Marqueteiro de Augusto Cury explicou que os ataques dos adversários acabam ajudando o candidato

Os ataques da direita e da esquerda contra Augusto Cury estão sendo vistos pela campanha do candidato como uma oportunidade para ampliar sua presença na disputa presidencial de 2026. Sergio Lima, marqueteiro de Cury, afirmou à CNN que as críticas feitas por adversários ajudaram a levar o nome do escritor a eleitores que ainda não conheciam sua candidatura. A estratégia agora é aproveitar essa exposição para apresentar propostas e transformar a crescente visibilidade em apoio eleitoral.
A avaliação da campanha ocorreu depois de Cury registrar forte avanço nas pesquisas e alcançar 11% das intenções de voto em um levantamento BTG/Nexus. O resultado colocou o candidato do Avante como o primeiro nome identificado com a chamada terceira via a atingir dois dígitos em um cenário de primeiro turno. Além disso, a exposição nas redes sociais e a repercussão de sua participação em entrevistas e sabatinas fizeram com que a candidatura passasse a ser observada com maior atenção pelos adversários.
Segundo Sergio Lima, a campanha pretende utilizar justamente a energia negativa produzida pelos ataques para aproximar Cury de diferentes grupos políticos. A lógica apresentada pelo marqueteiro é que, quando um candidato passa a ser criticado por determinado campo, seu nome também acaba sendo apresentado aos eleitores daquele grupo. Dessa maneira, a campanha considera que as críticas podem funcionar como uma espécie de divulgação involuntária, aumentando o reconhecimento de Cury sem que seja necessário depender exclusivamente da propaganda tradicional.
Ataques contra Cury viram estratégia eleitoral
A estratégia adotada pela campanha de Cury ganhou força depois da sabatina realizada pela Globo, episódio citado por Sergio Lima como um momento importante para ampliar o conhecimento público sobre o candidato. De acordo com o marqueteiro, a exposição gerada após a entrevista foi aproveitada para potencializar o nome do escritor nas redes sociais e no debate político. Assim, aquilo que inicialmente poderia ser interpretado apenas como uma reação negativa passou a ser incorporado ao planejamento eleitoral da candidatura.
O objetivo agora é fazer com que o eleitor não apenas conheça Cury, mas também passe a comparar suas ideias com as propostas dos principais concorrentes. Sergio Lima citou possíveis comparações entre Cury e nomes como Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Lula como parte dessa estratégia de posicionamento. Portanto, a campanha pretende aproveitar o aumento da exposição para colocar o candidato dentro das escolhas concretas feitas pelo eleitor durante a corrida presidencial.
A estratégia também está relacionada ao perfil público de Cury antes da entrada na política. Escritor conhecido por seus livros e por uma extensa trajetória no mercado editorial, ele já possuía um nível de reconhecimento que a campanha decidiu utilizar como ponto de partida. Segundo Lima, o desafio inicial foi “furar a bolha” formada pelo público que já conhecia os livros do candidato e alcançar pessoas que ainda não associavam seu nome à política.
Augusto Cury tenta transformar exposição em votos
O crescimento de Cury nas pesquisas aumentou a pressão sobre sua campanha para transformar popularidade digital em intenção de voto. A equipe reconhece que conhecer o nome do candidato é apenas uma etapa inicial, porque será necessário apresentar propostas capazes de convencer diferentes segmentos do eleitorado. Por isso, educação, saúde e segurança deverão receber maior espaço na comunicação eleitoral, segundo o marqueteiro.
Outro ponto importante envolve as suspeitas levantadas sobre o crescimento de Cury nas redes sociais. Questionado pela CNN sobre a possibilidade de uso de robôs para inflar artificialmente sua presença digital, Sergio Lima negou a acusação e afirmou que a campanha não utiliza esse mecanismo. O publicitário também declarou que 95% dos seguidores seriam brasileiros e que os comentários publicados nas plataformas seriam reais, embora essas afirmações representem a posição apresentada pela própria campanha.
O marqueteiro também definiu Cury como um candidato de direita e conservador, mas ressaltou que ele não defende um Estado mínimo. Segundo Lima, a proposta seria manter uma presença relevante do Estado porque o Brasil, na avaliação apresentada por ele, ainda não estaria preparado para um modelo totalmente baseado no capitalismo. Essa tentativa de combinar conservadorismo político com uma atuação estatal mais presente poderá ser utilizada pela campanha para alcançar eleitores que não se identificam integralmente com os polos tradicionais da disputa.
Cury aposta na rejeição à polarização
A estratégia de Cury também procura explorar o espaço deixado por eleitores insatisfeitos com a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Uma análise publicada pela própria CNN apontou que dirigentes políticos identificaram no crescimento do candidato uma manifestação de desânimo de parte do eleitorado com os dois principais polos da disputa. Nesse contexto, Cury passou a ser associado a uma alternativa para quem deseja votar fora da polarização tradicional, embora ainda exista dúvida sobre a capacidade de sustentar esse crescimento até o fim da campanha.
Para a campanha, portanto, os ataques não precisam necessariamente ser encarados como um problema. Se o nome de Cury continuar sendo citado por adversários de diferentes campos, a exposição poderá aumentar justamente entre eleitores que ainda não conhecem suas propostas. O desafio será fazer com que essa notoriedade se transforme em confiança e voto, porque o crescimento nas redes sociais e nas pesquisas, por si só, não garante a chegada ao segundo turno.





