Lindbergh Farias postou vídeo com bolo para criticar o silêncio de Flávio Bolsonaro sobre repasse de Vorcaro

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) ironizou nesta quinta-feira (27) o que classificou como 100 dias de silêncio de Flávio Bolsonaro (PL) sobre os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para marcar a data, o parlamentar apareceu com um bolo em um vídeo publicado nas redes sociais e transformou a cobrança em mais uma ofensiva política contra o candidato do PL à Presidência. De acordo com informações do portal Metrópoles, Lindbergh voltou a questionar o destino dos R$ 61 milhões que teriam sido pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa.
A provocação foi construída em torno de uma promessa feita por Flávio Bolsonaro em maio, quando o senador afirmou que apresentaria esclarecimentos sobre a origem e o destino dos recursos relacionados ao projeto. Segundo Lindbergh, o prazo anunciado pelo candidato era de 30 dias, mas três meses depois não teria sido apresentada a prestação de contas que ele havia mencionado. O deputado aproveitou justamente o vencimento desse período para afirmar que continuaria cobrando explicações durante a campanha eleitoral.
O episódio ocorre em meio ao crescimento da disputa política em torno do caso Dark Horse, que passou a ser explorado por adversários de Flávio Bolsonaro durante a corrida presidencial. O filme foi planejado para contar a trajetória de Jair Bolsonaro, mas a origem dos recursos destinados à produção passou a gerar questionamentos depois que conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro vieram a público. Dessa maneira, o assunto deixou de ser apenas uma questão relacionada ao financiamento de uma obra cinematográfica e passou a ocupar espaço na disputa eleitoral de 2026.
Lindbergh ironiza silêncio de Flávio Bolsonaro sobre os R$ 61 milhões
Com o bolo nas mãos, Lindbergh Farias afirmou que estava “descomemorando” os 100 dias de silêncio de Flávio Bolsonaro. A encenação foi utilizada pelo deputado para reforçar a cobrança sobre os R$ 61 milhões associados ao financiamento de Dark Horse e para tentar manter o assunto em evidência nas redes sociais. Além disso, a escolha do bolo criou um elemento visual de forte apelo político, transformando a cobrança em uma peça de campanha contra o adversário.
A origem da cobrança está em uma declaração feita por Flávio em 19 de maio, quando o senador afirmou que prestaria contas sobre o financiamento do filme. Desde então, o assunto passou a ser utilizado com frequência por adversários do candidato, principalmente por integrantes do PT, que procuram associar o episódio à necessidade de transparência durante a campanha presidencial. Por outro lado, Flávio já afirmou anteriormente que não considera haver irregularidades relacionadas ao filme e criticou tentativas de vincular investigações diferentes à produção.
O valor de R$ 61 milhões mencionado por Lindbergh está relacionado a pagamentos que teriam sido realizados por Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, os recursos teriam sido repassados em seis operações realizadas entre fevereiro e maio de 2025, enquanto o montante total negociado poderia chegar a R$ 134 milhões, sem evidência de que todo esse valor tenha sido efetivamente transferido. Assim, a diferença entre os valores negociados e os efetivamente pagos também passou a fazer parte dos questionamentos levantados em torno do caso.
Caso Dark Horse ganha espaço na campanha presidencial
A pressão sobre Flávio Bolsonaro ocorre justamente quando o caso Dark Horse passou a ocupar espaço crescente na campanha eleitoral. O senador é candidato à Presidência pelo PL e deverá enfrentar ataques dos adversários durante o horário eleitoral, especialmente em relação a episódios envolvendo sua família e aliados políticos. Nesse contexto, a cobrança de Lindbergh procura manter o financiamento do filme entre os assuntos que poderão atingir a imagem de Flávio diante do eleitorado.
As conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro também são utilizadas como elemento central das críticas feitas pelo deputado petista. De acordo com o Metrópoles, uma das conversas ocorreu em novembro de 2025, pouco antes da primeira prisão de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero e da liquidação do Banco Master. A divulgação desses diálogos aumentou a pressão política sobre Flávio, embora a existência das conversas e dos pagamentos não constitua, por si só, prova de irregularidade criminal.
Lindbergh já havia levado o caso ao Supremo Tribunal Federal em maio, quando pediu que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro fossem incluídos em uma investigação relacionada a Eduardo Bolsonaro. Na ocasião, o deputado sustentou que os recursos ligados ao filme deveriam ser analisados para verificar se poderiam ter alguma conexão com outras atividades políticas da família Bolsonaro, hipótese que precisaria ser investigada pelas autoridades competentes. Dessa forma, a nova manifestação nas redes sociais representa a continuidade de uma ofensiva política e jurídica que vem sendo construída pelo parlamentar em torno do caso.
Flávio Bolsonaro será pressionado durante a eleição
A cobrança de Lindbergh ocorre às vésperas de uma fase decisiva da campanha presidencial, quando Flávio Bolsonaro deverá ampliar sua exposição no rádio e na televisão para disputar espaço diretamente com Lula. O caso Dark Horse poderá ser explorado pelos adversários justamente porque envolve valores elevados, um banqueiro que posteriormente passou a ser alvo de investigações e uma produção ligada à imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, a promessa de esclarecimentos feita em maio deverá continuar sendo lembrada pelos adversários enquanto não forem apresentadas novas informações sobre a prestação de contas do projeto.
Ao transformar os 100 dias em uma espécie de aniversário simbólico, Lindbergh conseguiu criar uma ação de forte caráter político e reforçar uma pergunta que pretende levar para a campanha: qual foi o destino dos recursos relacionados ao filme Dark Horse. Flávio Bolsonaro, por sua vez, deverá ter de lidar com o assunto enquanto tenta concentrar sua candidatura em temas como economia, segurança pública e críticas ao governo Lula. Assim, o episódio mostra como uma produção cinematográfica se transformou em um dos pontos de confronto da eleição presidencial e deverá continuar sendo explorado pelos adversários do candidato do PL ao longo da campanha.





