Hertz Dias, do PSTU, Renan Santos, do Missão, Romeu Zema, do Novo, Rui Costa Pimenta, do PCO, Samara Martins, da UP, e Veterinário Wilson Grassi, do Democrata. A ausência deles não significa que as candidaturas tenham sido impedidas de disputar a eleição ou que a Justiça Eleitoral tenha escolhido quem poderia participar da propaganda. Na realidade, a regra está relacionada à representação dos partidos na Câmara dos Deputados e ao cumprimento dos critérios da chamada cláusula de desempenho.

O modelo adotado nas Eleições 2026 foi definido pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na legislação eleitoral e na representação parlamentar obtida pelas legendas. Dessa forma, o tamanho das bancadas e o atendimento aos requisitos partidários passaram a determinar quais candidaturas teriam direito a ocupar os blocos de propaganda presidencial. Enquanto quatro nomes receberam tempo no rádio e na TV, os demais terão de concentrar seus esforços em outras formas de comunicação eleitoral, como debates, entrevistas, redes sociais, eventos públicos e propaganda permitida pela legislação.

Eleições 2026 e a regra que deixou oito candidatos sem TV

A divisão do horário eleitoral não é feita de maneira igual entre todos os presidenciáveis, porque a legislação estabeleceu critérios relacionados à força parlamentar das legendas. De acordo com as regras utilizadas pelo TSE, 90% do tempo destinado à propaganda são distribuídos proporcionalmente à representação dos partidos e federações na Câmara, enquanto os outros 10% são divididos igualmente entre as candidaturas vinculadas às siglas que cumprem os requisitos da cláusula de desempenho. Assim, quanto maior a representação parlamentar de uma legenda ou coligação habilitada, maior tende a ser o espaço obtido na televisão e no rádio.

A cláusula de desempenho, também conhecida como cláusula de barreira, foi criada para estabelecer critérios mínimos de representatividade para que os partidos tenham acesso a determinados direitos e recursos. Para a propaganda eleitoral de 2026, foram considerados pelo TSE 510 deputados federais eleitos por partidos e federações que atenderam aos requisitos estabelecidos. Por consequência, as legendas que não alcançaram os critérios necessários ficaram sem participação nos blocos destinados à propaganda presidencial.

Entre os partidos que ficaram sem espaço está o Novo, que lançou Romeu Zema como candidato à Presidência, enquanto outras candidaturas estão vinculadas a legendas menores, como PCB, PSTU, PCO e UP. Também ficaram fora Clariana Barão, do DC, Renan Santos, do Missão, e Veterinário Wilson Grassi, do Democrata. Portanto, a ausência dessas candidaturas na televisão não está relacionada diretamente ao desempenho dos candidatos nas pesquisas ou à quantidade de votos que eles poderão receber, mas à estrutura partidária considerada pela Justiça Eleitoral para distribuir a propaganda.

Quem terá horário eleitoral na TV nas Eleições 2026

Enquanto oito presidenciáveis ficaram sem espaço nos blocos, quatro candidatos receberam tempo de propaganda: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. A candidatura de Lula, apoiada pela coligação Brasil Pronto Para Mais, formada por PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede, ficou com a maior fatia da propaganda. Já Flávio Bolsonaro, do PL, apareceu em segundo lugar na distribuição, seguido por Ronaldo Caiado, do PSD, e Augusto Cury, do Avante.

O tempo destinado a Lula foi de 5 minutos e 31 segundos, com 433 inserções durante o primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 4 minutos e 20 segundos e 339 inserções. Ronaldo Caiado ficou com 2 minutos e 2 segundos e 159 inserções, ao passo que Augusto Cury recebeu 35 segundos e 47 inserções. A propaganda presidencial foi programada para ser exibida às terças, quintas e sábados, nos blocos das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55, entre 28 de agosto e 1º de outubro.

A diferença de tempo pode ter impacto significativo na estratégia das campanhas, principalmente porque a televisão ainda permite alcançar eleitores que não acompanham diariamente as redes sociais. Para os oito candidatos sem horário eleitoral, a necessidade de construir visibilidade por outros meios deverá ser ainda maior durante o período oficial de campanha. Nesse cenário, debates, entrevistas, presença digital, eventos e cobertura jornalística passam a ter peso adicional para candidaturas que não contam com inserções gratuitas nos grandes veículos de comunicação.

O que significa ficar sem horário eleitoral na TV

Ficar fora do horário eleitoral não impede nenhum dos oito candidatos de continuar na disputa presidencial, mas reduz uma importante ferramenta de comunicação direta com o eleitor. A televisão oferece às campanhas a possibilidade de apresentar propostas, divulgar mensagens e reforçar a imagem dos candidatos sem que seja necessário comprar espaço publicitário. Por isso, a ausência nos blocos gratuitos pode representar uma desvantagem estratégica, especialmente para nomes com menor estrutura financeira, partidária ou presença nacional.

Ao mesmo tempo, a situação mostra como a legislação eleitoral brasileira relaciona o acesso à propaganda gratuita à representatividade dos partidos no Congresso. Nas Eleições 2026, essa regra fez com que apenas quatro dos 12 candidatos à Presidência tivessem presença nos blocos de propaganda, deixando oito nomes fora dessa faixa específica da programação. Assim, enquanto Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury disputarão a atenção do eleitor também por meio da televisão e do rádio, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Renan Santos, Romeu Zema, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Veterinário Wilson Grassi precisarão ampliar outras estratégias para conquistar espaço na corrida presidencial.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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