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Presidente do Senado citou suposto envolvimento de Flávio com o Banco Master e defendeu Moraes

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu em defesa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, diante da pressão da oposição para que os pedidos de impeachment contra o magistrado avancem na Casa. A manifestação ocorreu durante a sessão do Senado na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, depois que os senadores Carlos Viana (PSD-MG) e Carlos Portinho (PL-RJ) cobraram uma posição sobre as representações apresentadas contra Moraes. Segundo a reportagem de Aline Pessanha, da Rádio Itatiaia, Alcolumbre afirmou que se manifestaria sobre o assunto no momento que considerasse oportuno.

Ao comentar as acusações relacionadas às conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Alcolumbre fez uma referência direta a outro episódio envolvendo o empresário. O presidente do Senado mencionou o pedido de R$ 130 milhões relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora não tenha citado Flávio Bolsonaro nominalmente naquele momento, a fala foi interpretada como uma referência ao senador e candidato do PL à Presidência da República, que também manteve contatos com Vorcaro.

A reação ocorreu em um cenário de forte pressão política após a divulgação de mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro em relatório produzido pela Polícia Federal. Segundo o material divulgado, o banqueiro teria procurado o ministro para tratar de investigações e processos relacionados ao Banco Master, o que levou parlamentares da oposição a defenderem uma apuração pelo Senado. Paralelamente, Alcolumbre vinha sinalizando que não pretendia dar andamento imediato aos pedidos de impeachment, decisão que passou a provocar críticas cada vez mais intensas entre senadores oposicionistas.

Alcolumbre defende Moraes diante da pressão da oposição

Durante o pronunciamento, Alcolumbre afirmou que vinha sendo alvo de críticas nos últimos dias e declarou que apresentaria sua posição no momento adequado. Antes de fazer uma manifestação mais ampla, porém, o senador questionou a ideia de que apenas Moraes estaria sendo responsabilizado pelos contatos mantidos com Vorcaro. A declaração foi acompanhada da lembrança de que outras figuras públicas também tiveram relações ou negociações com o empresário que comandava o Banco Master.

A referência ao filme “Dark Horse” colocou Flávio Bolsonaro no centro da resposta de Alcolumbre, justamente porque o senador vinha pressionando publicamente pelo afastamento de Moraes. Informações divulgadas pela imprensa apontaram que Flávio havia procurado Vorcaro para buscar recursos destinados à produção da obra sobre Jair Bolsonaro. O episódio passou a ser usado por Alcolumbre para questionar a concentração das críticas sobre o ministro do STF, embora as circunstâncias envolvendo os diferentes contatos ainda fossem objeto de debates políticos e investigações.

A oposição, por sua vez, sustentou que as situações não poderiam ser tratadas como equivalentes sem uma análise individualizada dos fatos e das possíveis responsabilidades. Parlamentares oposicionistas defendiam que as mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro deveriam ser examinadas formalmente pelo Senado, especialmente diante das informações reveladas pela investigação da Polícia Federal. Nesse contexto, a discussão deixou de ser apenas sobre as acusações contra o ministro e passou a envolver também a responsabilidade institucional de Alcolumbre na condução dos pedidos de impeachment.

Pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes

A pressão sobre Alcolumbre aumentou depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do material relacionado às investigações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. As informações tornadas públicas incluíram mensagens, documentos e referências a contatos entre o banqueiro e diferentes personagens do cenário político e institucional. A divulgação desse conteúdo provocou uma nova ofensiva da oposição, que passou a exigir uma resposta do Senado sobre os pedidos de impeachment contra Moraes.

Alcolumbre já havia indicado anteriormente que não pretendia tomar uma decisão imediata sobre as representações apresentadas contra ministros do Supremo. Em outra manifestação, o presidente do Senado lembrou que existiam 109 pedidos de impeachment contra integrantes da Corte e classificou esse número como uma situação fora da normalidade. Apesar disso, ele não sinalizou que a quantidade de requerimentos seria suficiente para determinar automaticamente a abertura de um processo contra Moraes.

A posição do presidente do Senado também provocou uma reação mais dura de Carlos Viana, que estabeleceu um prazo para que Alcolumbre apresentasse um encaminhamento sobre as demandas da oposição. O senador afirmou que poderia buscar formalmente o afastamento de Alcolumbre da Presidência do Senado caso a Casa não adotasse medidas que considerasse adequadas diante das denúncias envolvendo Moraes. A ameaça elevou a tensão dentro do Congresso e mostrou que o caso passou a produzir um conflito direto entre integrantes da oposição e o comando do Senado.

Crise envolvendo Moraes ganhou dimensão política

A decisão de Alcolumbre terá importância porque cabe ao presidente do Senado analisar inicialmente os pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Por isso, a resistência em dar andamento às representações passou a ser interpretada pela oposição como uma forma de impedir que as acusações fossem submetidas ao processo político previsto para esse tipo de solicitação. Ao mesmo tempo, aliados de Alcolumbre indicaram que ele deveria aguardar os desdobramentos da própria investigação conduzida no âmbito do Supremo antes de tomar uma decisão definitiva.

O episódio também revelou como o caso envolvendo Moraes e Vorcaro passou a se misturar com a disputa eleitoral de 2026, especialmente depois que Flávio Bolsonaro intensificou as críticas ao ministro. A menção de Alcolumbre ao pedido de recursos para “Dark Horse” deslocou parte da discussão para os contatos de integrantes do campo político de oposição com o ex-controlador do Banco Master. Dessa forma, a crise passou a envolver simultaneamente questões institucionais, investigações sobre relações privadas e uma disputa eleitoral cada vez mais acirrada.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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