De acordo com a PF, esposa de Moraes assinou contrato com o Banco Master após encontro do ministro com Vorcaro

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, assinou um contrato com o Banco Master poucos dias depois de encontros presenciais entre o ministro do Supremo Tribunal Federal e o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo relatório da Polícia Federal. A informação foi divulgada pela colunista Natália Portinari, do UOL, em reportagem publicada nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, que apresentou uma cronologia dos acontecimentos a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O contrato, que previa pagamentos milionários ao escritório, passou a ser analisado dentro da investigação sobre as relações do empresário com autoridades e pessoas próximas ao poder público.
Segundo a reportagem de Natália Portinari, os encontros entre Moraes e Vorcaro ocorreram no final de 2023 e foram intermediados pelo ex-deputado federal Fábio Faria. Em 21 de dezembro daquele ano, Vorcaro esteve na residência de Moraes, em São Paulo, e uma nova reunião foi realizada cinco dias depois, ocasião em que o contato do ministro teria sido compartilhado com o banqueiro. Pouco tempo depois, começaram as tratativas envolvendo o escritório de Viviane e o Banco Master, estabelecendo uma sequência temporal que passou a ser considerada relevante pela Polícia Federal.
A minuta do contrato foi enviada por Viviane a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024, enquanto registros técnicos posteriormente analisados pela PF apontaram alterações feitas em um arquivo identificado com o perfil “Ministro Alexandre de Moraes”. A versão final foi encaminhada ao banqueiro em janeiro, e o contrato acabou sendo assinado digitalmente por Vorcaro em 23 de janeiro, com previsão de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3 milhões. O acordo, que alcançaria cerca de R$ 131 milhões ao longo de sua vigência, tornou-se um dos principais elementos utilizados para questionar a proximidade entre o banqueiro e o entorno do ministro.
Mulher de Moraes assinou contrato após encontros com o banqueiro
A cronologia apresentada pela Polícia Federal ganhou importância porque colocou os encontros pessoais entre Moraes e Vorcaro imediatamente antes da contratação do escritório de Viviane. De acordo com o material divulgado pelo UOL, Fábio Faria participou das articulações e chegou a comunicar ao banqueiro sobre novos contatos com o ministro, incluindo uma possibilidade de encontro em Campos do Jordão. Na sequência, a negociação do contrato avançou até que a contratação do escritório fosse formalizada, criando uma linha temporal que passou a ser examinada pelos investigadores.
Outro ponto que chamou atenção foram os metadados do documento, nos quais uma das últimas alterações apareceu associada a um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O registro técnico não esclarece, isoladamente, quem realizou cada alteração ou qual foi exatamente o conteúdo modificado, mas o dado foi incluído no relatório encaminhado ao ministro André Mendonça. O escritório de Viviane afirmou que Moraes havia sido consultado durante procedimentos de compliance para verificar possíveis impedimentos legais antes da contratação.
A contratação estabeleceu pagamentos mensais ao escritório, e os registros encontrados pela PF posteriormente mostraram que Vorcaro acompanhava pessoalmente a realização dessas transferências. Em mensagens analisadas pelos investigadores, o banqueiro demonstrou irritação quando um pagamento sofreu atraso e determinou que a situação fosse resolvida rapidamente, reforçando a prioridade que atribuía ao compromisso. Em outro episódio, Vorcaro teria orientado funcionários sobre a forma de pagamento e demonstrado preocupação com a manutenção do sigilo relacionado ao contrato.
Contrato de R$ 131 milhões entrou no foco da investigação
O valor do contrato passou a chamar ainda mais atenção depois que outras mensagens e documentos relacionados ao Banco Master foram incorporados à investigação. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o acordo previa pagamentos que, somados ao longo do período contratado, chegariam a aproximadamente R$ 131 milhões. O escritório de Viviane sustentou que os serviços jurídicos foram efetivamente prestados e que o contrato foi firmado de maneira regular, enquanto os investigadores passaram a analisar o conjunto de circunstâncias que envolveu sua celebração.
Paralelamente, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicaram que o banqueiro manteve comunicação direta com Moraes em outros momentos. Em uma dessas conversas, segundo o material analisado pela PF, Vorcaro teria procurado o ministro diante do risco de ações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República contra ele e o Banco Master. O conteúdo foi encaminhado para análise de André Mendonça, que determinou novas providências para esclarecer a identidade dos interlocutores e o contexto das mensagens.
A investigação também passou a examinar outros contatos entre Vorcaro e Moraes, com mensagens indicando que os dois teriam se encontrado diversas vezes entre 2024 e 2025. Segundo informações reunidas pela imprensa a partir dos dados extraídos do aparelho do banqueiro, os encontros teriam ocorrido em diferentes circunstâncias e demonstrariam uma relação mais próxima do que simples contatos institucionais. Esses elementos não comprovam, isoladamente, qualquer irregularidade, mas passaram a ser considerados relevantes para a reconstrução da relação entre o empresário e o ministro.
O que a cronologia pode revelar sobre Moraes e Vorcaro
A sequência apresentada pela PF não permite concluir automaticamente que a contratação do escritório de Viviane tenha sido irregular, mas estabelece uma sucessão de acontecimentos que passou a ser investigada. Primeiro ocorreram os encontros entre Moraes e Vorcaro, depois vieram as negociações do contrato, as alterações registradas no arquivo e, finalmente, a assinatura do acordo milionário. A partir dessa cronologia, os investigadores poderão verificar se houve apenas uma relação profissional legítima ou se existiram outros elementos que precisam ser esclarecidos.
A notícia divulgada por Natália Portinari no UOL acrescentou, portanto, uma peça importante ao quebra-cabeça do caso Master, especialmente por apresentar a sequência dos encontros e da contratação com base no relatório da Polícia Federal. Agora, as informações deverão ser confrontadas com os documentos completos, os registros financeiros, as mensagens e as explicações apresentadas pelos envolvidos. O significado jurídico dos fatos dependerá dessa análise conjunta, e não apenas da proximidade temporal entre os encontros de Moraes com Vorcaro e a assinatura do contrato.





