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Procuradoria-Geral da República quer o arquivamento de um procedimento de Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento do procedimento aberto após Daniel Vorcaro relatar que teria sofrido ameaças e intimidações durante as tratativas para firmar um acordo de delação premiada. A manifestação foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que avaliou que o ex-controlador do Banco Master não apresentou fatos concretos nem elementos capazes de sustentar as acusações feitas durante o depoimento. O caso passou a ser acompanhado de perto dentro do STF porque as declarações de Vorcaro envolveram a Polícia Federal, a negociação de uma possível colaboração e acusações relacionadas à condução das investigações sobre o Banco Master.

A notícia foi publicada pelo UOL na coluna de Natália Portinari, em reportagem assinada também por Fabio Serapião e Luís Adorno, no dia 2 de setembro de 2026. Segundo os jornalistas, a PGR considerou que Vorcaro não apresentou o que seria necessário para justificar novas providências investigativas sobre as supostas ameaças. A avaliação foi feita depois de o banqueiro prestar depoimento no gabinete do ministro André Mendonça, relator dos processos relacionados ao caso Master no Supremo.

O depoimento havia sido solicitado pela defesa de Vorcaro, sob a alegação de que ele estava sendo alvo de graves intimidações e precisava ser ouvido com urgência. A oitiva ocorreu na manhã de 27 de agosto, perante um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, com a presença de um representante do Ministério Público, mas sem a participação de investigadores da Polícia Federal. Depois da audiência, a PGR foi chamada a se manifestar sobre as declarações apresentadas pelo ex-banqueiro e acabou defendendo o arquivamento do procedimento.

PGR questionou acusações feitas por Vorcaro

No parecer encaminhado ao Supremo, Paulo Gonet afirmou que Vorcaro não havia relatado um fato concreto ou juridicamente delimitado que pudesse justificar uma nova investigação. Para o procurador-geral, as declarações apresentadas durante a oitiva também não ofereceram um elemento mínimo de credibilidade que permitisse avançar na apuração das supostas ameaças. Dessa maneira, a Procuradoria considerou que a continuidade do procedimento não produziria resultado prático relevante.

As declarações de Vorcaro ganharam repercussão porque ele afirmou que a Polícia Federal teria rejeitado sua proposta de delação para proteger o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. O banqueiro também declarou que pretendia apresentar informações sobre integrantes do atual governo e citou uma suposta proximidade com Rodrigues, inclusive com referência a viagens para eventos. Entretanto, segundo as informações divulgadas sobre o depoimento, ele não apresentou provas capazes de sustentar essas acusações.

Vorcaro também acusou a Polícia Federal de conduzir a investigação em determinada direção e de utilizar vazamentos seletivos para pressionar pessoas envolvidas no caso. A PGR, contudo, avaliou que essas afirmações não modificaram a análise já feita sobre as propostas de colaboração apresentadas anteriormente pelo ex-banqueiro. O entendimento foi de que as informações oferecidas não demonstraram conteúdo novo suficiente para justificar a retomada das negociações de delação.

Delação de Vorcaro já havia sido rejeitada

A manifestação de Paulo Gonet também tratou diretamente das tentativas de Daniel Vorcaro de fechar um acordo de colaboração premiada. A Polícia Federal e a própria PGR já haviam rejeitado duas propostas apresentadas pelo ex-banqueiro, sob o entendimento de que o material fornecido não acrescentava informações inéditas relevantes às investigações. Segundo a Procuradoria, a recusa ocorreu dentro do procedimento normal de avaliação da utilidade das provas oferecidas por quem pretende colaborar com as autoridades.

Para Gonet, o depoimento prestado ao gabinete de André Mendonça também não trouxe elementos capazes de alterar essa conclusão. A Procuradoria avaliou que Vorcaro não apresentou provas que demonstrassem que as recusas anteriores haviam sido equivocadas ou que existissem fatos novos capazes de justificar uma mudança de posição. Por isso, o conteúdo da oitiva foi considerado insuficiente tanto para sustentar a denúncia sobre ameaças quanto para fortalecer uma eventual nova negociação de delação.

Outro argumento apresentado pela PGR foi que o próprio investigado não conhece necessariamente todo o conjunto de provas reunido pelas autoridades no inquérito. Assim, uma informação que Vorcaro considere inédita pode já estar na posse dos investigadores e, por consequência, não possuir o valor de novidade necessário para uma colaboração premiada. Essa avaliação ajudou a sustentar a conclusão de que o novo depoimento não apresentava utilidade suficiente para justificar a continuidade do procedimento.

Arquivamento ainda depende de André Mendonça

A decisão defendida pela PGR não encerrou automaticamente o procedimento, porque o pedido de arquivamento ainda precisava ser analisado pelo ministro André Mendonça. Como relator, Mendonça recebeu a manifestação de Paulo Gonet depois da oitiva e deveria avaliar os próximos passos processuais do caso. O gabinete do ministro havia autorizado o depoimento justamente após a defesa de Vorcaro alegar que ele sofria graves intimidações e precisava apresentar suas declarações com urgência.

O episódio ocorreu em meio a uma disputa institucional mais ampla envolvendo a investigação do Banco Master e diferentes autoridades públicas. Enquanto Vorcaro buscava sustentar que tinha informações relevantes e que havia sido pressionado durante as tratativas para uma delação, a PGR afirmou que não foram apresentados elementos concretos capazes de comprovar as acusações. Com isso, o parecer de Gonet reforçou a posição de que o procedimento sobre as supostas ameaças não deveria avançar sem fatos ou provas adicionais.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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