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Na Globo, Flávio Bolsonaro diz que o irmão errou ao agradecer Trump pelas tarifas impostas ao Brasil

Flávio Bolsonaro defendeu o patrocínio de R$ 61 milhões feito pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” e, durante a mesma entrevista, reconheceu que seu irmão Eduardo Bolsonaro errou ao agradecer Donald Trump pelas tarifas impostas aos produtos brasileiros. As duas declarações foram dadas na noite de sexta-feira, 28 de agosto de 2026, durante a sabatina do candidato do PL à Presidência da República no Jornal Nacional, da TV Globo. A entrevista colocou Flávio diante de temas delicados de sua campanha e expôs diferenças de posicionamento dentro da própria família Bolsonaro.

Ao ser questionado sobre o financiamento de “Dark Horse”, produção que conta a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que o patrocínio de Vorcaro foi realizado de boa-fé. O senador sustentou que não houve contrapartida política ou benefício pessoal relacionado ao investimento e comparou a operação com outros aportes realizados pelo empresário. Entretanto, o caso continuava cercado de questionamentos sobre contratos, valores e prestação de contas, enquanto informações recentes apontavam que os detalhes completos do financiamento ainda não haviam sido apresentados publicamente.

A entrevista também levou Flávio a abordar o chamado tarifaço de Donald Trump contra produtos brasileiros, assunto que havia provocado tensão entre os integrantes da família Bolsonaro. Nesse momento, o candidato reconheceu que Eduardo Bolsonaro havia errado ao agradecer ao presidente norte-americano pelas tarifas, embora tenha rejeitado a ideia de que o irmão fosse responsável pela decisão tomada pelo governo dos Estados Unidos. Segundo Flávio, Trump tomou a decisão de acordo com seus próprios interesses e não poderia ser atribuído a Eduardo o controle sobre as medidas comerciais norte-americanas.

Flávio Bolsonaro explicou financiamento de Dark Horse

A principal pressão enfrentada por Flávio Bolsonaro durante a sabatina esteve relacionada à sua ligação com Daniel Vorcaro e ao financiamento de “Dark Horse”. O senador confirmou que havia procurado o empresário em busca de recursos para viabilizar a produção cinematográfica, mas afirmou que sua atuação ocorreu como a de um filho interessado em produzir uma obra sobre a trajetória do próprio pai. Dessa forma, Flávio tentou afastar a interpretação de que a negociação pudesse ter envolvido algum tipo de troca política ou vantagem decorrente de sua posição como senador e candidato à Presidência.

A explicação, porém, não encerrou as dúvidas sobre o caso, principalmente porque a prestação de contas do filme ainda era alvo de questionamentos. Reportagens recentes apontaram que o longa teria movimentado valores elevados e que documentos importantes, como contratos e informações detalhadas sobre investidores e fornecedores, não haviam sido disponibilizados integralmente ao público. Além disso, investigações passaram a analisar a origem e o caminho percorrido pelos recursos, aumentando a pressão sobre Flávio para apresentar esclarecimentos mais detalhados.

Flávio afirmou que o financiamento foi feito de boa-fé e insistiu que não havia nada irregular em buscar investimento privado para uma produção cinematográfica. Durante a sabatina, contudo, o candidato evitou fornecer todos os detalhes solicitados sobre os contratos e tratou o episódio como uma questão já esclarecida, enquanto a ausência de documentos públicos continuava sendo apontada como um problema. Assim, a resposta apresentada pelo candidato não eliminou completamente a controvérsia, que permaneceu como um dos pontos mais sensíveis de sua campanha presidencial.

Flávio Bolsonaro admitiu erro de Eduardo no tarifaço

Em outro momento da entrevista, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro diante das tarifas anunciadas por Donald Trump contra produtos brasileiros. O candidato afirmou que considerava equivocada a atitude do irmão de agradecer ao presidente dos Estados Unidos pelas medidas comerciais, deixando claro que não concordava com aquela manifestação pública. Ao mesmo tempo, Flávio procurou separar o erro de Eduardo da decisão efetivamente tomada pelo governo norte-americano e afirmou que Trump agiu conforme seus próprios interesses.

A declaração de Eduardo havia ocorrido após o anúncio, em 2025, de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, quando o ex-deputado publicou uma mensagem de agradecimento a Trump. Posteriormente, novas tarifas foram anunciadas pelos norte-americanos, ampliando a preocupação do governo brasileiro com os impactos econômicos sobre exportadores e empresas nacionais. Nesse contexto, Flávio afirmou que Eduardo nunca havia pedido tarifas contra empresas brasileiras e lembrou que ele próprio havia se manifestado contra as medidas.

Flávio também rejeitou a acusação de que Eduardo tivesse colocado interesses pessoais acima dos interesses do Brasil ao apoiar as ações de Trump. Segundo o candidato, se o irmão tivesse adotado esse comportamento, ele não estaria vivendo nos Estados Unidos em meio às consequências políticas de sua atuação, argumento utilizado para defender a posição de Eduardo. A fala revelou uma tentativa de preservar a imagem política do irmão, mas também representou uma rara admissão pública de erro dentro da família Bolsonaro em relação à política comercial norte-americana.

Flávio Bolsonaro tentou se diferenciar do irmão

O posicionamento adotado por Flávio sobre o tarifaço mostrou uma tentativa de estabelecer uma diferença entre sua própria atuação e as decisões de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O candidato lembrou que havia viajado ao país e afirmado que tentou convencer Trump a retirar as tarifas, apresentando essa iniciativa como uma demonstração de que trabalhava contra os efeitos negativos da medida para o Brasil. Em julho, Flávio já havia declarado que tentou sensibilizar o presidente norte-americano durante uma audiência nos Estados Unidos sobre o assunto.

Ao mesmo tempo, a declaração sobre Eduardo não significou um rompimento entre os irmãos, mas uma tentativa de ajustar o discurso diante de um tema que ganhou peso na campanha presidencial. O tarifaço se tornou um assunto especialmente sensível porque as medidas norte-americanas atingiram produtos brasileiros e passaram a ser utilizadas tanto pelo governo Lula quanto por seus adversários na disputa eleitoral. Nesse ambiente, Flávio buscou sustentar que discordava do agradecimento feito por Eduardo, mas não aceitava que o irmão fosse responsabilizado diretamente pelas decisões de Trump.

A sabatina, portanto, reuniu dois assuntos capazes de produzir forte repercussão eleitoral: o financiamento de “Dark Horse” e a relação da família Bolsonaro com Donald Trump. De um lado, Flávio defendeu a legalidade e a boa-fé do patrocínio de Daniel Vorcaro, embora os detalhes da operação continuassem sendo questionados, e, de outro, admitiu que Eduardo havia cometido um erro ao agradecer pelas tarifas. Com isso, a entrevista expôs tanto as dificuldades enfrentadas pelo candidato para explicar questões financeiras envolvendo o filme quanto a tentativa de apresentar uma posição própria diante da política comercial dos Estados Unidos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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