Eduardo Bolsonaro pediu ao governo dos Estados Unidos a retomada de sanções contra Moraes

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que ele e aliados já solicitaram ao governo dos Estados Unidos a retomada das sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada em 1º de setembro de 2026, durante entrevista ao UOL News, em meio à repercussão das mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e à crise política envolvendo o magistrado. Segundo Eduardo, o pedido já está sob avaliação das autoridades norte-americanas, que terão a palavra final sobre uma eventual retomada das medidas.
Eduardo Bolsonaro pede reativação da medida em um momento de forte pressão política sobre Moraes, depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados à investigação da Polícia Federal. O material divulgado trouxe mensagens atribuídas a Vorcaro que, segundo o ex-deputado, levantariam suspeitas sobre relações financeiras envolvendo Moraes e pessoas de sua família, além de contatos relacionados a outras autoridades. É importante destacar, porém, que as interpretações apresentadas por Eduardo representam sua avaliação política sobre o conteúdo divulgado e não significam que as acusações tenham sido definitivamente comprovadas.
Durante a entrevista, o ex-deputado também afirmou ser favorável ao retorno das sanções contra Moraes e declarou que não existe um prazo determinado para uma eventual decisão dos Estados Unidos. De acordo com ele, a análise depende do governo norte-americano e envolve avaliações internas de autoridades responsáveis pelas áreas de Tesouro e Estado. A declaração recolocou a Lei Magnitsky no centro do debate político brasileiro justamente quando a relação entre Moraes e Vorcaro passou a ser explorada pela oposição nas eleições de 2026.
Eduardo Bolsonaro pede reativação da Lei Magnitsky em meio à crise
A Lei Magnitsky é uma legislação dos Estados Unidos utilizada para impor sanções contra estrangeiros acusados pelo governo norte-americano de envolvimento em graves violações de direitos humanos ou corrupção. Entre as consequências possíveis estão restrições financeiras e medidas relacionadas ao acesso ao sistema financeiro sob jurisdição norte-americana, conforme os critérios adotados pelo governo dos EUA. No caso de Moraes, Eduardo defendeu que o instrumento volte a ser aplicado com base no que considera abusos cometidos pelo ministro.
Moraes havia sido incluído anteriormente na lista de pessoas atingidas pelas sanções norte-americanas, em julho de 2025, durante o primeiro ano do segundo governo de Donald Trump. Na ocasião, a Casa Branca justificou a medida com acusações relacionadas à atuação do ministro em processos que envolviam a chamada trama golpista e outros episódios políticos brasileiros. Posteriormente, em dezembro de 2025, o governo Trump retirou Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, da relação de pessoas submetidas às sanções.
Para Eduardo, a retirada das sanções ocorreu por razões políticas e não eliminou os elementos que, na avaliação dele e de seus aliados, poderiam justificar uma nova medida. O ex-deputado afirmou que os documentos utilizados anteriormente pelos Estados Unidos continuariam disponíveis para análise das autoridades responsáveis pela política externa norte-americana. Dessa forma, ele sustenta que a discussão atual não começaria do zero, embora qualquer nova decisão dependa exclusivamente das autoridades dos Estados Unidos.
Mensagens de Vorcaro aumentaram pressão sobre Moraes
A nova ofensiva de Eduardo ocorreu depois da divulgação de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O material passou a ser usado pela oposição como argumento para questionar a relação entre o banqueiro e integrantes do entorno de Moraes, especialmente após a divulgação de informações sobre contratos envolvendo o escritório de advocacia da esposa do ministro. As mensagens também provocaram novos pedidos de esclarecimento e ampliaram a pressão política sobre o Supremo Tribunal Federal.
Segundo Eduardo, as conversas divulgadas reforçariam a necessidade de uma nova avaliação internacional sobre a atuação de Moraes. Ele afirmou que o conteúdo seria suficiente, em sua interpretação, para justificar medidas mais severas contra o ministro e chegou a defender que uma eventual renúncia seria insuficiente. Em outro trecho da entrevista, Eduardo disse que a prisão de Moraes seria, na visão dele, a consequência mínima diante das revelações envolvendo Vorcaro, declaração que representa uma posição política do ex-deputado.
A crise também passou a envolver diretamente o ministro André Mendonça, responsável por tornar públicos os documentos que estavam sob sigilo. Eduardo classificou Mendonça como uma espécie de “último suspiro” do STF enquanto instituição, indicando que considera a atuação do ministro decisiva para o desdobramento do caso. A avaliação ocorre enquanto integrantes do Supremo discutem a validade dos procedimentos adotados e enquanto a Procuradoria-Geral da República questiona a legalidade do relatório da Polícia Federal.
O que pode acontecer com a Lei Magnitsky
Apesar da pressão exercida por Eduardo Bolsonaro e seus aliados, a eventual retomada das sanções não depende de uma decisão do Congresso brasileiro ou do Supremo Tribunal Federal. A escolha cabe ao governo dos Estados Unidos, dentro dos procedimentos previstos pela legislação norte-americana e das avaliações feitas pelas autoridades responsáveis pela política externa e financeira do país. Por isso, Eduardo reconheceu que não poderia estabelecer uma data para uma possível decisão sobre Moraes.
O tema ganhou importância justamente porque a crise envolvendo Moraes e Vorcaro passou a ter repercussão internacional, enquanto diferentes grupos políticos brasileiros passaram a defender medidas contra o ministro. Ao mesmo tempo, as acusações presentes nas mensagens divulgadas continuam sendo objeto de interpretações políticas e jurídicas, e eventuais responsabilidades ainda dependem da análise das autoridades competentes. Assim, a tentativa de Eduardo de reativar a Lei Magnitsky representa uma nova frente de pressão internacional, mas não significa que as sanções serão automaticamente restabelecidas.





