Campanha de Augusto Cury não para de crescer, deixando os adversários preocupados

O crescimento de Augusto Cury nas pesquisas começou a provocar uma pergunta cada vez mais incômoda nos bastidores da eleição presidencial de 2026: PT e PL estão com medo do candidato do Avante? O escritor e psiquiatra deixou rapidamente o grupo dos candidatos com baixa intenção de voto e alcançou 11% em levantamentos recentes, passando a ocupar uma posição que até pouco tempo parecia improvável. Com isso, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro passaram a acompanhar com atenção o avanço de uma candidatura que ameaça alterar a disputa que vinha sendo tratada como uma polarização entre os dois principais grupos políticos do país.
A reportagem da jornalista Luciana Lima, publicada pelo PlatôBR, mostrou que o crescimento de Cury acendeu alertas tanto no PT quanto no PL, embora por motivos diferentes. Enquanto o grupo de Flávio Bolsonaro teme perder votos no primeiro turno para uma candidatura que consegue dialogar com eleitores de direita e com setores não polarizados, os petistas avaliam que uma eventual migração de votos para Cury poderia, posteriormente, beneficiar o candidato do PL em um segundo turno contra Lula. Dessa forma, o avanço do candidato do Avante passou a ser observado não apenas pelo percentual que ele alcança, mas também pela origem dos votos que estão sendo conquistados.
A preocupação ganhou dimensão porque Cury apareceu como uma alternativa para eleitores que não desejam escolher entre Lula e um candidato identificado diretamente com o bolsonarismo. Pesquisas recentes indicam que o desempenho do escritor é particularmente expressivo entre os eleitores não polarizados, justamente uma parcela considerada decisiva para a definição do segundo turno. Portanto, o fenômeno Cury pode representar algo maior do que uma simples oscilação nas pesquisas, embora ainda seja necessário esperar novos levantamentos para saber se o crescimento será sustentado ou se perderá força rapidamente.
PT e PL passaram a olhar Cury com preocupação
No PL, o receio é mais direto porque os números indicam que Flávio Bolsonaro pode ser o candidato mais afetado pelo crescimento de Cury no primeiro turno. Segundo dados recentes, o candidato do Avante avançou especialmente entre segmentos identificados com a direita, enquanto seu desempenho entre eleitores mais alinhados ao lulismo apresentou crescimento menor. Assim, uma parcela do eleitorado que antes poderia considerar Flávio uma opção natural passou a enxergar Cury como uma alternativa possível, criando uma disputa dentro do próprio campo que se opõe ao PT.
A preocupação petista, por sua vez, segue uma lógica diferente e está relacionada ao eventual segundo turno. O temor apontado nos bastidores é que Cury consiga retirar votos de Flávio na primeira etapa, mas que parte significativa desses eleitores retorne ao candidato do PL caso ele avance para a fase decisiva da eleição. Nesse cenário, o crescimento de Cury poderia enfraquecer Flávio momentaneamente, mas depois funcionar como uma espécie de caminho para que o eleitorado contrário a Lula se reorganize em torno do candidato bolsonarista.
É justamente essa possibilidade que torna a candidatura de Cury tão desconfortável para os dois polos tradicionais da eleição. Para o PL, ele pode reduzir a vantagem de Flávio sobre outros candidatos e dificultar a consolidação de uma vaga no segundo turno, enquanto para o PT sua presença pode fragmentar o eleitorado de direita sem necessariamente impedir uma posterior união contra Lula. Por isso, as duas campanhas passaram a acompanhar os próximos números com atenção, tentando descobrir se o avanço registrado nas últimas pesquisas representa uma tendência consistente ou apenas um fenômeno passageiro.
Augusto Cury ameaça quebrar a polarização entre Lula e Flávio
A ascensão de Augusto Cury também chama atenção porque aconteceu em um período relativamente curto da campanha presidencial. O candidato saiu de percentuais próximos de 1% ou 2% para marcas muito mais elevadas em diferentes pesquisas, chegando a 11% nos levantamentos telefônicos da Nexus/BTG e da Real Time Big Data, enquanto a Atlas registrou 7,8%. Embora os institutos utilizem metodologias diferentes, o movimento simultâneo em pesquisas distintas transformou Cury em um dos principais assuntos da corrida presidencial.
Outro fator importante foi a força conquistada pelo candidato nas redes sociais, onde sua campanha conseguiu ampliar rapidamente a audiência e transformar uma figura já conhecida como escritor em um personagem competitivo na política nacional. A estratégia de comunicação explora justamente a imagem de alguém que se apresenta como alternativa aos grupos políticos tradicionais e procura ocupar o espaço de uma terceira via. Esse discurso pode alcançar eleitores cansados da polarização e que, até então, não encontravam uma candidatura capaz de representar sua insatisfação com os dois principais polos da eleição.
Ainda assim, existe uma diferença importante entre crescer nas pesquisas e transformar esse crescimento em uma candidatura realmente competitiva. Cury precisa demonstrar que consegue manter seus percentuais ao longo das próximas semanas, ampliar sua presença regional e apresentar propostas capazes de resistir ao escrutínio dos adversários. Caso isso aconteça, PT e PL poderão ser obrigados a mudar suas estratégias, porque a eleição deixaria de ser uma disputa praticamente concentrada em dois nomes e passaria a envolver uma terceira candidatura com capacidade real de influenciar o resultado.
Afinal, PT e PL estão com medo de Cury?
A resposta mais adequada, neste momento, é que os dois partidos demonstram preocupação, mas por razões diferentes e ainda não é possível afirmar que Cury tenha se transformado em uma ameaça definitiva para Lula ou Flávio. O PL parece estar mais diretamente exposto ao crescimento do candidato do Avante no primeiro turno, enquanto o PT observa com atenção a possibilidade de Cury reorganizar o eleitorado de direita e, posteriormente, favorecer Flávio em uma eventual disputa final. Assim, o simples fato de as duas campanhas já estarem discutindo estratégias para responder ao fenômeno Cury mostra que sua candidatura deixou de ser ignorada nos principais centros de decisão eleitoral.
O verdadeiro teste acontecerá nas próximas pesquisas, quando será possível verificar se os 11% registrados por Cury representam uma nova realidade ou apenas um pico provocado pela exposição recente. Se o candidato continuar crescendo, poderá colocar em xeque a ideia de que a eleição de 2026 será decidida exclusivamente entre Lula e Flávio Bolsonaro, obrigando PT e PL a dividir a atenção com uma terceira força. Por enquanto, a pergunta “quem tem medo de Cury?” continua sem resposta definitiva, mas o fato de o nome do escritor já provocar preocupação nos dois principais polos políticos mostra que sua candidatura entrou definitivamente no radar da eleição.





