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Na TV, Lula fala em país destruído após Bolsonaro; Flávio faz autoexaltação

O primeiro dia do horário eleitoral gratuito na televisão já revelou como as principais campanhas pretendem disputar a atenção do eleitor brasileiro em 2026. A propaganda de Luiz Inácio Lula da Silva apostou em uma narrativa de contraste com o governo Jair Bolsonaro, apresentando a ideia de que o país recebeu uma estrutura comprometida e defendendo que o atual governo ainda tem espaço para avançar. Com o slogan de que o Brasil “está pronto para muito mais”, a equipe petista também destacou indicadores econômicos e ações de segurança pública como resultados do atual mandato. Entre os pontos apresentados estão a redução do desemprego para um dos menores níveis da série histórica e iniciativas de combate ao crime organizado.

No lado de Flávio Bolsonaro, a estratégia adotada no primeiro programa foi bastante diferente. O candidato do Partido Liberal citou Lula diretamente apenas nos primeiros momentos da propaganda, afirmando que o atual presidente deverá atribuir problemas a administrações anteriores enquanto apresenta resultados positivos de seu governo. Depois dessa introdução, o programa praticamente deixou a disputa direta de lado e concentrou-se na construção da imagem pessoal do candidato. A campanha dedicou atenção especial ao eleitorado feminino e apresentou aspectos da trajetória de Flávio, incluindo sua formação cristã, experiências acadêmicas e passagem pelo Congresso Nacional. Jair Bolsonaro apareceu de maneira breve, reforçando a tentativa de apresentar o candidato como uma figura com trajetória própria.

A campanha de Lula, por sua vez, adotou uma postura mais incisiva ao abordar episódios envolvendo seu principal adversário. Diferentemente do material transmitido pelo rádio, a propaganda televisiva reservou seus primeiros minutos para mencionar o pedido de recursos atribuído a Flávio Bolsonaro junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro que está no centro de questionamentos e apurações. O programa também citou o caso conhecido como “rachadinhas”, no qual Flávio foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 2020. Entretanto, é importante destacar que as provas utilizadas naquela investigação foram posteriormente anuladas pela Justiça, em decisões relacionadas ao entendimento sobre o foro do então deputado estadual.

Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro iniciaram a propaganda apresentando estratégias distintas, outros candidatos também aproveitaram o espaço para estabelecer suas marcas eleitorais. Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, manteve uma linha de oposição ao governo Lula e utilizou os segundos disponíveis para reforçar sua identidade política. A campanha, porém, não fez menção direta a Flávio Bolsonaro. Em vez disso, apresentou Caiado como alguém que teria realizações para mostrar e pouco a esconder, buscando transformar sua experiência administrativa em um dos principais argumentos para conquistar votos.

A propaganda de Augusto Cury, do Avante, seguiu um caminho ainda mais diferente. Com apenas 30 segundos disponíveis, o candidato utilizou o tempo para apresentar uma mensagem centrada na importância da escuta e do diálogo. O bordão “Não tem cura sem escuta” foi acompanhado por imagens que remetem às dificuldades e aos conflitos presentes no ambiente político brasileiro. A proposta procura associar o candidato a uma alternativa baseada na compreensão dos problemas sociais e na busca por soluções por meio do diálogo, em uma eleição marcada pela forte presença de nomes já conhecidos do público nacional.

O primeiro dia do horário eleitoral, portanto, deixou claro que as campanhas não pretendem disputar apenas propostas, mas também a percepção que o eleitor terá de cada candidato. Lula busca apresentar resultados e estabelecer uma comparação com o período anterior; Flávio Bolsonaro trabalha para consolidar uma identidade própria e ampliar seu diálogo com diferentes públicos; enquanto Caiado e Augusto Cury procuram ocupar espaços específicos no debate presidencial. Com a televisão e o rádio dividindo atenção com as redes sociais, cada segundo passa a ter valor estratégico. Nos próximos programas, a expectativa é de que as candidaturas aprofundem suas propostas, respondam aos questionamentos dos adversários e tentem transformar a exposição eleitoral em crescimento nas pesquisas e maior conexão com os eleitores.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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